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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019


A VIDA CONHECIDA - Porque os seres vivos vivem

 
Actualmente, a biologia pretende saber porque os seres vivos vivem, tentando descobrir esse fenómeno desconhecido - a Vida - que se transmite de ser para ser e cuja finalidade permanece na obscuridade.

Se a Biologia conseguir os seus fins, uma nova era surgirá certamente, onde o homem se lançará numa aventura em muitos pontos benéfica para a humanidade - com o controlo das doenças - mas simultaneamente assustadora, pois o homem tentará talvez entrar em campos absolutamente interditos, antinaturais, provocando o caos e desordem no universo harmonioso e superiormente orientado.

Este novo campo de estudos relaciona-se estreitamente com os fenómenos moleculares da vida. Um dos mais densos mistérios é o modo como as dezenas de milhares de compostos químicos que constituem um ser vivo trabalham em conjunto para fazer que ele cresça, se alimente e reproduza. Em princípio, os biólogos já descobriram que cada célula contém um formulário com instruções pormenorizadas sobre o género de substâncias a produzir com os alimentos ingeridos e a forma de se dividir para reproduzir-se, em tamanho e formato, conforme o sistema a que irá incorporar-se - seja elefante, rato, cão, galinha ou homem - e o modo de se integrar num organismo vivo.

Este formulário, denominado material genético, possui o extraordinário poder de produzir cópias de si mesmo, transmissíveis à geração seguinte, legando aos seus descendentes, deste modo, instruções para se dirigirem, comportarem e viverem. Todo o ser vivo compõe-se de células, muitas delas semelhantes entre si e comuns a todos os organismos, que obedecem a vários tipos de composição preestabelecidos, sendo a sua parte mais importante o Núcleo, onde estão contidos os cromossomas, o material genético, cada qual com os seus genes.

Estes genes, por sua vez, constituem-se de uma substância especial não encontrada noutra parte de célula e conhecida por DNA - ácido desoxirribonucleico - que contém, em linguagem cifrada, todas as prescrições necessárias a manter coesa a célula individual e consequentemente todas as células dum organismo.

Conforme demonstrou O.T. Avery, do Instituto Rockefeller, o DNA contém, e transmite, prescrições genéticas. Essa experiência consistiu na transplantação de prescrições genéticas duma célula bacteriana para outra, colocando uma parte do DNA da célula doadora, em solução, no meio onde se achavam as células receptoras. Estas, em parte dos casos, incorporaram ao próprio complemento genético o DNA alheio, de modo que ele se tornou parte integrante e permanente do seu formulário genético. Deste modo, genes de resistência ou susceptibilidade a um antibiótico, genes de capacidade ou incapacidade de produzir doenças, podem ser transplantados de uma linhagem de bactérias para outra.

O DNA apresenta uma molécula dupla: duas longas cadeias moleculares torcidas uma à volta da outra, cada qual constituído por unidades conhecidas por nucleótidos - de que há quatro espécies - parecendo um colar feito de quatro fiadas de contas, que são designadas, para maior conveniência, pelas letras A, T, G, e C, das iniciais dos quatro tipos de agrupamentos químicos de que se compõem. Ora, acontece que A liga-se a C, se ambas forem postas em contacto, e T com G. Isto serve para manter juntas as duas fiadas, sendo a disposição das contas de uma das fiadas complementar da disposição da outra.

Deste modo o DNA está magnificamente preparado para passar as  informações, porque se as duas cadeias se separam e caem num meio de nucleótidos as AA agarrarão as CC, e assim por diante até haver duas moléculas duplas onde antes só havia uma. Cada uma delas especificou como fazer a sua complementar.

Em toda a natureza nunca se descobriu outra molécula com esta estrutura extraordinária de dupla-hélice, ou saca-rolhas, embora seja de esclarecer que há uma molécula helicoidal de uma só fiada - o RNA - que se pode formar com partes da cadeia do DNA e que, ao soltar-se, passa informações ao maquinismo actuante da célula, tal como um molde de cera passa informações sob a forma de uma chave. O RNA constitui pois uma espécie de cópia a papel químico, ou melhor, um desenho de oficina, para a produção de uma determinada proteína, tirado do projecto original.

A sequência exacta dos nucleótidos do DNA de qualquer ser vivo é única, excepto no caso de gémeos idênticos. A molécula tem um comprimento descomunal, sendo o DNA do ser humano com uns mil milhões de nucleótidos. No entanto, o DNA de todos os seres vivos, quer plantas quer animais, parece ser constituído de acordo com o mesmo plano geral.

Vimos que o DNA é um aparelho de autocópias de prescrições e falta agora saber de onde vêm essas prescrições. A célula é como que uma caixa de paredes impermeáveis, que deixam passar selectivamente uma grande série de substâncias que vão entrar em reacções químicas, produzindo substâncias indispensáveis à célula e produtos de refugo que são outra vez expulsos. O comando destas reacções químicas é efectuado por substâncias conhecidas por enzimas, de diversas espécies - milhares - que tornam, cada uma, possível pela sua presença uma determinada reacção química como por exemplo a fermentação. O DNA trabalha produzindo no momento exacto a enzima exacta. Todas elas são proteínas constituídas das mesmas formas - mais de vinte - de aminoácidos. Uma molécula de enzima consta de várias centenas dessas formas de aminoácidos, formando uma longa corrente cuja disposição no encandeamento caracteriza uma dada espécie sendo, como o DNA, uma mensagem escrita, só com a diferença de que o DNA tem um alfabeto de quatro letras e as enzimas têm um com mais de vinte, conforme o número de aminoácidos naturais e comuns.

Segundo os biólogos modernos, que se debruçam sobre o modo como se originam moléculas de enzimas, as células contêm superenzimas - os microssomas - que fabricam as enzimas comuns. Estes microssomas, embora cem vezes maiores do que as moléculas das enzimas, só podem ser vistos com um microscópio electrónico.

Para produzir uma molécula de enzima, como a da hemoglobina por exemplo, é necessário encandear entre si seiscentas formas dos vinte tipos diversos de aminoácidos, numa sequência correcta e bem feita. Como as instruções para a montagem estão escritas em linguagem cifrada nos microssomas, a sua tarefa principal é a indicação cifrada de qual o tipo de enzima a ser fabricado e como fabricá-lo. As formas que compõem o microssoma são muito semelhantes ao DNA, com um acréscimo apenas de um grupo químico, essencial à síntese das enzimas, que forma o ácido nucleico do microssoma - o ácido ribonucleico ou RNA. O RNA é mais especializado do que o DNA do material genético, porque pode fabricar enzimas e o DNA não. No entanto o DNA pode autocopiar-se e o RNA não pode.

Retomando o assunto, os microssomas são responsáveis pelo fabrico das enzimas, sendo no entanto o DNA do material genético a fonte original das prescrições sobre os tipos que a célula deve fabricar. É claro, pois, que o gene determina o tipo de formulário contido no microssoma.

Ora, aparentemente os microssomas formam-se no núcleo e depois distribuem-se pelas outras partes da célula. Viu-se, posteriormente, que a formação do RNA microssómico dentro do núcleo só ocorre em presença do DNA e que se este for removido a célula perde a capacidade de formar RNA microssómico.

Não se sabe ao certo como é que o DNA genético produz o RNA microssómico. Podemos arriscar apenas que o material genético tem duas funções: tirar autocópias e sintetizar RNA que depois de embalado como microssoma é remetido para a célula onde fabricará enzimas.

