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sábado, 17 de julho de 2021

 

DESERTIFICAÇÃO DE PORTUGAL

 

Transcrevo em baixo um artigo sobre a desertificação de MAIS DE METADE de Portugal se não forem tomadas medidas urgentes.

- Está tudo na mesma.

- Como sempre, os nossos políticos falam, falam e falam… nada produzem.

- A construção desenfreada continua nos terrenos agrícolas (apesar de haver mais de um milhão de habitações devolutas!).

- O solo está cada vez mais degradado. Não há respeito pelas reservas naturais. Só conta o lucro.

- Com o desemprego galopante nas zonas do interior, as populações deslocam-se para o litoral ou para o exterior.

- O governo nada faz para incentivar a fixação das populações no interior. Antes pelo contrário, com o encerrar das urgências, hospitais e escolas.

- Para agravar a situação dessas populações as pressões dos "grupos de interesse", que só querem lucro, acabamos de ter de pagar portagens nas auto-estradas do interior.

- E mais… pelo andar dos acontecimentos, com a nova entidade gestora das estradas nacionais, sem verbas do Estado, só poderão subsistir à custa da exploração do povo.

- Ou seja, além de pagarmos impostos e portagens nas pontes e auto-estradas, acabaremos por ter de pagar portagens nas estradas nacionais.

- Para que é que estamos a pagar impostos?

- E para finalizar, a acção política indevida não dá seguimento aos programas aprovados para a luta contra a desertificação, nem tão pouco disponibiliza as verbas necessárias para isso.

- Portugal é um país de faz de conta.

https://www.publico.pt/2020/06/19/local/noticia/agroquimicos-incendios-desordenamento-territorio-aceleram-fenomenos-seca-desertificacao-portugal-1921208

 

NOS PRÓXIMOS 20 ANOS – DESERTIFICAÇÃO AMEAÇA MAIS DE METADE DE PORTUGAL

Publicado na Quinta-Feira, dia 16 de Novembro de 2006, em Nacional (Jornal online A UNIÃO)

O especialista, Eugénio Sequeira, disse à agência Lusa que as zonas já atingidas pela desertificação, quer ao nível dos solos, quer da população, são o Alentejo, o interior algarvio e toda a fronteira com Espanha, do Algarve a Trás-os-Montes.



O presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) falava à Lusa a propósito das terceiras Jornadas Ambientais da organização, que decorrem entre quinta-feira e domingo no Cine-Teatro Municipal de Castro Verde (Beja), e que vão abordar o fenómeno da desertificação.


"Portugal é um dos países onde a desertificação tem especial relevância e, se nada for feito nos próximos 20 anos, cerca de 66 por cento do território pode ficar deserto e seco", acentuou.


Como causas deste cenário, que ameaça "ensombrar" mais de metade do território nacional, o especialista aludiu ao agravamento dos efeitos da seca, aos incêndios florestais, ao crescimento urbano indevido em terras com potencial agrícola e à degradação dos solos, em resultado dos "maus usos e da poluição".


Mas, independentemente desse cenário futuro, cerca de um terço do território já sofre "uma grave desertificação", da qual a seca, os incêndios florestais e o despovoamento do interior, devido à "concentração excessiva da economia e da população no litoral", são "expressões evidentes".


"A aridez dos solos já atinge quase todo o Alentejo e o interior algarvio", sublinhou, alertando mesmo para proporções "quase dramáticas" na margem esquerda do Guadiana, nos concelhos de Mértola, Castro Marim e Alcoutim.


O fenómeno não está, contudo, confinado ao Sul do país, pois, disse, "todo o interior junto à fronteira com Espanha, do Algarve a Trás-os-Montes, está a ficar deserto", com a perda de potencial biológico dos solos (desertificação física) e de população (desertificação humana).


Para inverter esta tendência de desertificação e "evitar os piores cenários", o especialista defende a adopção de medidas "concretas e eficazes" de fixação da população activa nos meios rurais, de conservação do solo e da água e de recuperação das áreas já afectadas.


"Se nada for feito, Portugal deixará de ser competitivo a nível europeu, terá grandes dificuldades de abastecimento público de água e a qualidade de vida terá tendência para se degradar", vaticinou.

 


A investigação das causas e das formas para combater o fenómeno, a sensibilização da população e a inclusão da luta contra a desertificação e a seca nas políticas gerais e sectoriais são outras das medidas preconizadas por Eugénio Sequeira.


Objectivos estratégicos que, aliás, lembrou, já estão definidos desde 1999, quando foi lançado o Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação (PANCD).


Só que, até agora, "muito pouco tem sido feito", lamentou o especialista, que participou na elaboração do PANCD, criticando o facto do programa "praticamente não ter verbas atribuídas", o que leva à "falta de apoios para projectos de investigação em Portugal" sobre a temática.


No Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação, as terceiras Jornadas Ambientais de Castro Verde da LPN reúnem mais de 30 especialistas, nacionais e estrangeiros, para "aprofundar o conhecimento público e científico sobre o processo de desertificação".


Rita Alcazar, da LPN, adiantou que o encontro pretende "discutir as implicações ambientais, económicas e sociais do fenómeno, através do intercâmbio de experiências, nacionais e internacionais, que fomente o desenvolvimento de medidas de mitigação e combate à desertificação".


Para sensibilizar a comunidade local, o encontro começa hoje,, às 14:30, com um debate sobre desertificação com os alunos da Escola Secundária de Castro Verde.

 


Nos dois dias seguintes, de entre os temas em debate, destaca-se, no âmbito da desertificação física, a relação entre as alterações climáticas, os incêndios e a desertificação, bem como as causas, os impactos e as perspectivas da seca no Mediterrâneo.


A desertificação nos Estados Unidos da América, as iniciativas espanholas na luta contra o fenómeno e o Sistema de Avaliação e Controlo da Desertificação no Mediterrâneo Ocidental são outros dos assuntos em cima da mesa.


Quanto à desertificação humana, o encontro vai abordar o fenómeno da litoralização, concentração urbana e despovoamento de áreas rurais, a partir das tendências recentes da organização espacial da população no Noroeste Português (1981-2006).


