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domingo, 19 de maio de 2019


A HISTÓRIA NÃO ESQUECE E NÃO PERDOA

Infelizmente os homens nada aprendem com a história, motivo porque os erros se repetem constantemente, se bem que com novas roupagens.

Em Portugal sucede o mesmo e, por vezes, até demais. No entanto como somos um povo de brandos costumes onde não há a tradição de responsabilizar rigorosamente os “infractores” que procedem ainda hoje como se fossem os donos do país desde que estejam no “poleiro”.

Não há, também, a tradição de qualquer governante, ou líder, reconhecer que foi mandatado pelo povo e que está a utilizar bens públicos num país tradicionalmente pobre. Partem sempre do princípio que “eles” é que mandam e não prestam contas a ninguém.

Em teoria o povo pode responsabilizá-los nas urnas, mas na prática o povo só serve para bater palmas e pagar impostos. Prova disso é que para a entrada de Portugal na CEE, hoje União Europeia, o povo não foi visto nem achado. Segundo os líderes, nomeadamente Mário Soares, o povo ignorante não tinha a mínima noção da complexidade que era a entrada na CEE e foram “atirados” para uma arena em que só podiam perder, como de facto aconteceu. Desmantelaram a indústria, a agricultura e o comércio. Portugal, com a maior área marítima da Europa, entregou a sua exploração a Bruxelas. Estávamos destinados apenas aos “serviços” e ao turismo.

Todas as áreas estratégicas, de defesa, foram entregues de bandeja aos mais ricos da Europa e, agora, à China (por enquanto). Se, por acaso, acabar a EU Portugal não tem nada para sobreviver.

Apesar dos avisos do passado, e da nossa História, continuam a proliferar os traidores, os acomodados e aqueles que beneficiam com a submissão do país ao jugo dos Comissários de Bruxelas. E o povo a pagar, como sempre.

Vejamos este artigo de Alberto Pinto Nogueira:

 

Artigo de  Por Alberto Pinto Nogueira  27/09/2013  no Público.pt (Sublinhados meus. R.)

Filipe II de Espanha foi I de Portugal. Mau vizinho, assaltou o extremo da Ibéria. Para acabar com dúvidas, decretou que o reino de cá lhe pertencia, que o herdara e conquistara. Comprara! Era o ano de 1580.

Teve o colaboracionismo dos traidores domésticos. O costume. Miguel de Vasconcelos foi expoente. Povo oprimido, escravizado. Impostos e mais impostos.

Em 1640, o Povo revoltou-se, farto de rei e exploração estrangeiros. Sitiado de impostos. Miguel de Vasconcelos defenestrado. O jugo durou 60 anos. A Casa de Bragança legitimou o novo poder político. Regressou a gerência doméstica.

Mais duzentos anos de História se passaram.

Portugal titubeava entre a “velha aliada” (?!), a Inglaterra, e o império francês. Em 1801, Carlos IV de Espanha e a França tramam em Madrid a sua invasão. Napoleão, insaciável de império, cozinhava a conquista de Portugal. Em Outubro de 1807, a corte portuguesa, com centenas de embarcações e navios de guerra, fez-se ao Atlântico. Assentou praça no Brasil.

Junot, general gaulês, desceu de França no dia seguinte, assaltou o reino até Lisboa. A bota cardada da França dominou uns quatro anos. Assassinatos, massacres, saques, roubos, pilhagens, violações. Um festim. Impostos. A mando do Imperador, Junot assina um decreto: 100 milhões de francos a cobrar. No regresso, o poder imperial leva tudo, santos das igrejas, seus olhos de pedras preciosas. Um sacrilégio. (Nota: O autor aqui não fala nos colaboracionistas, os afrancesados, como aconteceu sempre em Portugal. R)

A Inglaterra, “velha aliada”, como tal, mandou Wellington afrontar os galos. Foi conde, marquês e duque. Tem direito a uma estátua, na entrada do Hospital de Santo António, no Porto. Sucedeu-lhe um facínora, o marechal-general William Beresford. Estiveram cá dez anos. Mais execuções sumárias, massacres, roubos, pilhagens. Impostos. Como aliados (?), não largavam o poder de Lisboa e arredores. A Ilha tomou o lugar da Gália na opressão. D. João VI, I do Brasil, regressa. Instaura-se um regime de monarquia constitucional.