E para terminar, cada ser vivo é, biologicamente, um manual de fórmulas escrito com os caracteres do idioma genético, o idioma do DNA. O DNA produz RNA - não se sabe como - e o RNA fabrica enzimas que por sua vez preparam os elementos de que se compõem todos os três.

Finalmente, o esquema molecular do mundo dos seres vivos equilibra-se neste triciclo vital - dizem os cientistas. Mas não explicam a razão por que os microssomas fabricam enzimas, de onde vêm, e como, o RNA e as tais prescrições genéticas do DNA. Enfim: qual a origem do “formulário” contido nas células.
 
Texto sem adopção às regras do acordo ortográfico de 1990.
 

 

sábado, 16 de fevereiro de 2019


A VIDA CONHECIDA - Animais e Vegetais  

Como já vimos, vírus e outras formas de vida encontram-se como que numa zona fronteiriça entre vida e não vida. Geralmente o limite entre ser vivo e ser não vivo é bem definido, mesmo sujeito a confusões (?). Os seres vivos, por sua vez, também são divididos, mal ou bem, em dois reinos ou grupos separados*: os Animais e os Vegetais ou plantas. Esta divisão considera-se verdadeira pelo menos nos casos mais evoluídos, pois nas formas mais simples sucede o mesmo que na divisão do vivo e não vivo: é difícil determinar, em alguns casos, se um dado ser é animal ou vegetal.

A diferença mais  marcada,  entre  animal e planta,  talvez  seja  o facto de aquele se mover livre e espontaneamente - porque tem um sistema muscular e outro nervoso - e aquela,  incluindo as mais evoluídas, estar fixa num só lugar. Existem, contudo, excepções, como algumas unicelulares, microscópicas, que fazem o seu percurso livremente através dos pântanos ou águas do mar onde vivem: as Diatomáceas.

Por outro lado, há animais que não se movem, como as esponjas e os corais ou madréporas que formam colónias nas rochas. Fixam-se e vivem toda a vida no mesmo sítio dando, os corais, origem, depois de mortos, aos recifes, que não são mais do que aglomerados de milhares de esqueletos.

Quanto à estrutura interna, a membrana celular das plantas é rígida e inflexível, produzindo principalmente a celulose. A do animal é flexível e mais elástica, produzindo as proteínas.

Finalmente os animais não obtêm a sua alimentação do mesmo modo que as plantas. Estas, na sua maioria, fabricam os seus produtos assimiláveis pelo processo de fotossíntese onde, por meio dos seus pigmentos verdes, a clorofila, transformam com a ajuda da luz solar, a partir da água e anidrido carbónico, os sais minerais contidos no solo em produtos assimiláveis, principalmente a glucose - uma espécie de açúcar - que ao combinar-se com as outras substâncias no interior da planta dão origem a outros produtos necessários como açucares, amidos, gorduras e proteínas. Parte destes produtos, não utilizados pela planta, são armazenados no seu interior e podem ser aproveitados para os animais, que não fabricam os seus próprios alimentos.

Aqueles, precisam de os obter noutros animais, ou plantas, que comem e digerem: ou seja, transformam-nos e tornam-nos solúveis e assimiláveis pelas diferentes partes do organismo, o que algumas plantas também fazem, como as carnívoras.

Pelas excepções - como aliás sucede em todos os campos da ciência onde não há regra sem excepção - podemos concluir que alguns seres vivos tanto podem ter as características de um animal como de um vegetal, o que se torna num desafio para a classificação dos dois grupos distintos, como o caso da Euglena, organismo verde que se assemelha a uma planta, com a sua clorofila e poder de fabricar o seu próprio alimento utilizando a energia irradiante do sol, e ao mesmo tempo se parece com um animal porque possui uma boca e um esófago por onde engole e digere alimentos.

Para simplificar - e rodear o problema - os botânicos classificam-na como uma planta, e os zoólogos consideram-na um animal.

Enfim, é mais um ser que se encontra na fronteira desconhecida entre animal e vegetal, desafiando as classificações e demarcações feitas pelo homem. Todos os seres vivos, quer animais quer vegetais, simples ou altamente organizados, têm uma coisa em comum que é a sua unidade básica - a célula. Qualquer organismo é constituído por pequenas porções de substância viva, ou protoplasma, mais ou menos justapostas, as quais damos o nome de Célula.

Este protoplasma, considerada matéria viva no sentido mais lato, forma a parte da célula contida dentro da membrana celular - excluindo o núcleo - e contem os trinta elementos, entre os quais o oxigénio, carbono, hidrogénio, azoto, fósforo, potássio, cálcio e magnésio, que se encontram combinados nas formas mais variadas em complexos compostos químicos como proteínas, gorduras e carbohidratos e outras substâncias inertes.

A água constitui sessenta a noventa por cento do protoplasma - variando a quantidade conforme os seres vivos - que pode dissolver mais substâncias assim como outros compostos que conhecemos e reter muito bem o calor.

Logo a seguir à água - sem ela é impossível a vida conhecida - as proteínas são as substâncias mais abundantes, formadas por variadas combinações de substâncias químicas conhecidas por aminoácidos - mais de vinte - cujas moléculas contêm centenas, e em alguns casos milhares, de átomos, sendo consideradas a base da construção da vida na matéria.

Os carbohidratos e gorduras são combinações de carbono, oxigénio e hidrogénio, e fontes de energia para a actividade da célula. Os carbohidratos combinam-se com as proteínas e elementos minerais, que também constituem a célula, como o sódio e fósforo, formando substâncias complexas que conhecemos como ácidos nucleicos.

 
Um destes ácidos, o ácido ribonucleico, ou ARN, tem importância vital na formação básica das proteínas. Outro, o ácido desoxirribonucleico, ou ADN, é também muito importante por se relacionar com a hereditariedade da célula e se encontrar estreitamente associado com os cromossomas, no núcleo celular.

Finalmente, o protoplasma contém as enzimas, hormonas e vitaminas, que servem para acelerar as reacções químicas.

E por último, podemos então salientar num aparte, que o protoplasma não é mais do que um conjunto de matéria inerte, que por circunstâncias desconhecidas, se torna vital para as manifestações de “vida” e envolve, ou melhor, faz parte de uma unidade básica - a célula.

A célula, de acordo com a moderna concepção dos especialistas que a estudam, é uma massa gelatinosa de protoplasma cercada por uma membrana celular de uma certa espessura e consistência maior ou menor, conforme os casos. O protoplasma não é uniforme, mostrando áreas bem definidas, com um núcleo mais ou menos ao centro. Algumas têm o núcleo descentrado e outras têm até mais do que um. O protoplasma que envolve o núcleo chama-se citoplasma, e uma parede protectora que envolve o núcleo a membrana celular.

As células individuais podem formar um ser vivo de uma só célula, como os Protozoários - Amiba e Paramécia - e formar seres de numerosas células, os Metazoários.

No primeiro caso, o trabalho vital é executado pela única célula que forma o animal, e no segundo verifica-se que cada grupo de células que formam o animal se encarrega de determinadas funções. Assim é que, quando decompomos um metazoário - o homem por exemplo - encontramos certas células que se reúnem e justapõem para cobrir a superfície, a pele; para forrarem as cavidades naturais, cartilagens; para servir de suporte, os ossos.

Verificamos pois que num organismo pluricelular se realiza uma divisão de trabalho fisiológico, isto é, que cada grupo de células se adapta à realização de um papel determinado, embora todos os grupos concorram afinal para a vida do organismo. Estas células formam os tecidos, nervoso, musculares e conjuntivo, que após combinados formam os órgãos, como o coração, intestinos e pâncreas.

