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quarta-feira, 14 de julho de 2021

 

DESASTRES NATURAIS QUADRUPLICARAM

 

Desastres naturais quadruplicaram em 20 anos devido à mudança climática
ONG recomenda que governos agilizem a ajuda humanitária a países atingidos.
Número de vítimas passou de 174 milhões para 254 milhões.

 



Nos últimos 20 anos, o número de desastres naturais quadruplicou, segundo um relatório da organização OXFAM, que recomenda que os Governos e a ONU agilizem a concessão de ajudas humanitárias.
Oxfam International é uma confederação de 13 organizações e mais de 3000 parceiros, que actua em mais de 100 países tentando encontrar soluções para o problema da pobreza e da injustiça.


O número de pessoas atingidas todos os anos por estas catástrofes passou de 174 milhões, entre 1985 e 1994, para 254 milhões no período de 1995 a 2004, indica o documento, intitulado "Alarme Climático". Desde 1980, a ocorrência de inundações cresceu cerca de sete vezes enquanto o número de episódios geotérmicos - terramotos ou erupções vulcânicas - se manteve relativamente estável.


A directora da Oxfam, Barbara Stocking, afirmou que é preciso preparar-se desde já para enfrentar um número crescente de desastres naturais no futuro, pois, caso contrário, os organismos dedicados à ajuda humanitária ver-se-ão abarrotados de trabalho e deitarão por terra  todos os avanços obtidos no sector.


Apesar de as grandes crises, como a da fome em África no começo dos anos 80, o ciclone que atingiu o Bangladesh em 1991 ou o tsunami asiático, causarem o maior número de mortes, é cada vez mais preocupante a proliferação de desastres de "média magnitude". O número de vítimas mortais neste tipo de desastre passou de 6 mil, em 1980, para 14 mil em 2005. E entre 2000 e 2019, foram registados 6681 desastres naturais pelo mundo, que resultaram em 1,23 milhões de mortos. Esses desastres levaram a uma perda de 2,5 mil milhões de euros em danos materiais.

A representante especial do secretário-geral da ONU para a redução de riscos de desastres e líder da UNISDR (Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres), a japonesa Mami Mizutori, declarou que  “O risco de catástrofe converteu-se em algo sistémico, com alguns desastres a influenciarem outros de tal forma que a nossa resistência está a ser levada ao limite”

A representante realçou ainda que, apesar de “mais vidas terem sido salvas” nas últimas duas décadas, “mais pessoas, em termos gerais, estão a ser afectadas pela crescente emergência climática”. “Sem uma recuperação verde, só vamos aumentar a emergência climática”, insistiu Mami Mizutori, advertindo que esta emergência pode ter efeitos mais nefastos do que a actual crise da covid-19. “A covid-19 sensibilizou realmente os governos e o público em geral para os riscos que nos rodeiam. Se vêem que a covid-19 é tão terrível, a emergência climática pode ser ainda pior”, concluiu.

As inundações - que duplicaram - e as tempestades foram os desastres naturais mais frequentes nas últimas duas décadas, de acordo com o relatório da UNISDR. Para a próxima década, a ONU antevê que o pior problema serão as vagas de calor.



Por menores que sejam estes fenómenos, a sua rápida sucessão pode levar cidades e comunidades pobres a uma espiral descendente da qual será muito difícil recuperarem. Para piorar as coisas, adverte a Oxfam, os países ricos costumam dar preferência às nações que sofrem catástrofes de grande magnitude ou que estão em linha com as suas prioridades de política externa.

 
Há também a questão de países que são mais propensos a sofrer desastres meteorológicos, como o Vietname, que foi atingido por graves inundações que devastaram as províncias centrais do país. Mais tarde, foi a vez do tufão "Lekima" afectar a nação, causando grandes deslizamentos de terra e novas inundações de uma magnitude desconhecida nos últimos anos. Além disso, as secas estão a tornar-se cada vez mais frequentes.

 

sábado, 10 de julho de 2021

 

VIVA A LIBERDADE!

 

O Dr. Garcia Pereira publicou em Julho de 2021 no NOTÍCIAS ONLINE um texto verdadeiramente excepcional onde denuncia a nova ditadura que controla o país. E como deve circular o máximo possível resolvi publicá-lo neste meu bloque. Esta nova ditadura já tem em execução a censura de toda a informação que possa correr pelos meios de comunicação social, mas com a Internet é inteiramente impossível "apanhar" tudo aquilo que achem ser contra os seus interesses e classificam como desinformação ou contra a segurança do "seu" Estado maçónico feito para manter os seus privilégios e perpectuar o seu poder.

 

Vejamos:

Viva a Liberdade! Abaixo a Ditadura, em todas as suas formas!

Os gritos de “Viva a Liberdade! Abaixo a Ditadura!” que, antes do 25 de Abril, levaram quem os proferisse a ser vigiado, perseguido, preso e torturado estão, todavia, e por mais terrível que isto possa parecer, a tornar-se cada vez mais actuais. Dirão alguns que se trata de um exagero, que já não há Pide, que podemos falar livremente e que, ao menos formalmente, vivemos em Liberdade e Democracia. A verdade, porém, é que, em matéria de expressão de ideias e opiniões, porventura teremos ainda a liberdade de gritarmos a nossa revolta, mas apenas no deserto ou para dentro de um poço e (quase) só isso, enquanto os nossos dados e os nossos movimentos são rigorosamente vigiados.

Com efeito, vigora cada vez mais a “lei da rolha”, quer no sector laboral privado (com as crescentes cláusulas, políticas salariais e outras, e regimes ditos de “confidencialidade”[1]), quer no sector público (com a perseguição implacável, inclusive criminal, a quem ouse denunciar irregularidades e ilegalidades)[2]. E agora, e como melhor veremos mais adiante, assistimos nas próprias redes sociais aos novos senhores do mundo digital (a começar pelo Facebook e pelo Twitter) a defenderem e a aplicar, sem direito de defesa ou contraditório, medidas de censura. 

Novas Pides

1. Enquanto escasseia o dinheiro para acorrer aos necessitados e famintos, sobra ao Estado um milhão de euros para melhorar a Plataforma para o Intercâmbio da Informação Criminal, o chamado “google dos polícias”.