Os projectos Desert Watch e AquaStress, a gestão agrícola e florestal na Rede Natura 2000, o Plano Nacional de Desenvolvimento Rural e a Directiva Comunitária sobre Protecção dos Solos são algumas das iniciativas de combate à desertificação em análise.


O encontro termina, domingo, com uma visita ao projecto-piloto de combate à desertificação que a LPN está a desenvolver na Herdade de Vale Gonçalinho, em Castro Verde, desde o ano agrícola de 2000/2001 Inserido no PANCD, o projecto decorre numa herdade da estepe cerealífera do Campo Branco, em que a planície é caracterizada por mosaicos de cereais, leguminosas e pousios, dos quais dependem aves ameaçadas de extinção como o sisão e a abetarda.


"O projecto está a testar práticas agrícolas de protecção e conservação da terra (solo, vegetação e água) que serão, gradualmente, difundidas junto dos agricultores da região", precisou Eugénio Sequeira.

Infelizmente, neste país do "faz de conta", está tudo na mesma e nada parece andar "para a frente". Há outros interesses, e outras prioridades, a curto prazo, para os nossos líderes que já estão num patamar abaixo da mediocridade. É essa a percepção do povo e quando a opinião pública se instala é muito difícil contrariá-la com os golpes de publicidade e promessas ocas que nunca são cumpridas por parte dos responsáveis pela governança.

 

quarta-feira, 14 de julho de 2021

 

DESASTRES NATURAIS QUADRUPLICARAM

 

Desastres naturais quadruplicaram em 20 anos devido à mudança climática
ONG recomenda que governos agilizem a ajuda humanitária a países atingidos.
Número de vítimas passou de 174 milhões para 254 milhões.

 



Nos últimos 20 anos, o número de desastres naturais quadruplicou, segundo um relatório da organização OXFAM, que recomenda que os Governos e a ONU agilizem a concessão de ajudas humanitárias.
Oxfam International é uma confederação de 13 organizações e mais de 3000 parceiros, que actua em mais de 100 países tentando encontrar soluções para o problema da pobreza e da injustiça.


O número de pessoas atingidas todos os anos por estas catástrofes passou de 174 milhões, entre 1985 e 1994, para 254 milhões no período de 1995 a 2004, indica o documento, intitulado "Alarme Climático". Desde 1980, a ocorrência de inundações cresceu cerca de sete vezes enquanto o número de episódios geotérmicos - terramotos ou erupções vulcânicas - se manteve relativamente estável.


A directora da Oxfam, Barbara Stocking, afirmou que é preciso preparar-se desde já para enfrentar um número crescente de desastres naturais no futuro, pois, caso contrário, os organismos dedicados à ajuda humanitária ver-se-ão abarrotados de trabalho e deitarão por terra  todos os avanços obtidos no sector.


Apesar de as grandes crises, como a da fome em África no começo dos anos 80, o ciclone que atingiu o Bangladesh em 1991 ou o tsunami asiático, causarem o maior número de mortes, é cada vez mais preocupante a proliferação de desastres de "média magnitude". O número de vítimas mortais neste tipo de desastre passou de 6 mil, em 1980, para 14 mil em 2005. E entre 2000 e 2019, foram registados 6681 desastres naturais pelo mundo, que resultaram em 1,23 milhões de mortos. Esses desastres levaram a uma perda de 2,5 mil milhões de euros em danos materiais.

A representante especial do secretário-geral da ONU para a redução de riscos de desastres e líder da UNISDR (Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres), a japonesa Mami Mizutori, declarou que  “O risco de catástrofe converteu-se em algo sistémico, com alguns desastres a influenciarem outros de tal forma que a nossa resistência está a ser levada ao limite”

A representante realçou ainda que, apesar de “mais vidas terem sido salvas” nas últimas duas décadas, “mais pessoas, em termos gerais, estão a ser afectadas pela crescente emergência climática”. “Sem uma recuperação verde, só vamos aumentar a emergência climática”, insistiu Mami Mizutori, advertindo que esta emergência pode ter efeitos mais nefastos do que a actual crise da covid-19. “A covid-19 sensibilizou realmente os governos e o público em geral para os riscos que nos rodeiam. Se vêem que a covid-19 é tão terrível, a emergência climática pode ser ainda pior”, concluiu.

As inundações - que duplicaram - e as tempestades foram os desastres naturais mais frequentes nas últimas duas décadas, de acordo com o relatório da UNISDR. Para a próxima década, a ONU antevê que o pior problema serão as vagas de calor.



Por menores que sejam estes fenómenos, a sua rápida sucessão pode levar cidades e comunidades pobres a uma espiral descendente da qual será muito difícil recuperarem. Para piorar as coisas, adverte a Oxfam, os países ricos costumam dar preferência às nações que sofrem catástrofes de grande magnitude ou que estão em linha com as suas prioridades de política externa.

 
Há também a questão de países que são mais propensos a sofrer desastres meteorológicos, como o Vietname, que foi atingido por graves inundações que devastaram as províncias centrais do país. Mais tarde, foi a vez do tufão "Lekima" afectar a nação, causando grandes deslizamentos de terra e novas inundações de uma magnitude desconhecida nos últimos anos. Além disso, as secas estão a tornar-se cada vez mais frequentes.

 

sábado, 10 de julho de 2021

 

VIVA A LIBERDADE!

 

O Dr. Garcia Pereira publicou em Julho de 2021 no NOTÍCIAS ONLINE um texto verdadeiramente excepcional onde denuncia a nova ditadura que controla o país. E como deve circular o máximo possível resolvi publicá-lo neste meu bloque. Esta nova ditadura já tem em execução a censura de toda a informação que possa correr pelos meios de comunicação social, mas com a Internet é inteiramente impossível "apanhar" tudo aquilo que achem ser contra os seus interesses e classificam como desinformação ou contra a segurança do "seu" Estado maçónico feito para manter os seus privilégios e perpectuar o seu poder.

 

Vejamos:

Viva a Liberdade! Abaixo a Ditadura, em todas as suas formas!