Os tecidos e órgãos simples são coordenados pelas actividades individuais das células, até que o organismo possa funcionar propriamente. Podemos pensar nas células individuais como tendo uma vida própria, em que absorvem várias substâncias, consomem combustível e produzem energia nas suas múltiplas actividades. Sintetizam, ou transformam, substâncias complexas, fabricam e segregam hormonas e enzimas, com os quais controlam os processos vitais do organismo, eliminam os produtos inúteis e reproduzem-se. Deste modo, as actividades que ocupam um organismo, como um conjunto, são completadas pelo protoplasma da célula individual.

*A classificação moderna procura combinar o sistema de identificação com as características filogenéticas - a evolução relativa das espécies - mas as divisões inferiores em subfilos, classes e ordens continua a gerar controvérsias. A classificação actualmente com maior aceitação é o sistema dos cinco reinos, que divide os seres vivos nos reinos dos Monera (bactérias e cianobactérias), das Plantae (plantas), dos Animalia (animais multicelulares), dos Fungi (fungos) e dos Protoctista (protistas, todas as criaturas não incluídas nos outros quatro reinos).

 
Como se originou a Vida

Depois de tudo isto, não sabemos  como  se  originou a vida - por nós entendida - e uma das maneiras de compreender a natureza de qualquer coisa é descobrir como ela se originou.

O êxito de Darwin em estabelecer a validade da teoria da evolução levantou simultaneamente o problema de saber de onde teria vindo a forma mais primitiva de vida. A princípio acreditava-se que se tinha gerado espontaneamente no fundo do mar. Hoje crê-se que pode surgir sob certas condições químicas que após averiguadas podem ser aplicadas na prática.

Surgiu uma teoria sobre a maneira como teria aparecido a vida no globo e realmente alcançou, na prática, um êxito nunca esperado. Nos princípios de 1950, Harold Urey, professor na Universidade de Chicago, concluiu que a atmosfera original da Terra deveria ser desprovida de oxigénio, contendo apenas gases simples como hidrogénio, amoníaco, vapor de água e metano, tendo mais tarde se lhes juntado, talvez, monóxido de carbono, anidrido carbónico e azoto, o que sugere ser esta atmosfera mais diáfana à luz ultravioleta do que a nossa.

Esta teoria coincide com o conhecimento do papel universal das proteínas nos sistemas vivos, e maneira como eram constituídos os aminoácidos, à volta das moléculas de amoníaco, o que provocou logicamente a curiosidade de verificar se se formariam espontaneamente em tal atmosfera. Urey sugeriu, deste modo, a experiência que Stanley Miller, um seu colega, realizou em 1953: um globo cheio de água até  metade representava o oceano imaginário, quando a superfície terrestre acabava de formar-se, e o resto cheio de metano e amoníaco representava o que podia ter sido a atmosfera primitiva. Vários eléctrodos, potentes, de tungsténio imitavam o Sol que lançava sobre a Terra as suas radiações ultravioletas. Depois de a água aquecida e o vapor desta se misturar com o metano e o amoníaco, os eléctrodos começaram a descarregar relâmpagos constantes sobre a atmosfera do globo, até que, ao cabo de uma semana, começaram a formar-se substâncias não voláteis que se acumulavam na água, constando de vários aminoácidos. Quinze por cento do carbono que estava presente no metano tinha passado a constituir as novas substâncias.

O professor Leslie Orgel, do Instituto Salk, continuou estas investigações conseguindo criar cadeias de nucleótidos que se retorcem sobre si mesmas de um modo que recorda a estrutura das moléculas fundamentais dos cromossomas. Todas estas experiências baseavam-se em duas grandes hipóteses: a matéria viva primitiva tinha-se formado na atmosfera, ou em águas pouco profundas, e a energia que desencadeou a formação dessas substâncias foi eléctrica.

Entretanto, em 1977, uma expedição científica norte-americana descendo a dois mil e quinhentos metros abaixo do nível do mar, nas proximidades das ilhas Galápagos, encontrou grandes colónias de animais até então completamente ignorados: vermes com dois metros de comprimento, caranguejos gigantes e peixes avermelhados que se juntavam em volta de fontes de água sulfurosa muito quentes.

Esta descoberta tem uma importância excepcional, pois a vida nos mares vai escasseando à medida que a profundidade aumenta, e era considerado como certo que a vida dependia apenas da formação de substâncias orgânicas por meio da fotossíntese que, por sua vez, depende da luz solar. Por isso não podia existir vida onde reina a mais completa escuridão. E, no entanto, a mais de dois mil e quinhentos metros de profundidade, onde não chegam os raios solares ou substâncias orgânicas formadas na superfície, há vida animal, se bem que com formas extraordinárias: os vermes brancos gigantes não possuem boca ou tubo digestivo mas sim um órgão cheio de bactérias que vivem em simbiose com o verme e o alimentam.

Certamente que essas bactérias podem sintetizar em águas muito quentes compostos orgânicos a partir dos minerais de enxofre expulsos pelos vulcões submarinos, o que significa que existem seres vivos que não dependem da fotossíntese mas da quimiossíntese, utilizando como materiais primários as substâncias provenientes do magma submarino em vez de elementos da atmosfera primitiva. Esta descoberta põe-nos na presença de um novo reino animal, qualquer coisa que pode apenas ser ultrapassada pelo achado de outras faunas noutros planetas.

Já nos anos trinta os biólogos tentavam descobrir o que era o vírus na realidade e a maneira de criarem um artificialmente. Verificavam que era possível levar grandes massas deles a cristalizarem, como faz o açúcar, dando a entender que seriam inanimados, enquanto o seu poder de multiplicação parecia provar o contrário. Alguns cientistas crêem que o vírus provém de bactérias que largaram o seu equipamento celular e se tornaram, por assim dizer, parasitas. Outros pensam que pode ter-se formado espontaneamente.

Serão seres vivos na via descendente, ou seres inanimados na via ascendente?

Talvez nunca o saibamos. A verdade é que, vivos ou não vivos, o homem já arranjou maneira de os reproduzir. Em 1965 uma equipa da Universidade de Illinois, sob a direcção do professor Sol Spielgeman, conseguiu sintetizar uma mensagem não viva de ácido nucleico produzindo um vírus que continuará a multiplicar-se indefinidamente.

Em conclusão: após milhares de experiências os biólogos conseguiram criar produtos componentes da matéria viva. O problema é que, daí para a frente, criar "vida" com as suas características já é mais difícil. Eles sabem os princípios básicos para a constituição da vida conhecida; só não sabem é como criar ou conseguir o "sopro vital".

E para finalizar, vamos fazer uma análise resumida do que se conhece sobre os seres animados e inanimados:

Segundo a ciência, e pelo que podemos deduzir, as manifestações de vida foram detectadas a partir de um dado ponto, não havendo porém uma certeza nessa fronteira de divisão de vivo e não vivo. Seguidamente surge a bactéria, e outros seres, já considerados como seres vivos, mas que ficam também num campo intermédio entre o vivo animal e o vivo vegetal. A partir daí, as manifestações de vida conhecida são absolutamente definidas, até ao mais alto expoente no planeta, o homem. Para além do homem, também nada se sabe, o que não quer dizer que não haja outras formas de vida desconhecidas para nós.

Assim, podemos representar o nosso conhecimento com o seguinte esquema, que nos elucida melhor sobre as incertezas da ciência:

Todos os seres são constituídos por matéria inerte. Como atrás vimos, os modernos invocadores da ciência afirmam que as “coisas” vivas são formadas por um conjunto de “coisas” não vivas, e que a diferença não está na matéria-prima, mas sim na sua organização.