2. Conforme se descobriu finalmente, a Câmara Municipal de Lisboa tratou de ceder, mais de uma centena de vezes, os dados pessoais (incluindo telefone e morada!) de responsáveis de manifestações, não apenas a vários serviços e polícias portuguesas (do SIS ao SEF), como também às embaixadas dos países contra cujos governos se realizavam tais manifestações e que são conhecidos pelos métodos pidescos que usam relativamente aos respectivos dissidentes (da Rússia a Israel, passando por Angola e pelo Irão), em completa e claríssima violação quer da lei nacional, quer do Regulamento Comunitário de Protecção de Dados[3].

3. Confirmou-se recentemente que todos os dados pessoais que são transmitidos pelos passageiros às companhias aéreas, incluindo a TAP (nome, morada, telefone, identificação das pessoas com que viajam, número de malas, etc.) são colocados, pelo menos durante 5 anos, numa mega base de dados a que acedem serviços de informações e polícias de todo o mundo.

4. Foi revelado que diversos sites públicos portugueses (SNS, PSP, Governo, etc.) forneceram à Google os dados de navegação dos cidadãos que a eles acederam.

5. Os dados pessoais dos cidadãos que aderiram ao IVAUCHER[4] (nome, NIF, morada, n.º das contas bancárias, etc.) foram entregues pelo governo português a uma empresa privada, a Pagaqui[5].

6. O Governo tratou de, através de uma Portaria do presente mês de Junho, atribuir aos administradores de insolvência – que não são magistrados nem polícias – o poder de acederem aos dados dos cidadãos constantes da Autoridade Tributária, dos Registos Civil, Comercial, Predial e Automóvel, da Segurança Social, da Caixa Geral de Aposentações e até do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP).

Como vemos, existem várias “Pides”, com diversos e variados nomes e, sobretudo, com meios infinitamente mais sofisticados do que os da velha polícia política. 

A Covid-19 e a destruição de Democracia 

O alegado combate à pandemia da Covid-19 é, todavia, o pior e o mais significativo exemplo do que é este processo de corrosão e de completa deliquescência da Liberdade e da Democracia. Como é hoje fácil de verificar (não só em Portugal), o verdadeiro debate (quer científico, quer político) sobre esta matéria foi por completo impedido e abafado. As vozes divergentes foram silenciadas ou reduzidas à expressão mais ínfima que permita manter uma aparência de Democracia. A liberdade de expressão sem qualquer tipo ou forma de censura, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informado sem impedimentos nem discriminações[6], na prática, estão reduzidos a quase nada.

Com a “prestimosa” e insubstituível colaboração, quer dos gigantes das redes sociais, quer da maioria da Comunicação Social (quase toda falida e dependente seja das receitas da publicidade, seja dos apoios estatais e, logo, tendente a ser “responsável” e “colaborante” com o Poder e com os poderes), tornou-se propositadamente impossível discutir quer a “estratégia” (melhor, as estratégias, porque foram mudando, às vezes de semana para semana…) política e administrativa de combate à doença, quer os fundamentos alegadamente científicos em que se baseavam. 

Os direitos dos cidadãos de tomarem parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país e de serem esclarecidos objectivamente sobre actos de Estado e demais entidades públicas e de serem informados pelo governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos[7] foram varridos do mapa. Propaganda é a palavra mais adequada para definir aquilo a que vimos assistindo. E agora até já vemos – tal como sucedeu pouco antes do golpe militar de 28 de Maio de 1926, que pôs fim à I República e instaurou a Ditadura – vozes a sustentar que “isto só vai lá com os militares no Poder!”. 

Não se apostou a sério na testagem e na realização em massa dos inquéritos epidemiológicos para se determinar onde estavam as cadeias de transmissão e a melhor forma de a estancar; não se definiram, muito menos com a precisão e celeridade que se impunham, quais eram os alvos mais vulneráveis e que, logo, maior protecção precisavam; encerraram-se milhares de velhos em lares e residências (muitos deles, cerca de 3.500, ilegais, coisa que toda a gente sabia, mas que o governo só descobriu agora) sem quaisquer condições higiénicas e sanitárias e deixaram-se tais cidadãos morrer que nem tordos, por uma forma de actuar cuja responsabilidade política, e mesmo jurídico-criminal, está ainda hoje por apurar, e assim se pretende que permaneça (sempre sob o famigerado “argumento” de que “em tempo de incêndios não se atacam os bombeiros”); não se aproveitou o Verão do ano passado para se reforçar a sério o depauperado SNS, em termos logísticos, materiais e sobretudo humanos; não se apostou a tempo – como só agora se começa a falar – na sequenciação do mais que previsível surgimento das novas variantes de um vírus como este. 

Por outro lado, ainda hoje não se sabe exactamente como distinguir os pacientes que, padecendo de outras patologias, faleceram (também) com Covid daqueles que, como causa directa e necessária, morreram de Covid. E as entidades públicas resistem a disponibilizar os dados oficiais dos óbitos, como se de segredos nucleares se tratasse! 

Ora, com um Serviço Nacional de Saúde gravemente deteriorado e até, nalguns sectores, desmantelado – e que só conseguiu sobreviver mercê do esforço sobre-humano e até heróico dos seus profissionais, dos médicos e enfermeiros aos técnicos e auxiliares –, foram praticamente abandonados durante mais de um ano os doentes não Covid, actuação esta com terríveis consequências para os portadores de doenças crónicas mais graves (como, por exemplo, as oncológicas, as cardio-vasculares e as respiratórias) e com o aumento drástico da sua mortalidade (quer por não detecção precoce, quer por não acompanhamento e tratamento adequado).

Fez-se, na verdade, uma clara opção de classe, disfarçando-a com argumentos científicos (como o de que o vírus não “atacaria” nos superlotados transportes públicos e hipermercados), mantendo-se a trabalhar os trabalhadores dos serviços considerados essenciais, de actividades insusceptíveis de teletrabalho (da produção agrícola à construção civil, dos transportes, públicos e privados, e da recolha de lixo aos supermercados), colocou-se em teletrabalho o essencial do sector dos serviços e encerraram-se sectores inteiros como a restauração e o comércio local, com consequências absolutamente desastrosas para a economia e, logo, para a subsistência e sobrevivência das pessoas. Mas, obviamente, nada disto pôde ser adequadamente discutido e qualquer tentativa de debate foi logo abafada sob os epítetos de “negacionistas”, “adeptos das teorias da conspiração” e quejandos, com os resultados que agora se começam a ver.