Os gritos de “Viva a Liberdade! Abaixo a Ditadura!” que, antes do 25 de Abril, levaram quem os proferisse a ser vigiado, perseguido, preso e torturado estão, todavia, e por mais terrível que isto possa parecer, a tornar-se cada vez mais actuais. Dirão alguns que se trata de um exagero, que já não há Pide, que podemos falar livremente e que, ao menos formalmente, vivemos em Liberdade e Democracia. A verdade, porém, é que, em matéria de expressão de ideias e opiniões, porventura teremos ainda a liberdade de gritarmos a nossa revolta, mas apenas no deserto ou para dentro de um poço e (quase) só isso, enquanto os nossos dados e os nossos movimentos são rigorosamente vigiados.

Com efeito, vigora cada vez mais a “lei da rolha”, quer no sector laboral privado (com as crescentes cláusulas, políticas salariais e outras, e regimes ditos de “confidencialidade”[1]), quer no sector público (com a perseguição implacável, inclusive criminal, a quem ouse denunciar irregularidades e ilegalidades)[2]. E agora, e como melhor veremos mais adiante, assistimos nas próprias redes sociais aos novos senhores do mundo digital (a começar pelo Facebook e pelo Twitter) a defenderem e a aplicar, sem direito de defesa ou contraditório, medidas de censura. 

Novas Pides

1. Enquanto escasseia o dinheiro para acorrer aos necessitados e famintos, sobra ao Estado um milhão de euros para melhorar a Plataforma para o Intercâmbio da Informação Criminal, o chamado “google dos polícias”.

2. Conforme se descobriu finalmente, a Câmara Municipal de Lisboa tratou de ceder, mais de uma centena de vezes, os dados pessoais (incluindo telefone e morada!) de responsáveis de manifestações, não apenas a vários serviços e polícias portuguesas (do SIS ao SEF), como também às embaixadas dos países contra cujos governos se realizavam tais manifestações e que são conhecidos pelos métodos pidescos que usam relativamente aos respectivos dissidentes (da Rússia a Israel, passando por Angola e pelo Irão), em completa e claríssima violação quer da lei nacional, quer do Regulamento Comunitário de Protecção de Dados[3].

3. Confirmou-se recentemente que todos os dados pessoais que são transmitidos pelos passageiros às companhias aéreas, incluindo a TAP (nome, morada, telefone, identificação das pessoas com que viajam, número de malas, etc.) são colocados, pelo menos durante 5 anos, numa mega base de dados a que acedem serviços de informações e polícias de todo o mundo.

4. Foi revelado que diversos sites públicos portugueses (SNS, PSP, Governo, etc.) forneceram à Google os dados de navegação dos cidadãos que a eles acederam.

5. Os dados pessoais dos cidadãos que aderiram ao IVAUCHER[4] (nome, NIF, morada, n.º das contas bancárias, etc.) foram entregues pelo governo português a uma empresa privada, a Pagaqui[5].

6. O Governo tratou de, através de uma Portaria do presente mês de Junho, atribuir aos administradores de insolvência – que não são magistrados nem polícias – o poder de acederem aos dados dos cidadãos constantes da Autoridade Tributária, dos Registos Civil, Comercial, Predial e Automóvel, da Segurança Social, da Caixa Geral de Aposentações e até do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP).

Como vemos, existem várias “Pides”, com diversos e variados nomes e, sobretudo, com meios infinitamente mais sofisticados do que os da velha polícia política. 

A Covid-19 e a destruição de Democracia 

O alegado combate à pandemia da Covid-19 é, todavia, o pior e o mais significativo exemplo do que é este processo de corrosão e de completa deliquescência da Liberdade e da Democracia. Como é hoje fácil de verificar (não só em Portugal), o verdadeiro debate (quer científico, quer político) sobre esta matéria foi por completo impedido e abafado. As vozes divergentes foram silenciadas ou reduzidas à expressão mais ínfima que permita manter uma aparência de Democracia. A liberdade de expressão sem qualquer tipo ou forma de censura, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informado sem impedimentos nem discriminações[6], na prática, estão reduzidos a quase nada.

Com a “prestimosa” e insubstituível colaboração, quer dos gigantes das redes sociais, quer da maioria da Comunicação Social (quase toda falida e dependente seja das receitas da publicidade, seja dos apoios estatais e, logo, tendente a ser “responsável” e “colaborante” com o Poder e com os poderes), tornou-se propositadamente impossível discutir quer a “estratégia” (melhor, as estratégias, porque foram mudando, às vezes de semana para semana…) política e administrativa de combate à doença, quer os fundamentos alegadamente científicos em que se baseavam. 

Os direitos dos cidadãos de tomarem parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país e de serem esclarecidos objectivamente sobre actos de Estado e demais entidades públicas e de serem informados pelo governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos[7] foram varridos do mapa. Propaganda é a palavra mais adequada para definir aquilo a que vimos assistindo. E agora até já vemos – tal como sucedeu pouco antes do golpe militar de 28 de Maio de 1926, que pôs fim à I República e instaurou a Ditadura – vozes a sustentar que “isto só vai lá com os militares no Poder!”. 

Não se apostou a sério na testagem e na realização em massa dos inquéritos epidemiológicos para se determinar onde estavam as cadeias de transmissão e a melhor forma de a estancar; não se definiram, muito menos com a precisão e celeridade que se impunham, quais eram os alvos mais vulneráveis e que, logo, maior protecção precisavam; encerraram-se milhares de velhos em lares e residências (muitos deles, cerca de 3.500, ilegais, coisa que toda a gente sabia, mas que o governo só descobriu agora) sem quaisquer condições higiénicas e sanitárias e deixaram-se tais cidadãos morrer que nem tordos, por uma forma de actuar cuja responsabilidade política, e mesmo jurídico-criminal, está ainda hoje por apurar, e assim se pretende que permaneça (sempre sob o famigerado “argumento” de que “em tempo de incêndios não se atacam os bombeiros”); não se aproveitou o Verão do ano passado para se reforçar a sério o depauperado SNS, em termos logísticos, materiais e sobretudo humanos; não se apostou a tempo – como só agora se começa a falar – na sequenciação do mais que previsível surgimento das novas variantes de um vírus como este. 