Perguntamos novamente: Onde estarão as fronteiras da vida?

 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019


A VIDA CONHECIDAVírus e Bactérias

De todas as maravilhas do Universo, a que mais desperta a atenção e deixa a humanidade confusa, é talvez o espectáculo da vida conhecida, a manifestação de vida num insecto, num animal, numa planta, no homem.

Pelo que estamos habituados, há, sem dúvida alguma, seres com vida e seres sem vida. O problema é que a sua fronteira de separação ainda não está bem definida, tendo-se levantado muitas questões acerca do mesmo.

Para já, e a priori, um homem, um leão, uma avestruz, uma sardinha, um carvalho e uma roseira, têm vida. Uma pedra, um pedaço de gelo, um objecto artificial - mesa, candeeiro ou máquina - não a têm, certamente.

Se partirmos um pão, por exemplo, ou cortarmos uma barra de ferro, verificamos mais tarde que no pão se vai formando uma camada de mofo e no ferro uma camada de ferrugem. Neste caso não podemos afirmar que o mofo e a ferrugem tenham vida porque “são semelhantes ao homem, ao leão ou à avestruz”, nem podemos afirmar tão-pouco que não a têm porque se assemelham “a uma pedra, mineral ou máquina”. O problema é mais complexo e se soubéssemos, apenas, quais as diferenças entre vivo e não vivo, a classificação talvez se simplificasse, mas a verdade é que a investigação científica já avançou de tal modo, na matéria, que acabou por levantar dúvidas quase irrespondíveis.

Uma importante distinção para separar o vivo do não vivo, é o facto de praticamente todos os seres vivos serem constituídos por uma substância chamada protoplasma, a qual se dispõe em unidades conhecidas por células. Neste caso, o estudo do protoplasma é o estudo da vida, e aceita-se como verdadeiro que todas as actividades dos seres vivos se baseiam nesta substância, inexistente nos não vivos - com excepção, é claro, de alguns.

Um segundo ponto de diferença é que os primeiros reagem ao meio ambiente onde se encontram e são irritáveis, não com o significado de cólera mas sim com o significado de movimento. Se pusermos um grão de areia e uma semente de milho sobre o terreno, lado a lado, verificamos que o grão de areia permanece ali indefinidamente, estático, enquanto que a semente, devido à exposição ao calor, humidade, frio e outros agentes, germina e dá origem a um novo ser, ou seja: reage e movimenta-se. Naturalmente que o movimento não está confinado somente aos seres vivos, pois a água de um rio também se move, se bem que por influências exteriores, a lava de um vulcão é expelida por influências internas da crosta terrestre, assim como o deslocamento de terras - sismos - enquanto que os seres se movem por estas influências e, o que é mais importante, por outras internas.

Quanto ao desenvolvimento, também notamos diferenças entre eles: os não vivos aumentam de tamanho por acrescentamento, por adição ao volume existente da mesma substância, enquanto que o vivo tem a faculdade de reproduzir a própria espécie.

Em resumo: os seres vivos têm as qualidades de conterem protoplasma, reagirem ao meio ambiente, crescerem e reproduzirem a espécie, pelo que podemos determinar que o mofo está vivo, visto ter estas características, o que já não sucede com a ferrugem que consideramos, por consequência, não viva.

Estes são os princípios básicos para o reconhecimento da vida, havendo entretanto, como atrás dissemos, excepções que criam uma incerteza neles e na fronteira de divisão aceites até agora, como o caso dos vírus, essas formas pequeníssimas e impossíveis de se verem com os microscópios ópticos normais.

Estes seres foram descobertos pelo cientista russo Dimitri Iwanowski, em 1892, quando estudava a doença conhecida por “mosaico do tabaco”, que se supunha provocada por uma bactéria. Como as bactérias podem ser removidas dos líquidos em que vivem por meio de finíssimos filtros, Iwanowski demonstrou que era impossível ser uma bactéria o agente portador da doença do tabaco visto conseguir provocá-la inoculando numa planta sã o suco filtrado, e consequentemente livre de bactérias, duma planta doente, concluindo que certas doenças são causadas forçosamente por agentes que conseguem atravessar os finíssimos filtros. Esta teoria foi confirmada por outros cientistas que deram ao agente portador da doença, desconhecido, o nome de vírus. Mais tarde chamaram-lhe vírus filtrante porque pode passar através de qualquer massa porosa. Com a descoberta do microscópio electrónico, e para evitar confusões, chamaram-lhe ultravírus.

Os vírus desenvolvem-se e reproduzem-se apenas em células vivas, não podendo viver noutros meios, e são responsáveis por muitas doenças nos animais e no homem - mais de setenta - entre elas a varíola, febre-amarela, paralisia infantil, raiva e encefalite. Com o microscópio electrónico é possível fotografá-los, e essas fotografias mostram pequenas partículas que têm um tamanho e formas definidas, não se sabendo ao certo se são os vírus propriamente, ou formas cristalinas que contenham o verdadeiro vírus. A verdade é que para uma dada doença essas formas cristalinas, ou vírus, têm precisamente o mesmo formato e tamanho.

Pelos pontos que definem os seres vivos, os vírus assemelham-se um pouco a eles, em certos aspectos, pois adaptam-se ao meio e multiplicam-se, mas não têm protoplasma: contêm apenas proteínas e ácidos nucleicos - e outras substâncias por vezes - que se encontram no protoplasma.

 

Entretanto o doutor Wendell M.Stanley defende a hipótese de não terem vida porque, pelas experiências que fez, se a tivessem não podiam suportar as condições e tratamentos a que os submeteu. É claro que não se pode dar uma classificação definitiva ao vírus, embora seja considerado semelhante aos seres vivos em certos aspectos e não semelhante noutros. Podemos talvez considerá-lo como um elo de ligação entre a vida e não vida, como que na fronteira de separação próxima da bactéria, considerada como a mais baixa forma de vida conhecida.

As bactérias são seres vivos unicelulares, portanto de uma só célula, de origem vegetal, visíveis só com o emprego de grandes ampliações, e vivem no solo, na água, sobre os animais e vegetais, ou nos líquidos orgânicos destes dois reinos da natureza. Quando colocada em boas condições cada bactéria dá origem a uma colónia bacteriana. Não têm sempre a mesma forma, variando - conforme a idade da cultura, o meio empregado, a temperatura de incubação e outros factores - dentro de três tipos principais: a esferoidal, bacilos e espiralar.

Enquanto algumas são flexíveis, móveis ou imóveis, outras são completamente rígidas, conservando a sua forma.

 
Quanto à estrutura interna, já muito se conhece, tendo-se descrito nalgumas delas uma membrana celular; mas a sua existência como a de uma substância nuclear, tal como se encontra noutras células mais diferenciadas, não está ainda bem estabelecida. Como inclusões celulares têm-se descrito, no seu corpo, grãos de Volutina, de glicogénio, gorduras e lipóides. Algumas, em certas circunstâncias, podem formar esporos intracelulares. Outras apresentam uma cápsula, bem visível por meio de métodos de coloração especiais, ou pequenos prolongamentos filiformes, sendo pela sua morfologia que os bacteriologistas as classificam.

A sua multiplicação realiza-se, em regra, por divisão, com alimentação heterotrófica ou autotrófica, sendo parasitas obrigatórias ou facultativas. Algumas produzem fermentações e decomposições químicas, outras são fosforescentes, etc. Diferem do vírus em vários aspectos, principalmente no tamanho - maiores e mais complexas - e podem existir independentemente de outras células vivas, o que já não acontece com o vírus.