E nem vale a pena repisar o óbvio – em nome do combate ao vírus, os portugueses têm de ficar encerrados em casa, mas já os ingleses podem vir a Portugal sob o pretexto de assistirem (mesmo que em Albufeira…) à final da “Champions League” que, recorde-se, o governo inglês não quis que se realizasse no seu próprio país. Repisa-se todos os dias que é preciso manter o distanciamento social, mas todos os dias vemos altos responsáveis do Estado (do Presidente da República ao Primeiro Ministro) a ostensivamente não respeitarem esse distanciamento. As forças policiais, que tanta energia mostram para dispersar “festas ilegais” de dezenas de jovens, nada fazem perante grandes concentrações, designadamente desportivas. 

E, ainda agora, estamos à espera do inquérito necessário para se saber como foi possível a forma como correram os festejos da conquista do campeonato de futebol e – mais importante ainda – se houve alguma contribuição desse acontecimento, e qual, para a disseminação da Covid-19 (já que, para a mortalidade, parece evidente que não terá havido, pelo menos de forma significativa), e que conclusões se poderiam e deveriam retirar daí. 

Como, porém, o adequado esclarecimento de tudo isto poria em causa muitas das autênticas falsidades que são diariamente vendidas como verdades absolutas, melhor é deixar tudo no nevoeiro e continuar na via das meras medidas de restrição, tantas vezes estúpidas e irracionais, dos direitos dos cidadãos. Por exemplo, a última proibição de saída da Área Metropolitana de Lisboa para os seus habitantes, como forma de pretenso combate à Covid-19, deu este resultado: quem tem possibilidades e meios financeiros para tal (uma vez mais!), pôde sair à hora de almoço de sexta-feira e ir para qualquer ponto do país e os que ficaram dentro dela puderam circular livremente, inclusive entre zonas muito diversas e com graus de incidência da Covid-19 muito distintos!? 

Qual a eficácia – e nem esse seria um critério único ou sequer essencial – desta medida, ninguém conseguiu demonstrar. E, bem pior do que isso, dentro da lógica de que os fins justificariam os meios, temos um direito constitucionalmente consagrado[8], como é o direito de deslocação a ser restringido a até eliminado, fora de qualquer estado de sítio ou de emergência, e não por lei, mas por um acto regulamentar como uma Resolução do Conselho de Ministros. E temos até uma Justiça Administrativa (neste caso, do próprio Supremo Tribunal Administrativo), cada vez mais próxima das teorias (de antes do 25 de Abril) da presunção de legalidade de todos os actos da Administração e de que o Estado tem sempre razão, a considerar que não há aqui qualquer inconstitucionalidade!?

Uma vacinação “livre” e “esclarecida”?

Quanto à vacinação – e atenção, eu não sou “anti-vacina”, pelo contrário![9] – passa-se algo semelhante. Os temas relativos a possíveis efeitos adversos, inclusive a morte, de cada uma das vacinas e a respectiva dimensão real, a razão de ser do seu (des)aconselhamento a diferentes escalões etários ou estados de saúde ou de gravidez e até as mudanças desse (des)aconselhamento, as vantagens e desvantagens já conhecidas de cada uma das ditas vacinas, os critérios que levaram o Governo a adquirir umas e não outras, ainda que absolutamente indispensáveis para a formação de um consentimento verdadeiramente livre e informado, são, todavia, temas absolutamente tabus e a lógica é a de que o cidadão leva a vacina que lhe derem, quando derem e como derem e também nesta matéria deve é “comer e calar”. Ainda por cima, apesar do silêncio anti-científico que se tentou impor, já se sabe que não só cidadãos vacinados podem contrair a infecção (1/3 dos que estão internados nos hospitais estarão nessa situação), como também cidadãos vacinados podem transmitir a doença. 

O certificado Covid e a proscrição dos “impuros” 

Ora, o que se está a tratar de se impor – uma vez mais contra a lei e contra a Constituição, mas também contra a Ciência – é a obrigatoriedade do chamado passaporte sanitário ou “certificado digital Covid,” tornando a sua posse e exibição requisito indispensável, não só para que o cidadão possa circular, inclusive dentro do seu próprio país, mas até para que possa ir às compras, tomar uma refeição ou simplesmente aceder a um espaço público!? 

Justificação científica para semelhante atrocidade anti-constitucional não há nenhuma, até porque, repito, mesmo os vacinados podem transmitir a Covid-19 e, sobretudo, porque se continua a não conseguir determinar com o mínimo de exactidão quais as causas e as cadeias da transmissão. Mas as consequências sociais e políticas são gravíssimas, pois a partir daqui teremos a “raça pura” dos vacinados – que podem circular livremente, apesar de poderem estar também a disseminar a infecção – e os “impuros” e “inferiores” não vacinados – culpados de todos os males de Covid e, assim, “legitimamente” condenados a uma eterna “prisão domiciliária” e outras medidas restritivas.

E como se faz relativamente aos “impuros” que os interesses económicos e financeiros dominantes exigem que continuem a trabalhar e, logo, a deslocar-se entre casa e trabalho e trabalho e casa? É simples: ou se lhes impõe um “passe” que só lhes permite circular nesse percurso e nesse período, ou se lhes impõe, sob a ameaça de despedimento com justa causa em caso de recusa, a vacinação, embora se continue a dizer que esta é voluntária!?… 

Praticantes do “bem” e verdades “oficiais”

Esta técnica de gestão política, assente na divisão entre os cidadãos e, como vimos, sem base quer científica, quer jurídico-constitucional é, todavia, o que está a ser imposto todos os dias. Para que essa imposição seja mais fácil, é essencial proteger o “unanimismo” oficial e fechar a boca aos renitentes e divergentes. Ora, no essencial na Comunicação Social, escrita e falada, isso já está hoje assegurado pelos “praticantes do bem”, ou seja, pelos censores, digo, editores de serviço.

Nas redes sociais, o art.º 6.º da famigerada “Carta Portuguesa dos Direitos Humanos da Época Digital”[10] prevê que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vigie, analise, decida e puna condutas de pessoas singulares e colectivas que pratiquem alegada “desinformação”. E esta é definida como “toda a narrativa comprovadamente falsa ou enganadora, criada, apresentada e divulgada para obter vantagens económicas ou para enganar deliberadamente o público, e que seja susceptível de causar um prejuízo público, nomeadamente ameaça aos processos políticos democráticos, aos processos de elaboração de políticas públicas e a bens públicos”[11]. A mesma lei estabelece que “O Estado apoia a criação de estruturas de verificação de factos por órgãos da comunicação social devidamente registados” e que “incentiva a atribuição de selos de qualidade por entidades fidedignas dotadas do estatuto de utilidade pública”[12] (sic). 