Por outro lado, ainda hoje não se sabe exactamente como distinguir os pacientes que, padecendo de outras patologias, faleceram (também) com Covid daqueles que, como causa directa e necessária, morreram de Covid. E as entidades públicas resistem a disponibilizar os dados oficiais dos óbitos, como se de segredos nucleares se tratasse! 

Ora, com um Serviço Nacional de Saúde gravemente deteriorado e até, nalguns sectores, desmantelado – e que só conseguiu sobreviver mercê do esforço sobre-humano e até heróico dos seus profissionais, dos médicos e enfermeiros aos técnicos e auxiliares –, foram praticamente abandonados durante mais de um ano os doentes não Covid, actuação esta com terríveis consequências para os portadores de doenças crónicas mais graves (como, por exemplo, as oncológicas, as cardio-vasculares e as respiratórias) e com o aumento drástico da sua mortalidade (quer por não detecção precoce, quer por não acompanhamento e tratamento adequado).

Fez-se, na verdade, uma clara opção de classe, disfarçando-a com argumentos científicos (como o de que o vírus não “atacaria” nos superlotados transportes públicos e hipermercados), mantendo-se a trabalhar os trabalhadores dos serviços considerados essenciais, de actividades insusceptíveis de teletrabalho (da produção agrícola à construção civil, dos transportes, públicos e privados, e da recolha de lixo aos supermercados), colocou-se em teletrabalho o essencial do sector dos serviços e encerraram-se sectores inteiros como a restauração e o comércio local, com consequências absolutamente desastrosas para a economia e, logo, para a subsistência e sobrevivência das pessoas. Mas, obviamente, nada disto pôde ser adequadamente discutido e qualquer tentativa de debate foi logo abafada sob os epítetos de “negacionistas”, “adeptos das teorias da conspiração” e quejandos, com os resultados que agora se começam a ver.

E nem vale a pena repisar o óbvio – em nome do combate ao vírus, os portugueses têm de ficar encerrados em casa, mas já os ingleses podem vir a Portugal sob o pretexto de assistirem (mesmo que em Albufeira…) à final da “Champions League” que, recorde-se, o governo inglês não quis que se realizasse no seu próprio país. Repisa-se todos os dias que é preciso manter o distanciamento social, mas todos os dias vemos altos responsáveis do Estado (do Presidente da República ao Primeiro Ministro) a ostensivamente não respeitarem esse distanciamento. As forças policiais, que tanta energia mostram para dispersar “festas ilegais” de dezenas de jovens, nada fazem perante grandes concentrações, designadamente desportivas. 

E, ainda agora, estamos à espera do inquérito necessário para se saber como foi possível a forma como correram os festejos da conquista do campeonato de futebol e – mais importante ainda – se houve alguma contribuição desse acontecimento, e qual, para a disseminação da Covid-19 (já que, para a mortalidade, parece evidente que não terá havido, pelo menos de forma significativa), e que conclusões se poderiam e deveriam retirar daí. 

Como, porém, o adequado esclarecimento de tudo isto poria em causa muitas das autênticas falsidades que são diariamente vendidas como verdades absolutas, melhor é deixar tudo no nevoeiro e continuar na via das meras medidas de restrição, tantas vezes estúpidas e irracionais, dos direitos dos cidadãos. Por exemplo, a última proibição de saída da Área Metropolitana de Lisboa para os seus habitantes, como forma de pretenso combate à Covid-19, deu este resultado: quem tem possibilidades e meios financeiros para tal (uma vez mais!), pôde sair à hora de almoço de sexta-feira e ir para qualquer ponto do país e os que ficaram dentro dela puderam circular livremente, inclusive entre zonas muito diversas e com graus de incidência da Covid-19 muito distintos!? 

Qual a eficácia – e nem esse seria um critério único ou sequer essencial – desta medida, ninguém conseguiu demonstrar. E, bem pior do que isso, dentro da lógica de que os fins justificariam os meios, temos um direito constitucionalmente consagrado[8], como é o direito de deslocação a ser restringido a até eliminado, fora de qualquer estado de sítio ou de emergência, e não por lei, mas por um acto regulamentar como uma Resolução do Conselho de Ministros. E temos até uma Justiça Administrativa (neste caso, do próprio Supremo Tribunal Administrativo), cada vez mais próxima das teorias (de antes do 25 de Abril) da presunção de legalidade de todos os actos da Administração e de que o Estado tem sempre razão, a considerar que não há aqui qualquer inconstitucionalidade!?

Uma vacinação “livre” e “esclarecida”?

Quanto à vacinação – e atenção, eu não sou “anti-vacina”, pelo contrário![9] – passa-se algo semelhante. Os temas relativos a possíveis efeitos adversos, inclusive a morte, de cada uma das vacinas e a respectiva dimensão real, a razão de ser do seu (des)aconselhamento a diferentes escalões etários ou estados de saúde ou de gravidez e até as mudanças desse (des)aconselhamento, as vantagens e desvantagens já conhecidas de cada uma das ditas vacinas, os critérios que levaram o Governo a adquirir umas e não outras, ainda que absolutamente indispensáveis para a formação de um consentimento verdadeiramente livre e informado, são, todavia, temas absolutamente tabus e a lógica é a de que o cidadão leva a vacina que lhe derem, quando derem e como derem e também nesta matéria deve é “comer e calar”. Ainda por cima, apesar do silêncio anti-científico que se tentou impor, já se sabe que não só cidadãos vacinados podem contrair a infecção (1/3 dos que estão internados nos hospitais estarão nessa situação), como também cidadãos vacinados podem transmitir a doença. 

O certificado Covid e a proscrição dos “impuros” 

Ora, o que se está a tratar de se impor – uma vez mais contra a lei e contra a Constituição, mas também contra a Ciência – é a obrigatoriedade do chamado passaporte sanitário ou “certificado digital Covid,” tornando a sua posse e exibição requisito indispensável, não só para que o cidadão possa circular, inclusive dentro do seu próprio país, mas até para que possa ir às compras, tomar uma refeição ou simplesmente aceder a um espaço público!? 