Entretanto também surgem dúvidas na classificação de certos seres, que se encontram entre as bactérias e vírus, como que num elo de ligação. Certos microorganismos parecem estar colocados entre o vírus e a bactéria, na escala da vida conhecida, como, por exemplo, o micróbio responsável pela psicatose e várias outras doenças que, na aparência, se assemelham a uma bactéria e no entanto são classificados como vírus grandes e complexos.

Tal vírus - anormal - também só pode reproduzir-se e crescer em células vivas, estando sujeitos a um ciclo de evolução por divisão, desintegrando a célula onde se encontram. Pelos estágios que passam, nessa evolução, são como bactérias e podem ser coloridos do mesmo modo que estas, o que já não se  consegue fazer com o vírus.

A título de curiosidade, e para arrematar este pequeno período sobre a bactéria e o vírus, podemos adiantar que, segundo Jacques Bergier em Os Livros Malditos, o padre Watson, professor de Biologia Molecular e Bioquímica da Universidade de Havard (USA), descobriu algo de novo e fantástico: os sexos das bactérias.

 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019


FORÇAS DESCONHECIDAS – Como a Ciência define Vida

 
Voltando ao universo conhecido: uma das leis básicas consideradas certas é a divisão dos seres em vivos e não vivos. Será essa a verdadeira realidade? Ou poderemos aprofundar este conceito até chegarmos à conclusão de que todos os corpos ou objectos são animados de algo que por nos ser desconhecido denominados “Vida”?

A ciência define vida, na enciclopédia luso-brasileira, Vol.XXXV, pág. 129, como : “Resultado das funções dos órgãos que concorrem para o desenvolvimento e para a conservação; o estado de actividade de subsistência organizada, comum aos animais e vegetais; designação vulgar da existência humana ou duração ordinária do ser humano”.

Em suma, além de uns conceitos que contribuem apenas para o entendimento entre os seres duma sociedade com linguagem organizada, não aprofunda a essência do fenómeno e nada diz de concreto. Mas para sairmos de dúvidas vejamos as páginas 132, 135 e 142 da mesma enciclopédia.

BIOL. Têm sido inúmeras as definições de vida o que significa que nenhuma satisfaz. Para Aristóteles seria simplesmente “a nutrição, crescimento e depauperamento, tendo por causa um princípio que tem em si o seu próprio fim, a enteléquia”. Para Bichat a vida “é o conjunto de forças que resistem à morte”. Claude Bernard julga impossível definir a vida porque “é inacessível e abstracta em si própria”. Há pois apenas que caracterizar as diferenças entre matéria viva e substâncias inertes e limitar tudo a uma descrição de fenómenos vitais, procurando explicar em que diferem da realidade do mundo físico. A vida é um fenómeno terrestre pois está intimamente ligada às condições físicas e químicas da Terra. Para Plantefol a matéria viva não é uma espécie de limo que se tenha desenvolvido à superfície do globo terrestre, por acaso sobre a matéria inorgânica. Ela deve aparecer, pelo contrário, como um dos fenómenos fundamentais da Terra em ligação com o Universo de que não é mais do que uma parcela.

 
FILOS. O termo “vida”, sendo um dos que se tomam da linguagem vulgar, onde tem uma multiplicidade de acepções, não pode ser definido com rigorosa exacção. Até no uso pelos biologistas não apresenta absoluta precisão de significado. Apontam-se nos seres vivos as seguintes características: 1) São, até certo ponto, independentes do seu ambiente, no sentido de poderem continuar a viver apesar de consideráveis variações nesse ambiente; 2) Têm a capacidade de reproduzir a sua espécie, de maneira que se mantém a continuidade da existência de cada tipo de organismo por meio de um ciclo reprodutivo cujo pormenor varia com o dito tipo; 3) Praticamente todos os seres vivos têm a capacidade de tomar alguns materiais do ambiente, e, por meio de sínteses e transformação, moldá-los em materiais muito mais complexos, que são incorporados na matéria viva do organismo, sendo que os materiais assim sintetizados em proteínas, por exemplo apresentem características que são típicas da espécie, e que por meio de testes (provas de contrastaria) adequados, a proteína duma espécie pode ser distinguida da proteína doutra espécie, sendo até provável que a individualidade impressa na proteína de um determinado indivíduo vá ainda além disso, de maneira que cada membro individual de uma espécie sintetize proteínas que se possam distinguir das de outro indivíduo; 4) É também característica dos seres vivos a faculdade de auto-preservação a qual se manifesta na maioria dos organismos por duas maneiras diferentes a saber: os organismos tendem a evitar influências deletérias no ambiente, ou a modificar o seu comportamento ou a sua estrutura de maneira a acomodarem-se a essa influência do ambiente, e, por outro lado, quando    sofrem um dano, a maioria dos organismos têm, em maior ou menor extensão, o dom de reparar esse dano e reconstruir a parte ofendida. O grau em que isto pode realizar-se varia consoante os diferentes tipos de organismos; 5) A maioria dos animais têm algum grau de memória e certa capacidade de aprender, sendo que, sobre a base desse facto, e também de reacções inatas, procedem de maneira propositiva ou finalista: 6) Os organismos apresentam uma actividade unitária, uma totalidade de acção, com interconexão complexíssima de actividades parcelares, sendo que a actividade de conjunto é mais do que a soma das actividades parcelares. O problema científico, a este propósito, é o de determinar se aqueles conceitos e aquelas fórmulas que bastam para a descrição do mundo inorgânico serão acaso também bastantes para fazer a descrição das funções vitais e do comportamento dos seres animados. Aos teóricos que respondem afirmativamente a esta pergunta se tem chamado “mecanicistas”, e aos que respondem pela negativa «vitalistas». A posição dos mecanicistas no rigor do termo parece absolutamente insustentável, e, para aproximar os fenómenos vitais dos não vitais cumpre não assimilar os fenómenos meramente físicos ao funcionamento duma máquina. Na obra de Driech o vitalismo pretendeu resolver o enigma acrescentando a um mecanismo físico a acção de uma força vital a que se deu o nome de «enteléquia», mas a isso se respondeu que resta saber se o erro não residirá já em admitir o mecanismo para os fenómenos puramente físicos, e se a solução do enigma não estará numa revisão fundamental, segundo a nova ciência física, da própria lei da causalidade física. A natureza mostra constantemente o facto de que, a partir de unidades já existentes, se formam outras unidades de grau superior. Tomando isto em conta, o vitalismo apresenta-se como o método de investigação apropriado a essa biologia sintética, e a enteléquia seria a ideia presente da totalidade, ou unidade de ordem superior.