Duzentos anos depois, a História repete-se. É fado.

O país é colónia da Europa que impõe leis, regras, procedimentos, previsões orçamentais. O Ministério das Finanças é de Berlim. O orgulho de ser português definha. Emigra-se a conselho do Governo. O Povo é tratado sem honra e dignidade. Como caloteiro relapso.

O Terreiro do Paço faz de oficial de diligências. Assina de cruz a sentença condenatória do tribunal criminal de Berlim. Uma fatalidade a que é alheio. O anterior e os anteriores do anterior também. A responsabilidade criminal é do Povo. Cumpre a pena de austeridade. O Orçamento do Estado é um código penal de penas parcelares. Renega a irretroactividade da lei penal, consagra o cúmulo material das penas. Há sempre mais um corte no salário, pensão, emprego (pena), a adicionar a outro corte (mais pena). O plenário da troika decide, o Governo executa. Se fala ou espirra, sai imposto, corte, desemprego.

Cumpre ordens do invasor. Faz de Miguel de Vasconcelos.

Não fica sempre o traidor. A História não esquece. E não perdoa!

“Felizmente há luar”

sexta-feira, 17 de maio de 2019


A GRANDE BURLA DA SEGURANÇA SOCIAL QUE DESCONHECIAS! É uma VERGONHA!


 
É uma grande vergonha isto! Lê tudo bem! Toda a gente precisa e deve saber isto! Para ajudar a esclarecer! Por isso partilha com os teus amigos e familiares!

1.    Até 1974 não existia a Segurança Social mas a Previdência Social

2.    Fiz parte da 1ª e 2ª Comissões que em 1976/77 preparou a Reforma da Previdência criando a Segurança Social, o Centro Nacional de Pensões, os Centros Regionais das Segurança Social integrando-se nesses as caixas de Previdência

3.    A 2ª Comissão integrou, além de mim próprio, Maria de Belém Roseira, Leonor Guimarães, Fernando Maia e Madalena Martins

4.    Não houve qualquer nacionalização e as próprias Casas do Povo e o regime, dos rurais só em 1980 foram integrados na Segurança Social

5.    O Estado não tinha que meter dinheiro na Segurança Social pois o seu funcionamento foi e é assegurado pelas contribuições das entidades empregadoras e trabalhadores

6.    Outra coisa tem a ver com a Caixa Geral de Aposentações pois a mesma foi financiada exclusivamente pelas contribuições dos agentes do Estado a quem os funcionários confiaram mês a mês os seus descontos igualzinho aquilo que acontece com a conta poupança que vai capitalizando ao longo do seu período de vigência.