Tudo isto levanta três questões incontornáveis:

1.ª É claro que as ideias propositadamente falsas e enganosas devem ser combatidas e rebatidas. Mas isso faz-se, sobretudo e acima de tudo, pelo debate ideológico e não por medidas de censura administrativa; faz-se pela força e justeza dos nossos argumentos e não pelo tapar da boca de quem discorda – por ventura dura e até erradamente – de nós. 

2.ª “Quem guarda o guarda?” Quem controla, e de que forma, o modo como a ERC e as tais “estruturas de verificação” vão decidir que uns têm direito a que as suas opiniões sejam expressas e conhecidas e outros não? Como o pode alguém avaliar correctamente se, desde logo, não for avaliado também? E alguém tem dúvidas de que personagens políticos como o Primeiro-Ministro, a Ministra da Saúde ou o Ministro da Administração Interna e aqueles que apoiam tenderão a qualificar como “desinformação” todas as denúncias e críticas que lhes sejam dirigidas?[13]

3.ª “Selos de qualidade” em matéria de informação já muitos de nós sabemos bem o que representam – o ignorar e violar, por exemplo, os básicos e constitucionais o direito de “exprimir e divulgar o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio” e o princípio geral, em matéria de eleições, de “igualdade de oportunidades e de tratamento das diversas candidaturas”[14], tudo em nome dos eternamente insondáveis e insindicáveis critérios editoriais dos guardiões do pensamento dominante. 

A questão é, pois, demasiado grave para que a possamos ou queiramos ignorar, até porque já vimos, e demasiadas vezes, o que fazem auto-proclamados democratas quando se apanham com o “lápis azul” da censura e com o poder (designadamente o decorrente de maiorias absolutas ou coisas similares) nas mãos… 

Portugal (de novo) suicidado, não!

Não se trata, pois, de nada fazermos perante posições e atitudes que se nos afiguram erradas ou até bastante incorrectas. Trata-se é de não seguirmos o caminho, perigoso e anti-democrático, de, sem permitir a discussão e sem qualquer demonstração de erro, se silenciar e se segregar quem discorda de nós, deixando que “guardiões do templo” decidam em nosso nome e disfarcem a sua incompetência, a sua prepotência, e até as suas falsidades sob o manto diáfano da legitimidade dos fins (do combate à Covid-19 e à “desinformação”).

Não queiramos, pois, regressar ao passado e voltar ao país retratado pelo poeta José Carlos Ary dos Santos neste belo poema:

Era uma vez um país

de tal maneira explorado

pelos consórcios fabris

pelo mando acumulado

pelas ideias nazis

pelo dinheiro estragado

pelo dobrar da cerviz

pelo trabalho amarrado

que até hoje já se diz

que nos tempos do passado

se chamava esse país

Portugal suicidado.

Viva a Liberdade! Abaixo a Ditadura, em todas as suas formas!

 

António Garcia Pereira

________________________________________

[1] Como sucede, por exemplo, na TAP e na generalidade das empresas de novas tecnologias.

[2] O Ministério Público quer, por exemplo, levar a julgamento o funcionário de uma empresa gestora de resíduos hospitalares que denunciou um licenciamento “aligeirado” e “relâmpago” concedido à empresa.

[3] Em vigor desde Maio de 2018.

[4] Programa do governo destinado a dinamizar o consumo nos sectores mais afectados pela pandemia e que permite a utilização posterior de 50% de IVA acumulado pago nos sectores da restauração, da hotelaria e da cultura.

[5] Entretanto adquirida pelo grupo privado internacional do sector dos pagamentos Saltpay.

[6] Formalmente consagrados no art.º 37.º, n.º 1 e n.º 2º da Constituição.

[7] Proclamados no art.º 48.º, n.º 1 e n.º 2 da Constituição.

[8] Art.º 44.º da Constituição.

[9] Considero que a vacinação, se suficientemente testada e com eficácia cientificamente (e não “por encomenda política”) comprovada, constituiu um meio importante de combate à Covid-19, mas tem de assentar no princípio do livre e esclarecido consentimento.

[10] Aprovada pela Lei n.º 27.º/2021, de 17/05.

[11] De acordo com o n.º 2.

[12] Veja-se o n.º 6.

[13] Recordo que Marta Temido chegou a apresentar, junto da Ordem dos Advogados, uma queixa disciplinar contra mim, pela forma como defendi os enfermeiros em luta e critiquei a requisição civil contra eles decretada.

[14] Art.º 113.º, n.º 3, al. b) da Constituição.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

 

AS DOENÇAS AUMENTAM

Desafiamos os rumos da industrialização e mostramos que as mudanças necessárias para proteger a saúde individual são mais profundas do que uma modificação no estilo de vida.

É comum pensar que o meio mais certo para melhorar a saúde do pobre é um aumento da sua riqueza individual. Mas a busca cega de crescimento económico pode levar a caminhos estranhos e doentios. Acidentes de trânsito, por exemplo, aumentam o Produto Interno Bruto, pois gastam dinheiro tentando recompor carros e pessoas. Poluir e despoluir também contribuem para a nossa economia, mas nem tanto para nosso bem-estar físico.

Actualmente, os gastos crescentes com tecnologia sofisticada, para atender a doença, não representam uma melhoria de saúde. Os métodos fascinantes de cura e "salvamento" (característicos da medicina moderna) estão finalmente a ser vistos de forma mais realista. Começamos a perceber que a melhor maneira de controlar a maioria dos nossos problemas de saúde consiste em modificar a situação presente.





Está muito claro que o nosso principal problema de saúde é consequência da busca indiscriminada do crescimento económico. Existe um conflito fundamental entre a produção de "riquezas", como é normalmente definida, e a promoção da saúde. Não tem sentido seguir directrizes sociais e económicas que ignoram, ou até mesmo aumentam, os riscos da saúde. No entanto, na maioria das sociedades industriais, é exactamente isto que se faz. A nossa ideia de progresso social, e as muitas directrizes que adoptamos para atingir este progresso, são, na verdade, tentativas de conseguir um aumento indiscriminado da produção e do consumo de bens materiais.

As directrizes industriais, agrícolas e comerciais, geralmente não fazem distinção entre produtos socialmente úteis e "saudáveis" (como os alimentos integrais) e produtos prejudiciais (como o cigarro e alimentos super refinados, como a farinha branca). A Noruega é um dos poucos países que tem uma política mais séria, uma política que leva em consideração o que é produzido e quanto é produzido.