 
TEOS. Segundo os teosofistas, a vida astral ou vida no plano astral, só muito dificilmente pode, com suficiente clareza, ser explicada aos seres conscientes do plano físico, tal qual sucederia se, paradoxalmente, algum sábio zoólogo procurasse explicar a um peixe das maiores profundidades oceânicas, que de facto também se pode viver fora da água à luz de um sol. Considerando o fenómeno a que vulgarmente se chama “morte” como sendo um processo que traduz, apenas, em pôr de parte materiais físicos já usados e portanto inúteis, deteriorados por um acidente fortuito, um desastre, uma doença, etc., a parte imortal do homem, a que algumas religiões dão o nome de “alma”, penetra segundo as teorias teosofistas, em um novo mundo mais subtil o “outro mundo” - o plano astral ou mundo astral - onde a vida existe, decorrendo em dimensões que não se limitam às três resumidas dimensões do plano ou mundo físico: o comprimento, altura e largura, que só matematicamente podem ser elevadas a uma quarta, quinta ou mais dimensões, abstractas para o cérebro físico, limitado às dimensões do plano onde se sente “viver”. A morte ou transferência para o mundo astral, é quase sempre procedida por uma fase em que o Ego, ou parte imortal do homem, sente reviver toda a vida passada, como contam muitos daqueles já prestes a morrer afogados, e que se encontram já nesse estado de inconsciência relativa ao mundo físico, quando os seus sentidos já não registam as vibrações de tal mundo. Com efeito, um homem pode muitas vezes parecer já morto, e, contudo, entre a última pulsação e o último momento em que a derradeira centelha de calor animal abandona o corpo, medeia um espaço de tempo em que o cérebro pensa, e o Ego revive durante esses rápidos segundos toda a sua vida passada. Esses instantes são, ainda conforme as teorias teosofistas, suficientes para a revelação de todas as causas que se criaram durante a vida. É nesse momento que o homem se vê tal e qual é, despido de vaidade e de amor-próprio. A esse estado cheio de vida segue-se, nas criaturas vulgares, a um estado de sonhadora semiconsciência, mas às vezes, quando o pensamento do moribundo se fixou com intensidade em alguns dos entes que vai deixar, quando qualquer grande preocupação lhe assaltou o espírito nos últimos momentos, ou quando pensa em qualquer coisa que queria deixar feita e não fez, há pessoas da casa ou das proximidades que podem chegar a ver uma manifestação astral do seu corpo físico - o seu duplo etéreo. As investigações psíquicas e as descrições de inúmeros casos ocorridos após a chamada «morte» do indivíduo, atestam, que nessas condições e noutras de natureza semelhante, pode ver-se e ouvir-se esse duplo, o qual, quando se deixa ver, apresenta esse estado de inconsciência a que se aludiu, silencioso, de aspecto vago e, por assim dizer, incomunicável. Com o decorrer de tempo mais ou menos longo mas incomensurável pelas medidas de tempo usadas no mundo físico, tais como relógios, etc., esse duplo etéreo desagrega-se gradualmente e a entidade imortal, o Ego do indivíduo, abandona-o, tal qual sucedeu com o corpo físico. Esse duplo, fica, pois, como um cadáver astral, conservando-se perto do corpo físico, e ambos se desintegram ao mesmo tempo. Os clarividentes afirmam ver esses despojos astrais nos cemitérios, umas vezes dotados de grande semelhança com o corpo físico morto, outras vezes apenas com o aspecto de uma luz violácea. O processo efectua-se, e por fim, tudo, à excepção do esqueleto ósseo do corpo físico, se desintegra completamente e as suas partículas vão entrar em novas combinações. Um dos motivos porque os povos orientais são apologistas da cremação, consiste em que, além do seu carácter higiénico para os “vivos”, esse processo de desintegração oferece a vantagem de restituir a matéria à Natureza-Mãe, os elementos físicos, sem que se torne necessária a decomposição lenta e gradual, que demora a evolução do indivíduo para uma vida astral consciente. Assim como o cadáver dum indivíduo falecido subitamente, pode em seguida ser galvanizado, numa aparência de vida, pela aplicação de uma bateria galvânica ou por qualquer outro processo eléctrico ou mesmo químico, da mesma forma, num corpo astral ainda em via de evolução, é possível insuflar um pouco de vida física, que nestas circunstâncias é artificial, por meio da infusão do princípio vital de um médium. Se se trata do cadáver de uma criatura muito intelectual poderá ele falar com inteligência, e se for o cadáver dum analfabeto só se manifestará sem cultura alguma. As teorias teosofistas aconselham, contudo, que essas entidades astrais devem ser deixadas tranquilas porque fazê-las regressar às vibrações grosseiras do mundo físico, é sempre prejudicar e demorar a sua evolução para as regiões superiores do plano astral, e desse plano ao plano mental, causal, e aos que se lhe seguem. Essa divisão inferior do plano astral é habitada pelas entidades humanas que sacudiram de si o corpo físico e o seu duplo etéreo, mas que ainda não se desembaraçaram completamente da sua natureza passional e emocional. A filosofia teosofista atesta que “sem sairmos da analogia de tudo o que é conhecido, é fácil povoar o Cosmos de entidades, numa escala ascendente até chegarmos a Qualquer Coisa indistinguível da sua omnipotência, omnipresença e omnisciência. (Cf.Dr.Huxley, Essays Upon Some Controverted Questions, p.36)”.

 
Como acabamos de verificar, o conceito de vida é demasiado complexo e confuso para podermos chegar a uma conclusão objectiva e afirmarmos uma pretensa verdade em que se nos apresentam várias alternativas como a de natureza material, considerada única e certa cientificamente, e a de natureza espiritual que pela sua elasticidade nos parece mais aceitável. A definição científica de “vida” pressupõe a não existência de um Deus como Ser Superior.

Ao referirmos um ser subentendemos, logo, esse ser animado de algo, pois os seres inanimados “não têm vida” nem órgãos e são completamente amorfos. Nesta ordem de ideias não consideraríamos também a existência de um ser abstracto visto não estar enquadrado nas características que definem um ser vivo cientificamente.

Para considerarmos Deus como um Ser Superior, invisível, que está em toda a parte, criador e senhor do céu e da terra - neste caso animado de vida ou algo desconhecido para nós - não podemos considerar as definições científicas atrás descritas, sendo assim impossível aceitar o conceito de “vida” mais vulgarmente conhecido, podendo imaginarmos outras formas de “vida”, e até que tudo o que constitui o planeta Terra seja vivo.

A verdade é que está provado que tudo, desde os minerais aos animais superiores - incluindo o homem - irradia energia, que os sábios oficiais denominam como: correntes magnéticas, radiactividade, ciclotrões, energia, força vital, atracção eléctrica, sopro vital, magnetismo, aura, etc., não explicando porém a sua essência.

 

O QUE SERÁ “VIDA” ENTÃO?

A vida poderá então ser definida de várias maneiras, e quando a ela nos referimos esquecemos a “vida” não biológica, a vida dos átomos, o vigor das geleiras que lentamente se movem, o crescimento e formação dum cristal e as rotações enérgicas das estrelas, planetas e galáxias. Todos estes fenómenos, em certo sentido, implicam o conceito de “vida”. Num sentido amplo, todas as coisas que participam na evolução considerada inanimada são vivas, porque se originam, crescem, decaem, tornam-se inactivas, e morrem: enfim, têm uma finalidade.

 
No passado os astrónomos consideravam as estrelas eternas, sem começo nem fim, mas actualmente sabemos que elas não brilham eternamente e que têm um curso “vital” e eventual-     mente chegam ao fim e morrem. É interessante seguir a vida duma estrela (há obras muito completas sobre o assunto, e extensas, que não podemos reproduzir aqui) como,  por  exemplo, uma  de tipo  anã  vermelha que passa sucessivamente por gigante, supergigante e termina numa anã branca. Os astrofísicos crêem que o nosso sol começou a existir sob a forma de uma estrela anã vermelha, com temperatura relativamente baixa, há mais de quatro milhões de anos, e tem vindo a aquecer progressivamente transformando-se actualmente numa estrela de dimensões moderadas, nem excessivamente quente nem exageradamente fria, se a compararmos com os cem ou duzentos milhões de estrelas que povoam a Via Láctea. Entretanto a vida do sol continua para a nova fase: uma gigante vermelha, seguindo o seu ciclo evolutivo até decair e morrer.