NÃO FIQUEM CALADOS, DIVULGUEM!
*Muito gostava de saber o que é que o governo e a oposição têm a dizer sobre o que consta abaixo e sobre a real situação financeira da Segurança Social, se é que se atrevem…
Convém ler e reler para ficar a saber, pois isto é uma coisa que interessa a todos. Vale a pena ler, isto a ser verdade (parece que sim), agora sabemos porque não chega para todos.
A INSUSTENTABILIDADE DA SEGURANÇA SOCIAL
A Segurança Social nasceu da Fusão (Nacionalização) de praticamente todas as Caixas de Previdência existentes, feita pelos Governos Comunistas e Socialistas, depois do 25 de Abril de 1974. As Contribuições que entravam nessas Caixas eram das Empresas Privadas (23,75%) e dos seus Empregados (11%). O Estado nunca lá pôs 1 centavo. Nacionalizando aquilo que aos Privados pertencia, o Estado apropriou-se do que não era seu. Com o muito, mas muito dinheiro que lá existia, o Estado passou a ser “mãos largas”! Começou por atribuir pensões a todos os não contributivos (domésticas, agrícolas e pescadores). Ao longo do tempo foi distribuindo subsídios para tudo e para todos. Como se tal não bastasse, o 1º Governo de Guterres (1995/99) criou ainda outro subsídio (Rendimento Mínimo Garantido) em 1997, hoje chamado RSI.
E tudo isto, apenas e só, à custa dos Fundos existentes nas ex-Caixas de Previdência dos Privados. Os Governos não criaram rubricas específicas nos orçamentos de estado, para contemplar estas necessidades. Optaram isso sim, pelo “assalto” àqueles fundos. Cabe aqui recordar que os governos do Prof. Salazar, também a esses fundos várias vezes recorreram. Só que de outra forma: pedia emprestado e sempre pagou. É a diferença entre o ditador e os democratas?
Em 1996/97 o 1º governo Guterres nomeou uma Comissão, com vários especialistas, entre os quais os Profs. Correia de Campos e Boaventura de Sousa Santos, que em 1998, publicam o “Livro Branco da Segurança Social”. Uma das conclusões, que para este efeito importa salientar, diz respeito ao Montante que o Estado já devia à Segurança Social, ex-Caixas de Previdência, dos Privados, pelos “saques” que foi fazendo desde 1975. Pois, esse montante apurado até 31 de Dezembro de 1996 era já de 7.300 Milhões de Contos, na moeda de hoje, cerca de 36.500 Milhões.
De 1996 até hoje, os Governos continuaram a “sacar” e a dar benesses, a quem nunca para lá tinha contribuído, e tudo à custa dos privados. Faltará criar agora outra comissão para elaborar o “Livro Negro da Segurança Social”, para, de entre outras rubricas, se apurar também o montante actualizado, depois dos “saques” que continuaram de 1997 até hoje. Mais, desde 2005 o próprio Estado admite Funcionários que descontam 11% para a Segurança Social e não para a CGA e ADSE. Então e o Estado desconta, como qualquer Empresa Privada 23,75% para a Segurança Social? Claro que não!…
Outra questão se pode colocar ainda. Se desde 2005, os Funcionários que o Estado admite, descontam para a Segurança Social, como e até quando irá sobreviver a CGA e a ADSE? Há poucos meses, um conhecido economista, estimou que tal valor, incluindo juros nunca pagos pelo Estado, rondaria os 70.000 Milhões! Ou seja, pouco menos, do que o empréstimo da Troika!
Ainda há dias falando com um advogado amigo, em Lisboa, ele me dizia que isto vai parar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Há já um grupo de juristas a movimentar-se nesse sentido. A síntese que fiz, é para que os mais jovens, que estão já a ser os mais penalizados com o desemprego, fiquem a saber o que se fez e faz também dos seus descontos e o quanto irão ser também prejudicados, quando chegar a altura de se reformarem!…
Falta falar da CGA dos funcionários públicos, assaltada por políticos sem escrúpulos que dela mamam reformas chorudas sem terem descontado e sem que o estado tenha reposto os fundos do saque dos últimos 20 anos. Quem pretender fazer um estudo mais técnico e completo, poderá recorrer ao Google e ao INE.
SEM COMENTÁRIOS…mas com muita revolta…
Sabem que, na bancarrota do final do Século XIX que se seguiu ao ultimato Inglês de 1890, foram tomadas algumas medidas de redução das despesas que ainda não vi, nesta conjuntura, e que passo a citar:
·         A Casa Real reduziu as suas despesas em 20% (não vi a Presidência da República fazer algo de semelhante)

·         Os Deputados ficaram sem vencimentos e tinham apenas direito a utilizar gratuitamente os transportes públicos do Estado, na época comboios e navios (também não vi ainda nada de semelhante na actual conjuntura nem nas anteriores do Século XX)

SEM COMENTÁRIOS…mas com muita revolta…
Aqui vai a razão pela qual os países do norte da Europa estão a ficar cansados de subsidiar os países do Sul. Governo Português:
·         3 Governos (continente e ilhas)

·         333 deputados (continente e ilhas)

·         308 câmaras

·         4259 freguesias

·         1770 vereadores

·         30.000 carros

·         40.000(?) Fundações, Observatórios e Associações

·         500 Assessores em Belém

·         1284 Serviços e institutos públicos

Para a Assembleia da República Portuguesa ter um número de deputados “per capita” equivalentes à Alemanha, teria de reduzir o seu número em mais de 50%.
O povo Português não tem capacidade para criar riqueza suficiente para alimentar esta corja de gatunos! É por estas e por outras que Portugal é o país da Europa que simultaneamente se verificam os salários mais altos a nível de gestores e administradores, e o salário mínimo mais baixo para os habituais escravizados.
Isto é abominável! Acorda Povo! Estas sim são as gorduras que têm de ser eliminadas!
Faz o que te compete: divulga e não te esqueças, a seguir vão-te aos depósitos e às tuas poupanças, entendes?
Vamos acabar com esta gente de uma vez, chega!

quinta-feira, 16 de maio de 2019


DÍVIDAS – ESCRAVATURA MODERNA

Vamos tentar perceber, com este artigo, como os “senhores do mundo”, sempre detentores do conhecimento, organizaram o “sistema” de modo a que o povo ignorante e mal informado adira e se deixe envolver nas suas artimanhas, julgando serem “livres” e senhores dos seus destinos.