Mortes e traumatismos por acidente de trânsito, doenças relacionadas ao stress, provocadas pelo cigarro, alcoolismo, obesidade, cáries dentárias, e assim por diante, são cada vez mais reconhecidos como subprodutos indesejáveis, mas inevitáveis na busca frequente do desenvolvimento económico. Em lugar de produzirmos os bens de que realmente necessitamos e bens duráveis, produzimos cada vez mais mercadorias desnecessárias — e até planeamos a sua rápida deterioração. Produzindo e transportando mercadorias desnecessárias, contribuímos ainda para os acidentes e, cada vez mais, aumentamos os riscos de saúde devidos a poluentes industriais.

https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/geografia/o-que-e-impacto-ambiental.htm

 


As actividades humanas têm causado muitos impactos ambientais negativos no planeta Terra


Mais à frente agrupamos as doenças e os acidentes da era moderna por categoria económica, numa tentativa de chamar a atenção sobre o conflito entre a saúde e a busca indiscriminada do crescimento económico. Esse tipo de classificação deixa claro quais as pesquisas e medidas de prevenção necessárias. Porém, a prevenção tem que ser direccionada para as causas básicas. Campanhas e actividades preventivas, que parecem boas, podem estar erroneamente dirigidas contra sintomas e conter apenas advertências inúteis. Por exemplo: advertências moralistas e puritanas que incentivam as pessoas a "apertarem o cinto", a modificar o seu estilo de vida, a parar de fumar, a comer menos, a fazer exercícios, a dirigir com cuidado etc., têm pouco resultado. Apenas desviam a atenção das directrizes e práticas que realmente produzem o stress e os riscos. Devemos saber dirigir a nossa atenção para os factos prejudiciais a fim de eliminar ou reduzir as condições que levam as pessoas a viver mal.

Depois de reconhecer o conflito entre saúde pública e a busca indiscriminada de crescimento económico, precisamos de mudar as nossas metas sociais e económicas. Precisamos de integrar a política económica, a política social e a política de saúde, em vez de colocar as considerações económicas em primeiro lugar e criar, desta forma, problemas de saúde e problemas sociais. Por exemplo, as directrizes para a indústria e para o transporte são, em parte, directrizes para a saúde (ou antes contra a saúde). Precisamos de mudar a nossa maneira de pensar, de que as directrizes para os serviços de saúde são as adequadas para a saúde da população.

A solução para esse problema está na criação de tecnologia alternativa, ao invés de tecnologia avançada e cara que, frequentemente, desperdiça energia, gera desemprego e poluição. A solução está também numa abordagem biológica e ecológica para a agricultura, nutrição e medicina, ao invés da simples abordagem química e de engenharia. O mais importante é reconhecer que o comportamento da economia actual, tanto nos países industrializados, como nos países subdesenvolvidos, causa acidentes, doenças e mortes em escala crescente, bem como problemas com a poluição e recursos não-renováveis.

Existe nítida relação entre directrizes económicas que trazem benefícios ecológicos e directrizes económicas que favorecem a saúde pública. Por esse motivo, estão a formar-se novas associações e grupos de pressão. Estes grupos são indispensáveis. As perguntas certas, a respeito da sociedade que estamos a criar, precisam de ser divulgadas. Poucas pessoas beneficiam dessa espécie de desenvolvimento que fomenta acidentes e doenças.

COMO PRODUZIMOS

- O uso de várias substâncias químicas e tóxicas em mineração, indústria e agricultura provocam doenças e lesões ocupacionais como: doenças causadas pelo amianto e pela irradiação, cancro de pele, pulmão, bexiga e outros.

- Descuido no emprego de métodos de produção com pouca mão-de-obra acabam por  provocar lesões e mortes em acidentes de trabalho, substituição da mão-de-obra por máquinas, levando ao desemprego e, consequentemente, à ansiedade, depressão, alcoolismo e tabagismo (com bronquite e cancro do pulmão).

- A utilização crescente de seres humanos em funções repetitivas, provocam obesidade, acidentes de trabalho, alcoolismo, doenças relacionadas com tédio ou stress.

- A poluição industrial afecta não somente os trabalhadores, mas toda a população e até outros povos (por exemplo: poluição local pelo chumbo, poluição por dióxido de enxofre na Noruega, criada na Inglaterra, poluição por radiação atómica na Europa, criada na Rússia).

QUANTO PRODUZIMOS

- Pressões causando rapidez prejudicial no processo de produção provocam maior risco de acidentes. Por exemplo: acidentes de mergulho; "stress do executivo", provocando tabagismo, acidentes de trânsito, alcoolismo e obesidade.

- Pressões relacionadas com o marketing agitado e prejudicial causam as doenças relacionadas com "stress do executivo" e — onde a vida doméstica é abalada — aumentam o risco de doenças mentais

- Pressões para utilizar formas de energia que ameaçam a saúde provocam lesões e mortes por radiação atómica.

- Pressões para adoptar níveis excessivos nos stoques, nos transportes e na rotação de mão-de-obra provocam acidentes de trânsito afectando camiões, carros, autocarros e comboios. Vida doméstica abalada com os riscos mencionados

O QUE CONSUMIMOS

- Consumo de produtos que causam doenças e acidentes: Doenças provocadas pelo cigarro, cáries dentárias e outras doenças ligadas ao consumo de doces, chocolates, etc., inclusive obesidade e alguns casos de diabetes, acidentes de trânsito provocados pela bebida ou por uso de tranquilizantes ou drogas, envenenamento por pesticidas, agrotóxicos e aerossóis.

- Consumo de alimentos desvitalizados: Doenças degenerativas provocadas pelos alimentos industrializados, que não contêm elementos vitais nem fibras (por exemplo, derrame, enfarte, artritismo, etc.).

- Riscos relacionados ao lixo: Envenenamento pelo lixo químico e radioactivo, por exemplo, dos operários, da população através da contaminação de água; etc.

QUANTO CONSUMIMOS

- Pressões para consumir, isto é, propaganda do tipo "coma" e "beba": Problemas relacionados com a alimentação, como obesidade e outros problemas metabólicos, doenças reumáticas, doenças do aparelho digestivo, doenças cardiovasculares, etc.

- Pressões para repor/actualizar produtos duráveis num ritmo crescente (obsolescência planeada): Estados de ansiedade e depressão causados pela pressão financeira e pressão do tipo "não ficar para trás.

COMO COMPARTILHAMOS

- Falta crónica e deterioração de moradias e serviços (água, luz, esgotos, telefone) apesar do aumento constante dos níveis de produção e do consumo de energia, têm como resultado infecções respiratórias e gastrointestinais devidas à falta de saneamento, moradias inadequadas, super lotação e falta de abrigo. Acidentes com crianças que não têm áreas de lazer seguras e atraentes.