Sim, o nosso sol também terá fim - como todas as coisas, naturalmente - mas não nos preocupemos porque pela escala de medição humana pode-se considerar eterno. São milhares e milhares de anos que na sua grandeza esmagam o ser humano não lhe permitindo sequer compreender esse ciclo gigantesco e infinito para ele. Nesta grandeza uma geração “vive” menos que um bilionésimo de mícron de segundo, ou muito menos, o que está fora da nossa compreensão.

Existe algo, sem dúvida, ainda não compreendido na sua essência.

Os modernos invocadores da ciência pensam na “matéria viva” como se fosse algo caprichoso, irrelevante para a natureza do Universo. Todavia, os sábios afirmam que a base física dos objectos inertes, como os corpos celestes, é igual à das criaturas que neles venham a viver e formadas das suas substâncias, em que a diferença não está na matéria-prima mas sim na sua organização, onde as partículas mais humildes podem assumir as mais altas formas de vida porque uma coisa viva é uma organização de coisas não vivas.

Mas se essas “coisas” são inanimadas e no conjunto formam uma “coisa” animada, onde estarão as fronteiras da vida?

Sabemos que todos os objectos animados e inanimados são constituídos pelos mesmos elementos: os átomos, sempre os mesmos, que variam apenas no seu arranjo como, por exemplo, o diamante que é carbono puro cristalizado, e a grafite, do lápis de escrever, que também é carbono cristalizado. A constituição é a mesma, só mudando a forma de associação das moléculas. Depreende-se logicamente que a partir de um certo momento essas moléculas agrupadas, pela união e necessidade de orientação mais capaz, se revistam de uma forma desconhecida de energia mais forte e reconhecível, a que chamamos “vida”, e que em certos casos, por uma perfeição ainda maior num rumo determinado e racional, lhe damos o nome de “espírito” ou “alma”.

Só assim podemos compreender a diferença de ser vivo e ser não vivo, tendo, tanto um como o outro, energia, a mesma constituição básica, os mesmos elementos, só se verificando uma diferença quando essa energia passa a ser detectável para nós. E isto não quer dizer que os outros não tenham vida. Eles têm-na certamente, mas nós é que ainda a não conseguimos detectar excepto, talvez, os muito avançados em ciências chamadas ocultas.

Nos pequenos vislumbres dessa força o homem dá-lhe os nomes de campo magnético, linha de força ou energia, como vimos a empregar, mas nunca vida. O hidrogénio constitui uma parte do corpo humano, mas também faz parte do vapor de água. Qualquer objecto de ferro tem carbono, ou para sermos mais claros, o carbono é um dos constituintes do ferro e também da hemoglobina, substância que dá a cor vermelha ao sangue. O estanho e o cálcio também constituem o corpo humano, em pequenas quantidades é claro, mas estão lá. Se pudéssemos pesar todos os seus componentes verificaríamos que o oxigénio, carbono, hidrogénio e azoto constituem a maior parte do seu peso.

Estamos habituados a dizer que o corpo humano tem hidrogénio, oxigénio, azoto, cálcio, cobre, prata, níquel, titânio, e mais elementos em diversas quantidades, dando a ideia que o corpo é um objecto independente que tem esses elementos. Mas a verdade é que esses elementos é que constituem o corpo humano. O seu conjunto é que determina a existência de uma coisa a que damos o nome de “corpo físico”, pois se faltasse um, ou alguns, desses elementos, já não haveria corpo humano.

As dúvidas são muitas e mais se aprofundam ao se reconhecerem estas semelhanças na constituição dos seres distribuídos em três grandes divisões (grosso modo) ou reinos da natureza pelo homem: o Animal, o Vegetal e o Mineral. E há quem considere justificada a existência dum quarto reino - o Humano. Cada um destes reinos é definido por características padronizadas e acordo mútuo pelo homem, sendo a principal o facto de haver vida - e em que condições - ou não haver vida.

Actualmente os reinos são cinco:

Estas são as divisões criadas pelo homem. Mas o “plasma”, por exemplo, parece estar fora destes reinos.

Portanto, as incertezas subsistem e é compreensível que no ser humano uma força interior procure libertar-se e dar luz às suas dúvidas, que no meio da sua confusão e não orientação adequada, onde prima pelo vaguear insensato, provoca formas de comportamento absurdas e incoerentes pelo desejo de encontrar um caminho certo até agora desconhecido e que tem de ser trilhado por tentativas. O homem nessa confusão de sentimentos, na tentativa de achar uma razão de ser e compreender a vida, procede de modo a que mais se habituou e julgou necessário preservar para a sua sobrevivência e segurança. Procura sempre viver em comum com alguém da sua espécie onde vê um amparo, que conscientemente nega, ou um símbolo da sua força e vitalidade para poder trilhar esse caminho cheio de obstáculos e armadilhas que é a vida por nós compreendida e entendida.

Uma criança precisa de um adulto para lhe dar coragem e perder o medo. A maioria dos adultos que não precisam de um apoio, ou julgam não precisar, procuram alguém mais fraco onde descarregam toda a sua angústia e receios com atitudes agressivas e de mando, que finalmente são um artifício para esconder o seu medo, e tem como objectivo o mesmo fim da criança que procura a sombra protectora do adulto.

Este receio é verdadeiro. Todos os homens o têm e normalmente o homem isolado procura sempre um parceiro, mesmo doutra espécie. Ele precisa de ter alguém ao seu lado e podemos verificar até, esse impulso inconsciente, a mover vários autores de obras literárias, onde o protagonista está isolado, como no Robinson Crusoe por exemplo, que procura uma companhia, e neste caso doutra espécie, e que, para maior alívio do autor que se retracta, acaba por introduzir um companheiro já da mesma espécie.

 
O ser humano tem de ter uma companhia, para não enlouquecer. A razão disso é que não sabemos ao certo. Diz-se apenas que o ser humano é um ser social, que sempre procurou viver em sociedade, mas nada mais se adiantou. Todo o adolescente se sente inseguro, mesmo que o não queira reconhecer conscientemente, como atrás dissemos, e procura por formas típicas de comportamento camuflar essa insegurança, rodeando-se de uma carapaça que julga protectora. É comum neles a arrogância, a teimosia, a fanfarronice, enfim, tudo o que demonstre força e superioridade pois descobriram que a nossa civilização é assim. Os fortes são respeitados e considerados. As mais altas condecorações e prémios são militares. Cultiva-se a força. Toda a história humana obedece a uma característica imutável: povos exploradores e povos explorados, onde as leis consideradas justas e respeitadas - mesmo que absurdas - são impostas pelos mais fortes. É uma luta perpétua entre os exploradores, na mó de cima, e explorados que querem inverter a situação. Enquanto o homem tiver armas para lutar não haverá paz.

O mesmo sucede, em menor escala é claro, com outros seres vivos, inferiores, que dentro dos seus limites territoriais procedem de um modo agressivo mas sem chegarem à violência declarada, salvo algumas excepções. Ao observarmos um cão verificamos isso. Dentro do seu ambiente normal de vivência mostra-se activo, vivo, dinâmico e explorador. Se aparece outro cão dirige-se imediatamente ao seu encontro com umas rosnadelas de aviso, como que a dizer ao outro que agora se encontra num território que lhe pertence e que tenha cuidado.