Os Illuminati exploram a maioria abertamente sabendo que a sua impunidade não é contestada porque o “sistema” são eles. Eles é que escrevem a História e criam as condições de sobrevivência do “rebanho”, como chamam aos que estão na base da pirâmide.

 
Com o desenvolvimento da sociedade, mesmo assim, e principalmente com o advento da Internet onde circula TODA a informação, é cada vez mais difícil aos “senhores do mundo” manterem-se “invisíveis” a manobrar tudo nos bastidores. O conhecimento passou a ficar acessível a muitos elementos do “rebanho” que começaram a agitar-se e a organizarem-se para se defenderem.

Motivo por que, os “senhores” , mudaram de estratégia e tornaram-se mais “agressivos” na imposição das suas leis opressivas, querendo impor abertamente um regime único de governação mundial a que deram o nome de Nova Ordem Mundial. Foram obrigados a sair dos bastidores porque a sociedade de hoje já não se pode manipular pela retenção do conhecimento e censura de toda a informação que está à disposição.

E, pelos vistos, só pela força conseguirão atingir os seus objectivos. Já não basta um governo único, uma única religião e uma única moeda. O factor básico para exercer controlo sobre a humanidade é dominar as religiões e, se possível, fundi-las numa só, o que poderá ser conseguido pela acção da Igreja de Roma com o ecumenismo. Depois disso é só controlar os meios de subsistência pelo endeusamento do dinheiro, de modo a que se crie uma única moeda virtual em que só têm acesso aqueles que se submeterem ao uso de um “chip”, preferencialmente implantado sob a pele.

Para isso, já há muito que o “sistema” vem habituando o ser humano a viver endividado, a nova forma de escravidão, sem o parecer.

E todas as acções de intimidação estão em curso, até o ser humano “pedir” a criação de um governo único que os proteja. O laço está de tal forma montado que o próprio ser humano preferirá perder a sua falsa “liberdade” para se submeter a um governo forte que porá tudo em ordem.

Vamos, então, ver este artigo de Giordano Bruno tão esclarecedor:

 

A Grande Prisão Global Causada Pelas Dívidas

Neithercorp Press, 4/2/2011.

(Tradução minha para português de Portugal, sem adopção às regras do acordo ortográfico de 1990, com algumas imagens tiradas da Net para o texto não ficar tão denso, e sem alterar o sentido do texto original, que poderá ser consultado no site que refiro no fim. R)

 

Tempos tensos e terríveis inevitavelmente produzem um estranho acoplamento de duas condições humanas muito diferentes e difíceis: a honestidade e a brutalidade. Certas verdades dolorosas são reveladas e, frequentemente, uma fúria palpável se manifesta. Considerando-se que o tempo atual é particularmente tenso e que está prestes a tornar-se terrível de uma forma espetacular, talvez devêssemos aceitar ambas as condições de uma maneira construtiva e tornar-nos brutalmente honestos connosco mesmos. Isto começa pela admissão daquilo que mais nos afeta; começa pela admissão do quanto caímos...

Toda a nossa economia, toda a nossa civilização, todo o nosso mundo, foram construídos com base no endividamento. Nunca nos perguntaram se era isto que queríamos, é simplesmente desse modo como o sistema funcionava quando entramos nele. Muitos de nós viveram as suas vidas inteiras sob o pressuposto de que o endividamento é uma função necessária da vida diária e um ímpeto valioso de uma sociedade bem-sucedida. Muitas famílias neste país vivem presas a ciclos cada vez maiores de criação de compromissos financeiros e juros a pagar. Existem até mesmo escolas de pensamento económico que estão centradas unicamente na produção e utilização de nada, excepto dívidas. Somente recentemente é que muitas pessoas começaram a perguntar-se quais são os benefícios tangíveis (se é que existem) de estarem dependentes de uma vida financeira baseada em dívidas.