- Problemas crónicos de desemprego e pobreza entre subgrupos específicos da população:  Os efeitos da pobreza e do desemprego (como a desnutrição, ansiedade, depressão e as doenças relacionadas ao tabaco e às bebidas alcoólicas) ocorrem principalmente em famílias de um só cônjuge, entre migrantes que vivem nas áreas urbanas superpovoadas e decadentes, com alto nível de desemprego, em pessoas de meia-idade e velhos sem qualificação, cujo estado físico deteriorou, entre lavradores que possuem  pouca ou nenhuma terra para plantar, criar galinhas, etc.

 

Fonte: New Internationalist, nº 50

quinta-feira, 1 de julho de 2021

 

COMO AS INDUSTRIAS FARMACÊUTICAS "ENGANAM" AS PUBLICAÇÕES MÉDICAS

Por: Antony Barnett

Gigantes farmacêuticas contratam autores fantasmas para produzir artigos que assinam com nomes de médicos.

Centenas de artigos em periódicos médicos, que deveriam ter sido escritos por académicos ou médicos, foram escritos por autores "fantasmas" contratados por laboratórios farmacêuticos, como revela uma investigação da publicação The Observer.

Esses periódicos, bíblias da profissão, exercem enorme influência sobre quais os medicamentos que os médicos receitam e o tratamento proporcionado pelos hospitais. Porém, o periódico The Observer obteve provas de que muitos artigos escritos por assim chamados "académicos independentes", podem ter sido escritos por autores ao serviço de agências, que recebem grandes somas das indústrias farmacêuticas para fazer propaganda aos seus produtos.

Estimativas sugerem que, quase metade de todos os artigos publicados em periódicos, são de autoria de escritores "fantasmas". Enquanto os médicos que colocaram os seus nomes nesses trabalhos são geralmente muito bem pagos por '"emprestar" a sua reputação, os escritores fictícios permanecem ocultos. O seu envolvimento com as indústrias farmacêuticas raramente são revelados. Esses trabalhos, endossando certos medicamentos, são exibidos perante os clínicos como pesquisa independente para persuadi-los a receitar os medicamentos.

Em Fevereiro, o New England Journal of Medicine, foi forçado a revogar um artigo publicado no ano anterior, por médicos do Imperial College, em Londres, e do National Heart Institute, sobre o tratamento de um tipo de problema cardíaco. Veio à tona o facto de que vários dos autores arrolados tinham pouca ou nenhuma relação com a pesquisa. A fraude somente foi revelada quando o cardiologista alemão, o Dr. Hubert Seggewiss, um dos oito autores relacionados, telefonou para o editor do periódico para dizer que nunca tinha visto qualquer versão do trabalho publicado.

Um artigo publicado em Fevereiro último no Journal of Alimentary Pharmacology, especializado em distúrbios do estômago, envolveu um autor trabalhando para o gigante farmacêutico AstraZeneca — um facto que não foi revelado pelo autor. O artigo, escrito por um médico alemão, reconhecia a "contribuição" da Dra. Madeline Frame; porém, não admitia a sua condição de autora sénior da AstraZeneca. O artigo apoiava o uso de um medicamento chamado Omeprazole — de fabricação da AstraZeneca — indicado para úlceras gástricas, apesar de pareceres revelando mais reacções adversas do que os medicamentos similares.





Poucos dentro da indústria têm coragem suficiente para romper o silêncio. Entretanto, Susanna Rees, assistente editorial de uma agência de trabalhos sobre medicina até 2002, ficou tão preocupada com o que tinha testemunhado, que mandou uma carta para o website do British Medical Journal.As agências que escrevem artigos médicos fazem tudo o que é possível para esconder o facto de que os trabalhos que escrevem e submetem a periódicos e eventos são escritos por "fantasmas" ao serviço das empresas farmacêuticas e não pelos autores apontados”, escreveu ela. “O sucesso desses trabalhos fictícios é relativamente alto, não enorme, mas consistente”.

Susanna Rees disse que, como parte do seu trabalho, ela devia assegurar que em nenhum artigo a ser electronicamente submetido tivesse qualquer vestígio quanto à origem da pesquisa. “Um procedimento padrão que usei estabelece que, antes que um trabalho seja submetido a um jornal electronicamente ou em disco, o assistente editorial precisa de abrir o arquivo do documento no Word e eliminar os nomes da agência responsável pela redacção ou da agência de autores "fantasmas" ou da companhia farmacêutica e substitui-los pelo nome e a instituição da pessoa que foi convidada pela indústria farmacêutica (ou da agência que actua em seu nome), a ser apontada como autor principal, embora não tenha contribuído para o trabalho”, escreveu ela. Quando entraram em contacto, ela recusou-se a dar detalhes. “Assinei um acordo de confidencialidade e estou impedida de fazer comentários”, disse.

Um autor que tem trabalhado para diversas agências, não quis ser identificado por receio de não conseguir trabalho novamente. “É verdade que algumas vezes a empresa farmacêutica paga a um autor de assuntos médicos para escrever um artigo apoiando um medicamento em particular” disse ele. “Isso significa usar toda a informação publicada para escrever um artigo explicando os benefícios de um tratamento em particular. Depois, um médico conhecido será procurado para assinar o trabalho. Esse será submetido a um periódico sem que alguém saiba que um autor "fantasma" ou uma indústria farmacêutica está por trás disso. Eu concordo que isso seja provavelmente antiético, mas todas as empresas o fazem”.

Um campo onde os artigos fictícios se vem tornando um problema crescente é a o da psiquiatria. O Dr. David Healy, da Universidade de Wales, estava a realizar pesquisas sobre os possíveis perigos dos antidepressivos, quando o representante de um fabricante de medicamentos lhe mandou uma mensagem por e-mail a oferecer ajuda. A mensagem, vista pelo The Observer, dizia: “Para reduzir a sua carga de trabalho a um mínimo, pedimos que o nosso autor-fantasma produzisse um rascunho baseado no trabalho publicado por V.S.a. Veja o anexo”. O artigo era uma resenha de 12 páginas a ser apresentada num evento próximo. O nome do Dr. Healy aparecia como único autor, embora nunca tivesse visto uma única palavra desse trabalho antes. Como não gostou da brilhante resenha do medicamento em questão, sugeriu algumas mudanças.