Justificação científica para semelhante atrocidade anti-constitucional não há nenhuma, até porque, repito, mesmo os vacinados podem transmitir a Covid-19 e, sobretudo, porque se continua a não conseguir determinar com o mínimo de exactidão quais as causas e as cadeias da transmissão. Mas as consequências sociais e políticas são gravíssimas, pois a partir daqui teremos a “raça pura” dos vacinados – que podem circular livremente, apesar de poderem estar também a disseminar a infecção – e os “impuros” e “inferiores” não vacinados – culpados de todos os males de Covid e, assim, “legitimamente” condenados a uma eterna “prisão domiciliária” e outras medidas restritivas.

E como se faz relativamente aos “impuros” que os interesses económicos e financeiros dominantes exigem que continuem a trabalhar e, logo, a deslocar-se entre casa e trabalho e trabalho e casa? É simples: ou se lhes impõe um “passe” que só lhes permite circular nesse percurso e nesse período, ou se lhes impõe, sob a ameaça de despedimento com justa causa em caso de recusa, a vacinação, embora se continue a dizer que esta é voluntária!?… 

Praticantes do “bem” e verdades “oficiais”

Esta técnica de gestão política, assente na divisão entre os cidadãos e, como vimos, sem base quer científica, quer jurídico-constitucional é, todavia, o que está a ser imposto todos os dias. Para que essa imposição seja mais fácil, é essencial proteger o “unanimismo” oficial e fechar a boca aos renitentes e divergentes. Ora, no essencial na Comunicação Social, escrita e falada, isso já está hoje assegurado pelos “praticantes do bem”, ou seja, pelos censores, digo, editores de serviço.

Nas redes sociais, o art.º 6.º da famigerada “Carta Portuguesa dos Direitos Humanos da Época Digital”[10] prevê que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vigie, analise, decida e puna condutas de pessoas singulares e colectivas que pratiquem alegada “desinformação”. E esta é definida como “toda a narrativa comprovadamente falsa ou enganadora, criada, apresentada e divulgada para obter vantagens económicas ou para enganar deliberadamente o público, e que seja susceptível de causar um prejuízo público, nomeadamente ameaça aos processos políticos democráticos, aos processos de elaboração de políticas públicas e a bens públicos”[11]. A mesma lei estabelece que “O Estado apoia a criação de estruturas de verificação de factos por órgãos da comunicação social devidamente registados” e que “incentiva a atribuição de selos de qualidade por entidades fidedignas dotadas do estatuto de utilidade pública”[12] (sic). 

Tudo isto levanta três questões incontornáveis:

1.ª É claro que as ideias propositadamente falsas e enganosas devem ser combatidas e rebatidas. Mas isso faz-se, sobretudo e acima de tudo, pelo debate ideológico e não por medidas de censura administrativa; faz-se pela força e justeza dos nossos argumentos e não pelo tapar da boca de quem discorda – por ventura dura e até erradamente – de nós. 

2.ª “Quem guarda o guarda?” Quem controla, e de que forma, o modo como a ERC e as tais “estruturas de verificação” vão decidir que uns têm direito a que as suas opiniões sejam expressas e conhecidas e outros não? Como o pode alguém avaliar correctamente se, desde logo, não for avaliado também? E alguém tem dúvidas de que personagens políticos como o Primeiro-Ministro, a Ministra da Saúde ou o Ministro da Administração Interna e aqueles que apoiam tenderão a qualificar como “desinformação” todas as denúncias e críticas que lhes sejam dirigidas?[13]

3.ª “Selos de qualidade” em matéria de informação já muitos de nós sabemos bem o que representam – o ignorar e violar, por exemplo, os básicos e constitucionais o direito de “exprimir e divulgar o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio” e o princípio geral, em matéria de eleições, de “igualdade de oportunidades e de tratamento das diversas candidaturas”[14], tudo em nome dos eternamente insondáveis e insindicáveis critérios editoriais dos guardiões do pensamento dominante. 

A questão é, pois, demasiado grave para que a possamos ou queiramos ignorar, até porque já vimos, e demasiadas vezes, o que fazem auto-proclamados democratas quando se apanham com o “lápis azul” da censura e com o poder (designadamente o decorrente de maiorias absolutas ou coisas similares) nas mãos… 

Portugal (de novo) suicidado, não!

Não se trata, pois, de nada fazermos perante posições e atitudes que se nos afiguram erradas ou até bastante incorrectas. Trata-se é de não seguirmos o caminho, perigoso e anti-democrático, de, sem permitir a discussão e sem qualquer demonstração de erro, se silenciar e se segregar quem discorda de nós, deixando que “guardiões do templo” decidam em nosso nome e disfarcem a sua incompetência, a sua prepotência, e até as suas falsidades sob o manto diáfano da legitimidade dos fins (do combate à Covid-19 e à “desinformação”).

Não queiramos, pois, regressar ao passado e voltar ao país retratado pelo poeta José Carlos Ary dos Santos neste belo poema:

Era uma vez um país

de tal maneira explorado

pelos consórcios fabris

pelo mando acumulado

pelas ideias nazis

pelo dinheiro estragado

pelo dobrar da cerviz

pelo trabalho amarrado

que até hoje já se diz

que nos tempos do passado

se chamava esse país

Portugal suicidado.

Viva a Liberdade! Abaixo a Ditadura, em todas as suas formas!

 

António Garcia Pereira

________________________________________

[1] Como sucede, por exemplo, na TAP e na generalidade das empresas de novas tecnologias.

[2] O Ministério Público quer, por exemplo, levar a julgamento o funcionário de uma empresa gestora de resíduos hospitalares que denunciou um licenciamento “aligeirado” e “relâmpago” concedido à empresa.

[3] Em vigor desde Maio de 2018.

[4] Programa do governo destinado a dinamizar o consumo nos sectores mais afectados pela pandemia e que permite a utilização posterior de 50% de IVA acumulado pago nos sectores da restauração, da hotelaria e da cultura.

[5] Entretanto adquirida pelo grupo privado internacional do sector dos pagamentos Saltpay.

[6] Formalmente consagrados no art.º 37.º, n.º 1 e n.º 2º da Constituição.

[7] Proclamados no art.º 48.º, n.º 1 e n.º 2 da Constituição.

[8] Art.º 44.º da Constituição.