Após minucioso exame, torna-se evidente que a dívida não alimenta a economia; ela sufoca-a. Ela não produz o crescimento; ela limita-o e envenena-o. Dívidas extremas não são um órgão fundamental numa estrutura de comércio; são uma aberração, um câncer em propagação que interfere com a circulação do comércio saudável. A dívida é, em grande parte, desnecessária.

Logicamente, as dívidas podem ser muito úteis se você for o controlador ou o supervisor que decide a forma de operação de um sistema, especialmente se desejar centralizar e manter o poder sobre esse sistema. A arma tática da dívida tem sido usada pelas elites há séculos como um modo de aprisionar as massas, ou para criar uma atmosfera de dependência perpétua. Vamos dar uma olhadela no que realmente é a dívida e como ela é utilizada contra o cidadão mediano actualmente.



Compreendendo a Dívida

O clássico A Pequena Dorrit, de Charles Dickens, é comumente interpretado como um romance, entretanto, o personagem principal no livro não é a Pequena Dorrit, ou o gentil Arthur Clennam, mas o sistema de dívidas da Grã-Bretanha, e os seus efeitos sobre cada classe social, desde os mendigos nas ruas até as pessoas da alta sociedade. Dickens deplorava a ideia da dívida e das prisões por falta de pagamento de dívidas, pois o seu próprio pai foi lançado na prisão por muitos anos, forçando o jovem Charles a trabalhar desde cedo para ajudar a manter a família. Dickens compreendia bem o objetivo maligno que estava por trás do sistema de dívidas e denunciava-o frequentemente nos seus escritos.

Um personagem em A Pequena Dorrit que sempre me fascinou é o Sr. Merdle, o super-astro do sistema bancário que domina o mundo dos investimentos com a ajuda de autoridades do Tesouro britânico e de vários políticos depravados. Merdle é chamado nos círculos empresariais de "um homem do nosso tempo", uma maravilha financeira que parece ganhar fortunas em todos os seus novos empreendimentos. Quase ninguém percebe que Merdle é uma fraude, um farsante com um esquema de pirâmide de Ponzi que pega o dinheiro dos especuladores incautos para injetá-lo em investimentos cada vez mais arriscados. De modo a continuar a ocultar o facto de que todos os seus empreendimentos financeiros terminarão na ruína, ele atrai mais e mais depositantes para pagar os compromissos anteriores. O problema é que Merdle cria dívida para pagar dívidas anteriores. Eventualmente, a sua insolvência, e a de todos os que confiaram nele, acontece e expõe a mentira cuidadosamente criada. Toda a instabilidade económica é invariavelmente revelada um dia, independente da engenhosidade como foi ocultada.

Para mim, o Sr. Merdle é quase uma representação literária perfeita do sistema atual dos bancos centrais e dos cartéis dos grandes bancos internacionais, como o J. P. Morgan, Goldman Sachs, Citigroup, etc. Nos EUA, o Sistema da Reserva Federal, com a ajuda dos políticos de ambos os partidos, criou uma série de incentivos ilusórios (por meio da redução da taxa de juros) que permitiu aos bancos emprestar dinheiro fiduciário quase ilimitado a uma taxa de juros próxima de zero. O país ficou inundado por crédito, até ao ponto em que era praticamente impossível para a pessoa mediana evitar a tentação de tomar empréstimos. O que ninguém compreendeu naquele período de tempo é que o crédito derivado do dinheiro fiduciário não é "capital", não é riqueza. Crédito é a criação de um compromisso financeiro a ser pago numa data futura, se é que será pago e, como não existem regras para vincular a dívida a qualquer garantia legítima (pelo menos para os bancos), não há nada que lastreie a obrigação financeira se ela deixar de ser honrada. Portanto, o crédito induzido por dinheiro fiduciário não é a criação de riqueza (como os economistas keynesianos parecem acreditar), mas a destruição da riqueza!



Devido à sua falta de tangibilidade, a dívida pode ser empacotada e reempacotada de qualquer forma que os bancos quiserem. Os derivativos são um exemplo perfeito da natureza fantasma da dívida; os títulos em derivativos não têm qualquer valor real, porém são classificados e negociados como se fossem um produto sólido. Este tipo de transação, na sua própria raiz, é uma bomba-relógio fiscal. Exatamente como no mundo literário de A Pequena Dorrit, o esquema de pirâmide de Ponzi no nosso mundo muito literal teve de atingir um ponto de rutura, o que aconteceu em 2008.