Se pegarmos no mesmo cão e o levarmos para outra zona, desconhecida para ele, a sua atitude, por muito corajoso que seja, muda para receio, atenção e nervosismo, e se aparecer um cão daquele território a sua primeira reacção será fugir. Em suma, notamos umas rosnadelas de intimidação quando em território conhecido, e só ataca se for atiçado a isso, porque normalmente foge à luta aberta e prefere tomar atitudes de intimidação para esconder o seu medo. Aliás, verificamos também nas crianças esta reacção. Gritam, desafiam, gesticulam, mas raramente chegam ao acto declarado. Como vimos a salientar, há a tendência de esconder o medo com atitudes de intimidação e ganha o que estiver menos intimidado. E como nós sabemos os mais agressivos são regra geral os mais fracos. Por isso, uma preparação psicológica antes de um combate, ou guerra, por meio de imagens revolucionárias alusivas à coragem e que embotam o sentimento racional, virando o ser humano para aquele campo que interessa e fazendo-o sobrepor esse medo natural, tem muita importância e consegue bons resultados. O facto de salientar as suas virtudes guerreiras e tirar qualidades, directa ou indirectamente, ao inimigo e rebaixá-lo o mais possível, acaba por deixar o indivíduo menos intimidado e consequentemente apto para combater.

E é nessa fase difícil da adolescência quando o ser humano ainda quer ser honesto consigo mesmo que esses medos persistem mais agudamente, sendo recalcados com o andar dos anos. O homem adulto apresenta uma diferença fundamental, ou qualidade, apenas: a faculdade de esconder esses sentimentos e tomar uma atitude de fachada, julgada conveniente para a sociedade onde vive. A verdade é que essa protecção cínica, e artificial, começa a ruir e há cada vez mais clientes para as psiquiatrias.

Podemos recordar alguns dados eloquentes: cinquenta por cento de todos os doentes que consultam o médico, em certos países mais adiantados tecnologicamente, fazem-no porque sofrem distúrbios mentais ou perturbações psíquicas. Referimo-nos aos países mais avançados porque nos atrasados os indivíduos, menos evoluídos, refugiam-se na fé, na religião, com mais facilidade, aceitando cegamente e como uma tábua de salvação tudo o que essa religião lhes prometer, apenas com medo e receio do desconhecido. Não têm capacidade nem faculdade de raciocínio suficientes para procurarem, eles mesmos, um caminho.

Na Europa, nos anos 60, um terço das camas dos hospitais estavam ocupadas pelos casos mais sérios, dos dois milhões de doentes mentais, em 1961. Metade nos Estados Unidos também se destinava a doentes com distúrbios mentais, no mesmo ano. Imaginemos o que será nos nossos dias, com a instabilidade cada vez maior nas sociedades. No discurso pronunciado em 1962, o então presidente Kennedy disse que no seu país haviam mil e quinhentas clínicas especializadas em tratamentos psiquiátricos, e que o governo norte-americano gastava anualmente com “actividades relacionadas com a saúde mental” uma verba de mil milhões de dólares. O presidente da Sociedade Médica Psiquiátrica da Áustria, Dr. Victor E. Frank, descreveu uma nova “psicose” característica dos tempos “modernos”, a que chamou vazio existencial - no The New York Times. De 18 de Maio de 1962 - afirmando que oitenta por cento dos jovens norte-americanos e quarenta por cento dos estudantes alemães, austríacos e suíços, que tinham assistido às suas conferências, acreditavam na absurdidade final da vida. Por outras palavras: não encontravam significado para a existência humana. Todos nós sabemos que mais de metade das populações dos países desenvolvidos faz terapia existencial. Enchem os consultórios dos psicólogos e psiquiatras e “conselheiros” espirituais.

Uma comissão designada pelo Congresso de Washington, que trabalhou durante seis anos e gastou um milhão e quinhentos mil dólares nas suas investigações sobre a higiene mental, chegou à conclusão de que o problema número um da saúde pública, na nação mais industrializada e rica do globo, era o grande aumento de distúrbios psíquicos (The New York Times de 12 de Abril de 1961). Mas nada revelou melhor o problema como o aumento espantoso de suicídios, apesar de existirem organizações especificamente criadas para os prevenir, como o Clube dos Samaritanos em Londres, que recebia mais de cem chamadas telefónicas por dia, o departamento anti suicida do Exército de Salvação, a Agência para Prevenção de Suicídios na Áustria, o Centro de Prevenção de Suicídios de Los Angeles (EUA), ou “o pastor dos suicidas” Eric Bernspang da Suécia, e muitas outras pessoas e instituições consagradas à mesma missão em diversos países. Hoje, agravou-se tudo e já é normal os ataques indiscriminados de indivíduos desequilibrados a escolas e público em geral, sem contarmos com o aumento generalizado do “terrorismo” por todo o globo. A violência aumentou exponencialmente, um sintoma de que a sociedade humana “mais evoluída” está em plena decadência, independentemente das “desculpas” e ”princípios” que dizem defender. É alienação pura.

Contudo havia países com números estatísticos maiores, sendo eles, por “coincidência” os mais evoluídos da Terra, por ordem decrescente: Japão, Áustria, Dinamarca, Finlândia, Suíça e Suécia. Na Suécia, em sexto lugar na escala, houve grande preocupação pelo facto de se ter registado uma proporção de quase vinte suicídios por cada cem mil habitantes. Hoje, por exemplo, esse “desastre” ampliou-se para países que sofreram mudanças bruscas nos seus hábitos e não aguentaram a pressão social e dificuldades económicas provocadas pelo ritmo de vida das sociedades mais desenvolvidas. Hoje o que conta é a “economia” e o “dinheiro” e a pressão é intensíssima. Os 10 do topo são a Bielorrússia e Letónia (mudança da economia e maior liberdade desde o desmantelamento da URSS), Sri Lanka, Japão, Hungria, Eslovénia, Cazaquistão, Guiana, Coreia do Sul, Lituânia (revolta social com a queda da URSS). Em Portugal, talvez pelas condições de vida agravadas pelas crises sucessivas, desemprego e má gestão dos governantes que não lhes dão esperanças para o futuro, suicidam-se cerca de 800 mil pessoas por ano (1 em cada 40 segundos) segundo os dados publicados pela OMS que defende que a comunicação Social deve noticiar estas mortes de forma responsável.

O que falta é um ancoradouro espiritual e moral (principalmente “moral”, porque os valores morais e éticos parecem ter desaparecido nas sociedades de hoje), uma finalidade, um propósito, uma esperança na vida, que todos os seres procuram, tentando desvendar o desconhecido. Deste modo, em muitos pontos do globo encontram-se grupos sociais com características próprias, à procura duma explicação da sua existência também por tentativas, no desejo de desvendar o cosmos e espalhar o medo do desconhecido.

A melhor forma para combater o medo do desconhecido é substituir esse sentimento pela curiosidade e, como disse John Lennon, abraçar o mundo da ilusão, do sonho e da aventura para poder conviver com o medo. O próprio Einstein considerou a percepção do desconhecido como a mais fascinante das experiências.

 
Alguns seres humanos encontram-se mais evoluídos que outros nessa caminhada, trilhando o caminho certo ou despistando-se por atalhos que a nada levam. Enfim, todos procuram a mesma meta - com nomes e desculpas diferentes - uns mais atrasados do que outros, mas o fim é o mesmo: saber, saber, saber quem somos nós. Se um simples ponto de consciência que se ergue arrogantemente contra a vastidão, a frieza, o vazio e a insensibilidade do Universo? Se uma coisa (uma coisa?) que julga ter importância quando não a tem? Se um pequeno e vacilante Ego que imaginou que o Universo se movia à sua volta? Saber o que é o Universo, a sua finalidade, a realidade em si, suas origens e sua razão de ser.