[9] Considero que a vacinação, se suficientemente testada e com eficácia cientificamente (e não “por encomenda política”) comprovada, constituiu um meio importante de combate à Covid-19, mas tem de assentar no princípio do livre e esclarecido consentimento.

[10] Aprovada pela Lei n.º 27.º/2021, de 17/05.

[11] De acordo com o n.º 2.

[12] Veja-se o n.º 6.

[13] Recordo que Marta Temido chegou a apresentar, junto da Ordem dos Advogados, uma queixa disciplinar contra mim, pela forma como defendi os enfermeiros em luta e critiquei a requisição civil contra eles decretada.

[14] Art.º 113.º, n.º 3, al. b) da Constituição.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

 

AS DOENÇAS AUMENTAM

Desafiamos os rumos da industrialização e mostramos que as mudanças necessárias para proteger a saúde individual são mais profundas do que uma modificação no estilo de vida.

É comum pensar que o meio mais certo para melhorar a saúde do pobre é um aumento da sua riqueza individual. Mas a busca cega de crescimento económico pode levar a caminhos estranhos e doentios. Acidentes de trânsito, por exemplo, aumentam o Produto Interno Bruto, pois gastam dinheiro tentando recompor carros e pessoas. Poluir e despoluir também contribuem para a nossa economia, mas nem tanto para nosso bem-estar físico.

Actualmente, os gastos crescentes com tecnologia sofisticada, para atender a doença, não representam uma melhoria de saúde. Os métodos fascinantes de cura e "salvamento" (característicos da medicina moderna) estão finalmente a ser vistos de forma mais realista. Começamos a perceber que a melhor maneira de controlar a maioria dos nossos problemas de saúde consiste em modificar a situação presente.





Está muito claro que o nosso principal problema de saúde é consequência da busca indiscriminada do crescimento económico. Existe um conflito fundamental entre a produção de "riquezas", como é normalmente definida, e a promoção da saúde. Não tem sentido seguir directrizes sociais e económicas que ignoram, ou até mesmo aumentam, os riscos da saúde. No entanto, na maioria das sociedades industriais, é exactamente isto que se faz. A nossa ideia de progresso social, e as muitas directrizes que adoptamos para atingir este progresso, são, na verdade, tentativas de conseguir um aumento indiscriminado da produção e do consumo de bens materiais.

As directrizes industriais, agrícolas e comerciais, geralmente não fazem distinção entre produtos socialmente úteis e "saudáveis" (como os alimentos integrais) e produtos prejudiciais (como o cigarro e alimentos super refinados, como a farinha branca). A Noruega é um dos poucos países que tem uma política mais séria, uma política que leva em consideração o que é produzido e quanto é produzido.

Mortes e traumatismos por acidente de trânsito, doenças relacionadas ao stress, provocadas pelo cigarro, alcoolismo, obesidade, cáries dentárias, e assim por diante, são cada vez mais reconhecidos como subprodutos indesejáveis, mas inevitáveis na busca frequente do desenvolvimento económico. Em lugar de produzirmos os bens de que realmente necessitamos e bens duráveis, produzimos cada vez mais mercadorias desnecessárias — e até planeamos a sua rápida deterioração. Produzindo e transportando mercadorias desnecessárias, contribuímos ainda para os acidentes e, cada vez mais, aumentamos os riscos de saúde devidos a poluentes industriais.

https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/geografia/o-que-e-impacto-ambiental.htm

 


As actividades humanas têm causado muitos impactos ambientais negativos no planeta Terra


Mais à frente agrupamos as doenças e os acidentes da era moderna por categoria económica, numa tentativa de chamar a atenção sobre o conflito entre a saúde e a busca indiscriminada do crescimento económico. Esse tipo de classificação deixa claro quais as pesquisas e medidas de prevenção necessárias. Porém, a prevenção tem que ser direccionada para as causas básicas. Campanhas e actividades preventivas, que parecem boas, podem estar erroneamente dirigidas contra sintomas e conter apenas advertências inúteis. Por exemplo: advertências moralistas e puritanas que incentivam as pessoas a "apertarem o cinto", a modificar o seu estilo de vida, a parar de fumar, a comer menos, a fazer exercícios, a dirigir com cuidado etc., têm pouco resultado. Apenas desviam a atenção das directrizes e práticas que realmente produzem o stress e os riscos. Devemos saber dirigir a nossa atenção para os factos prejudiciais a fim de eliminar ou reduzir as condições que levam as pessoas a viver mal.

Depois de reconhecer o conflito entre saúde pública e a busca indiscriminada de crescimento económico, precisamos de mudar as nossas metas sociais e económicas. Precisamos de integrar a política económica, a política social e a política de saúde, em vez de colocar as considerações económicas em primeiro lugar e criar, desta forma, problemas de saúde e problemas sociais. Por exemplo, as directrizes para a indústria e para o transporte são, em parte, directrizes para a saúde (ou antes contra a saúde). Precisamos de mudar a nossa maneira de pensar, de que as directrizes para os serviços de saúde são as adequadas para a saúde da população.

A solução para esse problema está na criação de tecnologia alternativa, ao invés de tecnologia avançada e cara que, frequentemente, desperdiça energia, gera desemprego e poluição. A solução está também numa abordagem biológica e ecológica para a agricultura, nutrição e medicina, ao invés da simples abordagem química e de engenharia. O mais importante é reconhecer que o comportamento da economia actual, tanto nos países industrializados, como nos países subdesenvolvidos, causa acidentes, doenças e mortes em escala crescente, bem como problemas com a poluição e recursos não-renováveis.

Existe nítida relação entre directrizes económicas que trazem benefícios ecológicos e directrizes económicas que favorecem a saúde pública. Por esse motivo, estão a formar-se novas associações e grupos de pressão. Estes grupos são indispensáveis. As perguntas certas, a respeito da sociedade que estamos a criar, precisam de ser divulgadas. Poucas pessoas beneficiam dessa espécie de desenvolvimento que fomenta acidentes e doenças.

COMO PRODUZIMOS

- O uso de várias substâncias químicas e tóxicas em mineração, indústria e agricultura provocam doenças e lesões ocupacionais como: doenças causadas pelo amianto e pela irradiação, cancro de pele, pulmão, bexiga e outros.