Uma diferença visível entre os nossos problemas e aqueles narrados por Dickens é que o Sr. Merdle realmente se sente culpado por aquilo que causou (ou, pelo menos, teme a Justiça que terá de enfrentar), o que o leva a cometer suicídio perto do fim do livro. No mundo real, os Merdles da nossa época parecem estar perfeitamente satisfeitos em ver este país ruir devido às suas intrigas e raramente sofrem quaisquer consequências por aquilo que fizeram. Na verdade, a elite bancária moderna sente prazer em ver os efeitos das ondas de choque da detonação do crédito e não sente qualquer remorso. O ponto é que Dickens viu claramente mais de 150 anos atrás o que as pessoas ainda hoje não veem: que a dívida é uma ideia abstrata, um jogo absurdo que confunde e enlaça os inocentes. Os sistemas baseados em dívidas trapaceiam os cidadãos, levando-os a trocarem a sua riqueza tangível e a sua mão-de-obra pela promessa de acertos futuros que nunca acontecem. A dívida serve somente para enfraquecer as massas e dar maior poder aos credores.

 
As Consequências do Endividamento

De que forma a economia baseada em dívidas nos serviu até aqui?

A dívida em cartões de crédito da família americana mediana gira em torno de 8 a 15 mil dólares. O total da dívida familiar, incluindo prestação da casa própria e outros financiamentos bancários atingiu uma média de 136% da renda anual das famílias:



Aproximadamente 80% dos financiamentos da casa própria feitos para clientes de alto risco ao longo da última década foram na modalidade de Hipotecas com Taxa de Juros Ajustável, o que significa que 80% das hipotecas no país tiveram a sua taxa de juros redefinida, ou que pode ser redefinida a qualquer momento, para um nível muito mais alto. Ocorreram aproximadamente 1,4 milhão de pedidos de falência em 2009 e 1,5 milhão em 2010. Um em cada 45 lares recebeu aviso de retomada do imóvel em 2010:



Tenha em mente que em 2005, novas normas governamentais foram implementadas, tornando a declaração de falência pessoal muito mais difícil. Em 2006, os pedidos diminuíram quase que totalmente. Agora, apesar dos obstáculos mais rígidos, os pedidos cresceram novamente em mais de 100%.



A dívida pública "oficial" dos EUA está agora acima de 14 triliões de dólares, o que é cerca de 100% do Produto Interno Bruto nacional, mas se os programas de direitos e benefícios, como o Seguro Social, forem incluídos, esse número será provavelmente 400% do PIB. A barreira dos 100% é frequentemente citada como um ponto de rutura para a maioria dos países com dificuldades em honrarem as suas obrigações financeiras. A dívida pública grega estava entre 108% e 113% do PIB quando o governo precisou de adoptar medidas de austeridade. De 2004 a 2010 (um intervalo de apenas seis anos), a dívida pública americana dobrou de tamanho. Para colocar isto em perspetival, foram necessários duzentos anos para a dívida alcançar o primeiro trilião de dólares. Agora, vemos a acumulação de pelo menos um trilião a cada ano. Isto é insustentável.

Atualmente, fala-se muito sobre o teto da dívida, que foi elevado seis vezes nos três últimos anos. Essa frequência não tem precedentes. As agências internacionais de classificação de risco sugerem agora abertamente o fim da classificação AAA para os títulos emitidos pelo Tesouro dos EUA:


Uma redução na classificação do risco de crédito seria devastadora para o pouco interesse estrangeiro que ainda existe pelos títulos do Tesouro dos EUA.

Internamente, as cidades e os estados americanos estão à beira da falência devido à evaporação dos mercados das letras financeiras municipais. As cidades dependem grandemente de duas fontes de receita de modo a manterem as suas operações: o tributo sobre a propriedade e os títulos municipais. A receita com os impostos sobre os imóveis diminui obviamente de forma acentuada, pois o valor dos imóveis está em uma espiral decrescente. Isto deixa somente a receita com as letras financeiras municipais, o que também infelizmente estão a sair do mapa.