O fabricante respondeu, dizendo que ele não tinha notado alguns pontos “comercialmente importantes”. O trabalho fictício apareceu finalmente no congresso e num periódico psiquiátrico na sua forma original — porém com o nome de outro médico. O Dr. Healy disse que tais fraudes são cada vez mais frequentes. “Acredito que 50 por cento desses artigos sobre medicamentos nos principais periódicos médicos não são escritos na forma que a pessoa comum espera... As provas que tenho visto sugerem que uma significativa proporção dos artigos em periódicos, como o New England Journal of Medicine, o British Medical Journal e o Lancet, foram escritos com a ajuda de agências”, disse ele. Não são mais que informações comerciais pagas pelas empresas farmacêuticas”.

Nos Estados Unidos, num caso levado à justiça contra a indústria farmacêutica Pfizer, apareceram documentos internos dessa empresa mostrando que ela empregava uma agência de autores de assuntos médicos de New York. Um dos documentos analisa artigos sobre o antidepressivo Zoloft. Em alguns dos trabalhos faltava somente uma coisa: o nome de um médico. Na margem, a agência tinha colocado as iniciais TBD. O Dr. Healy acha que significam to be determined (a ser determinado).

O Dr. Richard Smith, editor do British Journal Of Medicine, admitiu que os artigos fictícios são um “grande problema”. “Estamos a ser enganados pelas companhias farmacêuticas. Os trabalhos vêm com os nomes de médicos e, frequentemente, descobrimos que alguns deles não têm a menor ideia a respeito do que escreveram”, disse ele. “Quando descobrimos, rejeitamos o trabalho; mas é muito difícil. De certa forma, nós mesmos causamos o problema ao insistir que qualquer envolvimento com uma empresa farmacêutica seja divulgado. Encontraram caminho para contornar isso e vão trabalhar na clandestinidade”.
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Antony Barnett é redactor de Assuntos de Interesse Público do periódico The Observer (Grã-Bretanha). Artigo publicado em 7 de Dezembro de 2003

Conflito de interesses
Uma análise de 789 artigos dos jornais médicos mais importantes
(The Lancet, New England Journal of Medicine, Journal of the American Medical Association, Annals of Internal Medicine) mostrou que um terço dos autores titulares tinham interesses financeiros nas suas pesquisas, sob a forma de patentes, acções ou honorários das empresas, por estarem no Conselho Consultivo ou a trabalhar como directores.

Quem quiser aprofundar pode ler este pequeno livro a seguir:

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5014625/mod_resource/content/1/Medicamentos_Mortais_e_Crime_Organizado__Como_a_Indu%CC%81stria_Farmace%CC%82utica_Corrompeu_a_Assiste%CC%82ncia_Me%CC%81dica.pdf

sábado, 26 de junho de 2021

 

O HOMEM E A VIDA NO UNIVERSO

 

E agora, uma pequena exposição, do ponto de vista da Religião, do mesmo campo vibracional a que os cientistas chamaram Campo de Ponto Zero e os teólogos chamam de Espírito Santo.

 


Todo o Universo está mergulhado num "Oceano" de vibrações, dos mais diferentes comprimentos de onda que estabelecem a diferença dentro da unicidade. Todo o espaço, mesmo aquele que os cientistas acreditavam que só existia vácuo, onde as galáxias rodopiam longe umas das outras, tem pelo menos uma molécula a girar mantendo coesa essa consciência colectiva universal.

Os cientistas chamaram a este estado do campo energético vibracional o "Campo de Ponto Zero". A Religião considera este espaço como o Oceano do Espírito Santo.

Todos os seres, vivos ou não vivos, estrelas, planetas, astros, poeiras, estão conectados com este Oceano. Cada objecto, cada ser, tem uma molécula deste Oceano. Está tudo interligado. Essa consciência, a consciência de Deus, está em todos. É a memória ROM de todas as coisas.

 


Quando um dos seres (vivo ou não vivo) se manifesta, vai buscar o conhecimento a esse Oceano, através da molécula de que é portador, e tudo o que diz respeito ao que pretende vai para a sua memória RAM (portanto, aleatória que será desligada quando não for necessária. Mas o conhecimento está sempre lá, no Oceano ou "computador Central" para os cientistas).

Podem achar estranho eu fazer referência a "seres não vivos", pois a ciência ainda não conseguiu estabelecer uma fronteira de separação entre os "vivos" e os "não vivos".  A priori, um homem, um leão, uma avestruz, uma sardinha, um carvalho e uma roseira, têm vida. Uma pedra, um pedaço de gelo, um objecto artificial - mesa, candeeiro ou máquina - não a têm, certamente. Se partirmos um pão, por exemplo, ou cortarmos uma barra de ferro, verificamos mais tarde que no pão se vai formando uma camada de mofo e no ferro uma camada de ferrugem. Neste caso não podemos afirmar que o mofo e a ferrugem tenham vida porque «são semelhantes ao homem, ao leão ou à avestruz», nem podemos afirmar tão-pouco que não a têm porque se assemelham «a uma pedra, mineral ou máquina». O problema é mais complexo e se soubéssemos, apenas, quais as diferenças entre vivo e não vivo, a classificação talvez se simplificasse, mas a verdade é que a investigação científica já avançou de tal modo, na matéria, que acabou por levantar dúvidas quase irrespondíveis.

Uma importante distinção para separar o vivo do não vivo, é o facto de praticamente todos os seres vivos serem constituídos por uma substância chamada protoplasma, a qual se dispõe em unidades conhecidas por células.

Neste caso, o estudo do protoplasma é o estudo da vida, e aceita-se como verdadeiro que todas as actividades dos seres vivos se baseiam nesta substância, inexistente nos não vivos - com excepção, é claro, de alguns como o vírus, por exemplo.

Um segundo ponto de diferença é que os primeiros reagem ao meio ambiente onde se encontram e são irritáveis, não com o significado de cólera mas sim com o significado de movimento; se pusermos um grão de areia e uma semente de milho sobre o terreno, lado a lado, verificamos que o grão de areia permanece ali indefinidamente, estático, enquanto que a semente, devido à exposição ao calor, humidade, frio e outros agentes, germina e dá origem a um novo ser, ou seja: reage e movimenta-se. Naturalmente que o movimento não está confinado somente aos seres vivos, pois a água de um rio também se move, se bem que por influências exteriores, a lava de um vulcão é expelida por influências internas da crosta terrestre, assim como o deslocamento de terras - sismos -, enquanto que os seres se movem por estas influências e, o que é mais importante, por outras internas.

Quanto ao desenvolvimento, também notamos diferenças entre eles: os não vivos aumentam de tamanho por acrescentamento, por adição ao volume existente da mesma substância, enquanto que o vivo tem a faculdade de reproduzir a própria espécie.