- Descuido no emprego de métodos de produção com pouca mão-de-obra acabam por  provocar lesões e mortes em acidentes de trabalho, substituição da mão-de-obra por máquinas, levando ao desemprego e, consequentemente, à ansiedade, depressão, alcoolismo e tabagismo (com bronquite e cancro do pulmão).

- A utilização crescente de seres humanos em funções repetitivas, provocam obesidade, acidentes de trabalho, alcoolismo, doenças relacionadas com tédio ou stress.

- A poluição industrial afecta não somente os trabalhadores, mas toda a população e até outros povos (por exemplo: poluição local pelo chumbo, poluição por dióxido de enxofre na Noruega, criada na Inglaterra, poluição por radiação atómica na Europa, criada na Rússia).

QUANTO PRODUZIMOS

- Pressões causando rapidez prejudicial no processo de produção provocam maior risco de acidentes. Por exemplo: acidentes de mergulho; "stress do executivo", provocando tabagismo, acidentes de trânsito, alcoolismo e obesidade.

- Pressões relacionadas com o marketing agitado e prejudicial causam as doenças relacionadas com "stress do executivo" e — onde a vida doméstica é abalada — aumentam o risco de doenças mentais

- Pressões para utilizar formas de energia que ameaçam a saúde provocam lesões e mortes por radiação atómica.

- Pressões para adoptar níveis excessivos nos stoques, nos transportes e na rotação de mão-de-obra provocam acidentes de trânsito afectando camiões, carros, autocarros e comboios. Vida doméstica abalada com os riscos mencionados

O QUE CONSUMIMOS

- Consumo de produtos que causam doenças e acidentes: Doenças provocadas pelo cigarro, cáries dentárias e outras doenças ligadas ao consumo de doces, chocolates, etc., inclusive obesidade e alguns casos de diabetes, acidentes de trânsito provocados pela bebida ou por uso de tranquilizantes ou drogas, envenenamento por pesticidas, agrotóxicos e aerossóis.

- Consumo de alimentos desvitalizados: Doenças degenerativas provocadas pelos alimentos industrializados, que não contêm elementos vitais nem fibras (por exemplo, derrame, enfarte, artritismo, etc.).

- Riscos relacionados ao lixo: Envenenamento pelo lixo químico e radioactivo, por exemplo, dos operários, da população através da contaminação de água; etc.

QUANTO CONSUMIMOS

- Pressões para consumir, isto é, propaganda do tipo "coma" e "beba": Problemas relacionados com a alimentação, como obesidade e outros problemas metabólicos, doenças reumáticas, doenças do aparelho digestivo, doenças cardiovasculares, etc.

- Pressões para repor/actualizar produtos duráveis num ritmo crescente (obsolescência planeada): Estados de ansiedade e depressão causados pela pressão financeira e pressão do tipo "não ficar para trás.

COMO COMPARTILHAMOS

- Falta crónica e deterioração de moradias e serviços (água, luz, esgotos, telefone) apesar do aumento constante dos níveis de produção e do consumo de energia, têm como resultado infecções respiratórias e gastrointestinais devidas à falta de saneamento, moradias inadequadas, super lotação e falta de abrigo. Acidentes com crianças que não têm áreas de lazer seguras e atraentes.

- Problemas crónicos de desemprego e pobreza entre subgrupos específicos da população:  Os efeitos da pobreza e do desemprego (como a desnutrição, ansiedade, depressão e as doenças relacionadas ao tabaco e às bebidas alcoólicas) ocorrem principalmente em famílias de um só cônjuge, entre migrantes que vivem nas áreas urbanas superpovoadas e decadentes, com alto nível de desemprego, em pessoas de meia-idade e velhos sem qualificação, cujo estado físico deteriorou, entre lavradores que possuem  pouca ou nenhuma terra para plantar, criar galinhas, etc.

 

Fonte: New Internationalist, nº 50

quinta-feira, 1 de julho de 2021

 

COMO AS INDUSTRIAS FARMACÊUTICAS "ENGANAM" AS PUBLICAÇÕES MÉDICAS

Por: Antony Barnett

Gigantes farmacêuticas contratam autores fantasmas para produzir artigos que assinam com nomes de médicos.

Centenas de artigos em periódicos médicos, que deveriam ter sido escritos por académicos ou médicos, foram escritos por autores "fantasmas" contratados por laboratórios farmacêuticos, como revela uma investigação da publicação The Observer.

Esses periódicos, bíblias da profissão, exercem enorme influência sobre quais os medicamentos que os médicos receitam e o tratamento proporcionado pelos hospitais. Porém, o periódico The Observer obteve provas de que muitos artigos escritos por assim chamados "académicos independentes", podem ter sido escritos por autores ao serviço de agências, que recebem grandes somas das indústrias farmacêuticas para fazer propaganda aos seus produtos.

Estimativas sugerem que, quase metade de todos os artigos publicados em periódicos, são de autoria de escritores "fantasmas". Enquanto os médicos que colocaram os seus nomes nesses trabalhos são geralmente muito bem pagos por '"emprestar" a sua reputação, os escritores fictícios permanecem ocultos. O seu envolvimento com as indústrias farmacêuticas raramente são revelados. Esses trabalhos, endossando certos medicamentos, são exibidos perante os clínicos como pesquisa independente para persuadi-los a receitar os medicamentos.

Em Fevereiro, o New England Journal of Medicine, foi forçado a revogar um artigo publicado no ano anterior, por médicos do Imperial College, em Londres, e do National Heart Institute, sobre o tratamento de um tipo de problema cardíaco. Veio à tona o facto de que vários dos autores arrolados tinham pouca ou nenhuma relação com a pesquisa. A fraude somente foi revelada quando o cardiologista alemão, o Dr. Hubert Seggewiss, um dos oito autores relacionados, telefonou para o editor do periódico para dizer que nunca tinha visto qualquer versão do trabalho publicado.