Meredit Witney, uma analista do mercado financeiro de Wall Street, declarou recentemente numa entrevista no programa 60 Minutes, que acreditava que de 50 a 100 cidades americanas se tornariam não cumpridoras (inadimplentes) durante uma crise municipal em 2011. Ela foi imediatamente atacada pelo restante da grande mídia por fazer essa predição. Em minha opinião, ela foi bastante conservadora na sua estimativa, especialmente se o Sistema da Reserva Federal não lançar outra rodada da Flexibilização Quantitativa (a terceira) para os estados. Até aqui, porém, Ben Bernanke, o presidente do Fed, nega que essa política será implementada, o que significa que há uma boa possibilidade de que ela seja implementada.

Para resumir, os EUA nadam em dívidas. Absolutamente nada mudou para melhor em termos de destruição da riqueza e de obrigações financeiras a cumprir desde o início da crise do crédito. Além disso, a situação somente parece cada vez mais precária a cada novo trimestre.

Onde a Montanha Russa da Dívida nos Deixará?

Qual é o resultado mais provável das condições descritas anteriormente? O factor vital será a contínua política da Reserva Federal de socorros financeiros como um "contrabalanço" para o crescente problema da dívida.

Como é explorado no livro de Dickens discutido anteriormente, evitar os efeitos da dívida por meio da criação de mais dívida é uma solução temporária que somente leva a uma calamidade maior com o passar do tempo. Qualquer um que acredite que a inflação da moeda fiduciária "cancela" a instabilidade da dívida ficará profundamente desapontado. No fim, o estímulo criado pelo governo não é uma solução para o peso total da dívida fabricada, mas uma realocação da dívida para longe dos bancos e para o colo dos contribuintes. A Reserva Federal e o Tesouro não pagaram nenhuma parte da dívida. Eles simplesmente desviaram a responsabilidade pelo pagamento dos bancos, que criaram o problema, e passaram essa responsabilidade para a população que paga os seus impostos. Além disso, eles também posicionaram o dólar para receber o forte golpe de uma desvalorização. É aqui que as portas da prisão se fecham...

Se a dívida pública histórica não está a ser diminuída, mas somente movida enquanto se expande, então isso significa que eventualmente a confiabilidade do governo para receber crédito será posta em dúvida. O investimento estrangeiro em títulos de longo prazo do Tesouro está cada vez menor. O banco central americano é agora o maior detentor da dívida pública dos EUA, superando até mesmo a China. (Nota: Este facto tem sido ignorado por quase todos os veículos da mídia dominante.):


Portanto, a questão do calote da dívida vai do teórico para o imperativo. Se a Reserva Federal continuar a comprar a dívida pública com dinheiro fiduciário, criado a partir do nada, isto significa que os efeitos da dívida somente serão retardados, o dólar será rejeitado como moeda de reserva mundial e a hiperinflação será uma certeza. Se a Reserva Federal não continuar a comprar, então o governo dará o calote na dívida, a infraestrutura financeira do país deixará de existir, o dólar perderá o seu status de moeda de reserva mundial e a hiperinflação será uma certeza. As elites bancárias não criaram apenas uma prisão, elas empurraram o povo americano para dentro de Alcatraz!

A batalha a respeito de mais uma elevação no teto da dívida ofuscou o facto de que a dívida já fez todo o estrago que precisava de fazer. Manter o teto no nível atual torna-se uma batalha de princípios, uma batalha importante, sem dúvida, mas de modo algum impedirá a disfunção e o caos que estão por vir. Na melhor das hipóteses, haverá apenas uma redução na duração do desastre em alguns anos. A coisa importante a lembrar é que a intervenção do governo sempre produzirá uma perda maior. Não há escapatória, não existe um atalho mágico, não existe uma ideia brilhante de último minuto que possa colocar um fim nesta bagunça. Anos de trabalho árduo, de determinação, de honestidade e de sacrifício estão diante de nós.



A inflação será a palavra da vez em 2011. A dívida infindável facilita a liquidez keynesiana infindável. Espere ver o preço das commodities duplicar novamente neste ano.

A dívida das famílias provavelmente se manterá estável durante todo o ano, à medida que mais pessoas abandonarem os seus hábitos de consumo com cartão de crédito e fizerem um esforço concentrado de poupar. Em 2009, o uso do cartão Visa caiu 11% e o do MasterCard caiu 22% nas operações de crédito. Mais de oito milhões de consumidores deixaram de usar totalmente os seus cartões de crédito desde o fim de 2009:


Os financiamentos bancários ainda estão apertados, pois os credores aumentaram as exigências para a concessão de financiamento pelo sistema habitacional do governo federal.


O uso do crédito e do consumo baseado em dívidas retornarão aos níveis similares a 2006? Sem chance. Alguém poderia prever que a poupança aumentará grandemente à medida que o uso do crédito diminuir, mas isto também é improvável. Por quê? Por que ao longo do próximo ano as pessoas gastarão mais em produtos essenciais devido a uma inflação muito maior. Qualquer poupança que elas conseguirem fazer será devorada pelo implacável aumento nos preços dos alimentos e da gasolina. O termo usado para a combinação de dívida crónica, baixo crescimento no nível do emprego e maior inflação é "estagflação". Honestamente, não consigo imaginar uma situação pior do que enfrentar custos muito maiores e uma dilapidação do padrão de vida. Como Charles Dickens mostra claramente em A Pequena Dorrit, como alguém pode esperar que um homem consiga pagar o que deve se ele for colocado na prisão por causa das suas dívidas?

Quebrando o Ciclo no Meio dos Choques Globais

Por que depois de viver trinta anos sob o regime despótico de Hosni Mubarak o povo egípcio subitamente decidiu rebelar-se? Porquê agora? A grande mídia apresentará diversas explicações, mas a chave para a maior parte da agitação popular, especialmente no Médio Oriente, foi a falta dos géneros de primeira necessidade. A última vez que ocorreram protestos desta magnitude no Egipto foi durante a Revolta do Pão, em 1977, quando o Fundo Monetário Internacional determinou o fim dos subsídios estatais para os alimentos básicos. É alguma maravilha que a agitação nas ruas ocorra tão rapidamente na região quando o preço dos grãos é duplicado? Este é o poder devastador da dívida e das assim chamadas "soluções" que meramente a perpetuam.

A Tunísia, o Egipto e o Iémen são apenas o início. O ferrão da inflação será insuportável à medida que as medidas de austeridade forem adotadas na Europa, de modo que o potencial para protestos de rua na Grécia, Espanha, Portugal e Itália é grande. Entretanto, até aqui, o ambiente mais volátil no planeta, está nos Estados Unidos, que, como mostramos em artigos anteriores, são deliberada e violentamente desmantelados em preparação para o controle e centralização por parte do Fundo Monetário Internacional. Hoje, o FMI acompanha furtivamente o Egipto, pronto para agarrá-lo à medida que o país enlouquece. Amanhã, serão os EUA. Ficarei muito surpreso se não ouvir sobre a intervenção do FMI na economia americana e no dólar até ao fim deste ano, oferecendo mais empréstimos e mais governança sem prestação de contas à população.

O segredo para romper o ciclo da dívida é adotar uma política de descentralização e de autossuficiência. Recuperar o controlo do comércio local e estabelecer micro-economias com métodos próprios de comércio. O endividamento precisa de ser removido totalmente da equação e sistemas protegidos pela flexibilidade e pela redundância precisam de ser aplicados. A poupança e a produção significativa precisam de tomar o lugar da fartança e da terceirização. A tutela e as filosofias claustrofóbicas do globalismo precisam de ser colocadas de lado e substituídas por objetivos de independência e autossuficiência. Cortando a nossa dependência do sistema corrupto, interrompemos a capacidade dele de se alimentar de nós. Construindo um sistema melhor, tornamos o sistema furado atual obsoleto. Se vamos ou não libertar-nos de todo esse sistema de dívidas é algo que depende inteiramente de nós mesmos.

Dois passos muitos importantes são necessários: o reconhecimento de que a dívida não é o único caminho e o reconhecimento de que o endividamento é o pior caminho. A prosperidade não é alcançada sacrificando-se o futuro. A sociedade que finalmente coloca este facto no seu coração conseguirá realizar coisas incríveis.

Nota especial aos nossos leitores: O nosso projeto Mercado Alternativo, que está a ser desenvolvido em conjunto com Oathkeepers, será anunciado oficialmente nas duas próximas semanas. Também fui convidado a falar na Convenção Salvemos a América, em Tampa, na Flórida, em Março. Fiquem atentos para os nossos anúncios e para um artigo sobre a convenção, que serão publicados em breve.


Autor: Giordano Bruno, artigo original em http://neithercorp.us/npress
Data da publicação: 10/2/2011