Um artigo publicado em Fevereiro último no Journal of Alimentary Pharmacology, especializado em distúrbios do estômago, envolveu um autor trabalhando para o gigante farmacêutico AstraZeneca — um facto que não foi revelado pelo autor. O artigo, escrito por um médico alemão, reconhecia a "contribuição" da Dra. Madeline Frame; porém, não admitia a sua condição de autora sénior da AstraZeneca. O artigo apoiava o uso de um medicamento chamado Omeprazole — de fabricação da AstraZeneca — indicado para úlceras gástricas, apesar de pareceres revelando mais reacções adversas do que os medicamentos similares.





Poucos dentro da indústria têm coragem suficiente para romper o silêncio. Entretanto, Susanna Rees, assistente editorial de uma agência de trabalhos sobre medicina até 2002, ficou tão preocupada com o que tinha testemunhado, que mandou uma carta para o website do British Medical Journal.As agências que escrevem artigos médicos fazem tudo o que é possível para esconder o facto de que os trabalhos que escrevem e submetem a periódicos e eventos são escritos por "fantasmas" ao serviço das empresas farmacêuticas e não pelos autores apontados”, escreveu ela. “O sucesso desses trabalhos fictícios é relativamente alto, não enorme, mas consistente”.

Susanna Rees disse que, como parte do seu trabalho, ela devia assegurar que em nenhum artigo a ser electronicamente submetido tivesse qualquer vestígio quanto à origem da pesquisa. “Um procedimento padrão que usei estabelece que, antes que um trabalho seja submetido a um jornal electronicamente ou em disco, o assistente editorial precisa de abrir o arquivo do documento no Word e eliminar os nomes da agência responsável pela redacção ou da agência de autores "fantasmas" ou da companhia farmacêutica e substitui-los pelo nome e a instituição da pessoa que foi convidada pela indústria farmacêutica (ou da agência que actua em seu nome), a ser apontada como autor principal, embora não tenha contribuído para o trabalho”, escreveu ela. Quando entraram em contacto, ela recusou-se a dar detalhes. “Assinei um acordo de confidencialidade e estou impedida de fazer comentários”, disse.

Um autor que tem trabalhado para diversas agências, não quis ser identificado por receio de não conseguir trabalho novamente. “É verdade que algumas vezes a empresa farmacêutica paga a um autor de assuntos médicos para escrever um artigo apoiando um medicamento em particular” disse ele. “Isso significa usar toda a informação publicada para escrever um artigo explicando os benefícios de um tratamento em particular. Depois, um médico conhecido será procurado para assinar o trabalho. Esse será submetido a um periódico sem que alguém saiba que um autor "fantasma" ou uma indústria farmacêutica está por trás disso. Eu concordo que isso seja provavelmente antiético, mas todas as empresas o fazem”.

Um campo onde os artigos fictícios se vem tornando um problema crescente é a o da psiquiatria. O Dr. David Healy, da Universidade de Wales, estava a realizar pesquisas sobre os possíveis perigos dos antidepressivos, quando o representante de um fabricante de medicamentos lhe mandou uma mensagem por e-mail a oferecer ajuda. A mensagem, vista pelo The Observer, dizia: “Para reduzir a sua carga de trabalho a um mínimo, pedimos que o nosso autor-fantasma produzisse um rascunho baseado no trabalho publicado por V.S.a. Veja o anexo”. O artigo era uma resenha de 12 páginas a ser apresentada num evento próximo. O nome do Dr. Healy aparecia como único autor, embora nunca tivesse visto uma única palavra desse trabalho antes. Como não gostou da brilhante resenha do medicamento em questão, sugeriu algumas mudanças.

O fabricante respondeu, dizendo que ele não tinha notado alguns pontos “comercialmente importantes”. O trabalho fictício apareceu finalmente no congresso e num periódico psiquiátrico na sua forma original — porém com o nome de outro médico. O Dr. Healy disse que tais fraudes são cada vez mais frequentes. “Acredito que 50 por cento desses artigos sobre medicamentos nos principais periódicos médicos não são escritos na forma que a pessoa comum espera... As provas que tenho visto sugerem que uma significativa proporção dos artigos em periódicos, como o New England Journal of Medicine, o British Medical Journal e o Lancet, foram escritos com a ajuda de agências”, disse ele. Não são mais que informações comerciais pagas pelas empresas farmacêuticas”.

Nos Estados Unidos, num caso levado à justiça contra a indústria farmacêutica Pfizer, apareceram documentos internos dessa empresa mostrando que ela empregava uma agência de autores de assuntos médicos de New York. Um dos documentos analisa artigos sobre o antidepressivo Zoloft. Em alguns dos trabalhos faltava somente uma coisa: o nome de um médico. Na margem, a agência tinha colocado as iniciais TBD. O Dr. Healy acha que significam to be determined (a ser determinado).

O Dr. Richard Smith, editor do British Journal Of Medicine, admitiu que os artigos fictícios são um “grande problema”. “Estamos a ser enganados pelas companhias farmacêuticas. Os trabalhos vêm com os nomes de médicos e, frequentemente, descobrimos que alguns deles não têm a menor ideia a respeito do que escreveram”, disse ele. “Quando descobrimos, rejeitamos o trabalho; mas é muito difícil. De certa forma, nós mesmos causamos o problema ao insistir que qualquer envolvimento com uma empresa farmacêutica seja divulgado. Encontraram caminho para contornar isso e vão trabalhar na clandestinidade”.
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Antony Barnett é redactor de Assuntos de Interesse Público do periódico The Observer (Grã-Bretanha). Artigo publicado em 7 de Dezembro de 2003

Conflito de interesses
Uma análise de 789 artigos dos jornais médicos mais importantes
(The Lancet, New England Journal of Medicine, Journal of the American Medical Association, Annals of Internal Medicine) mostrou que um terço dos autores titulares tinham interesses financeiros nas suas pesquisas, sob a forma de patentes, acções ou honorários das empresas, por estarem no Conselho Consultivo ou a trabalhar como directores.

Quem quiser aprofundar pode ler este pequeno livro a seguir:

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5014625/mod_resource/content/1/Medicamentos_Mortais_e_Crime_Organizado__Como_a_Indu%CC%81stria_Farmace%CC%82utica_Corrompeu_a_Assiste%CC%82ncia_Me%CC%81dica.pdf