Em resumo: os seres vivos têm as qualidades de conterem protoplasma, reagirem ao meio ambiente, crescerem e reproduzirem a espécie, pelo que podemos determinar que o mofo está vivo, visto ter estas características, o que já não sucede com a ferrugem que consideramos, por consequência, não viva.

Estes são os princípios básicos para o reconhecimento da vida, havendo entretanto, como atrás dissemos, excepções que criam uma incerteza neles e na fronteira de divisão aceites até agora, como o caso dos vírus, essas formas pequeníssimas e impossíveis de se verem com os microscópios ópticos normais.

 


Os vírus desenvolvem-se e reproduzem-se apenas em células vivas, não podendo viver noutros meios, e são responsáveis por muitas doenças nos animais e no homem - mais de setenta - entre elas a varíola, febre-amarela, paralisia infantil, raiva, encefalite e ultimamente pela pandemia que assola o mundo, o Covid-19.

Com o microscópio electrónico é possível fotografá-los, e essas fotografias mostram pequenas partículas que têm um tamanho e formas definidas, não se sabendo ao certo se são os vírus propriamente, ou formas cristalinas que contenham o verdadeiro vírus. A verdade é que para uma dada doença essas formas cristalinas, ou vírus, têm precisamente o mesmo formato e tamanho.

Pelos pontos que definem os seres vivos, os vírus assemelham-se um pouco a eles, em certos aspectos, pois adaptam-se ao meio e multiplicam-se, mas não têm protoplasma: contêm apenas proteínas e ácidos nucleicos - e outras substâncias por vezes - que se encontram no protoplasma.

Entretanto há quem defende a hipótese de não terem vida porque, pelas experiências que se fizeram, não podiam suportar as condições e tratamentos a que foram submetidos.

É claro que não se pode dar uma classificação definitiva ao vírus, embora seja considerado semelhante aos seres vivos em certos aspectos e não semelhante noutros. Podemos talvez considerá-lo como um elo de ligação entre a vida e não vida, como que na fronteira de separação próxima da bactéria, considerada como a mais baixa forma de vida conhecida, surgindo também dúvidas na classificação de certos seres que se encontram entre as bactérias e os vírus, como que num elo de ligação.

Certos microorganismos parecem estar colocados entre o vírus e a bactéria, na escala da vida conhecida, como, por exemplo, o micróbio responsável pela psicatose e várias outras doenças que, na aparência, se assemelham a uma bactéria e no entanto são classificados como vírus grandes e complexos. Tal vírus - anormal - também só pode reproduzir-se e crescer em células vivas, estando sujeitos a um ciclo de evolução por divisão, desintegrando a célula onde se encontram. Pelos estágios que passam, nessa evolução, são como bactérias e podem ser coloridos do mesmo modo que estas, o que já não se  consegue fazer com o vírus.

A título de curiosidade, e para arrematar esta pequena nota, posso adiantar que, segundo Jacques Bergier em Os Livros Malditos, o padre Watson, professor de Biologia Molecular  e Bioquímica da Universidade de Havard (USA), descobriu algo de novo e fantástico: os sexos das bactérias.

Segundo um apontamento sobre Max Heindel, no Conceito Rosacruz do Cosmo: "A vida, que é evidente nos seres humanos e se reconhece nos animais, está igualmente presente nos próprios estados elementares da matéria, embora tão informe, tão indefinidamente diluída, que escapa aos nossos sentidos e métodos de pesquisa. Por outras palavras, espírito e matéria são duas faces, ou fases, de uma mesma realidade que podemos considerar espírito-matéria. Por isso, a matéria, nas condições óptimas, tende espontaneamente a vitalizar-se, e a vida, nas mesmas condições, tende a hominizar-se".

O homem, muito mais complexo na sua estrutura, sofre influências em número superior aos restantes seres, tendo necessidade absoluta - para sua defesa - de deixar mecanizados certos actos biológicos que o Espírito mantém cuidadosamente em funcionamento sem a acção consciente da parte racional. São os actos instintivos e os hábitos que apesar de não estarem sob a orientação directa e consciente do ser, espírito consciente, não deixam de ser exactos, como exactos são todos os actos provocados pelo instinto nos seres inferiores.

Nos minerais, "seres não vivos" as diferenças entre uns e outros supõem, como nos humanos, uma escala social, com uns mais perfeitos - mais puros ou nobres - notando-se nitidamente a escolha que fazem quando pretendem uma mistura.

Existem "ligas" entre os minerais, os quais aceitam certas misturas para a formação de compostos que o Homem aproveita e utiliza na sua tecnologia. Mas o Homem também já tentou provocar compostos, por processos artificiais, sem resultados, nalguns casos pela falta de "cooperação" de certos minerais que se juntam como que acasalados e repelem outros como que em guerra. Faz-nos lembrar uma afirmação de Martin Lutero, reformador religioso e fundador do protestantismo, que reproduzo textualmente: "o casamento não é só algo natural, mas sim também um dom divino que proporciona a mais doce, grata e honesta das vidas, inclusive mais do que o celibato, desde que o casamento saia bem. O casamento está imerso em toda a natureza porque em todas as criaturas há o macho e a fêmea. Também as árvores se casam. Inclusive entre as rochas e as pedras se dá o casamento".

Sim, também entre os vegetais subsiste uma escala evolutiva desde a planta mais simples até à mais completa, onde algumas chegam ao ponto de adquirirem a faculdade de movimento de intenção, ou tentativa de animalização, como as insectívoras. Ao que parece, o mundo vegetal é estático, um mundo de seres que não andam nem gritam, um mundo silencioso de vida inconsciente. Mas isso não corresponde à realidade, pois os vegetais movem-se, amam-se, vivem em comunidade e respiram. O que acontece é o Homem, com os seus sentidos imperfeitos, ser incapaz de apreciar estas características tendo de recorrer a dispositivos delicadíssimos para captar tais manifestações.

Com material fotossensível e outros aparelhos de investigação científica, o ser humano fez descobertas inacreditáveis no mundo vegetal. Descobriu que as plantas vivem simultaneamente no espaço e no tempo, onde - no tempo - devido a factores internos, actuam com uma periodicidade de autênticos relógios biológicos, com ritmos cuja frequência é muito semelhante à dos animais. Pode assegurar-se até, com as devidas cautelas, que a planta "sonha" e "sabe" quando deve descansar.

Pela acção de factores externos - luz, calor, gravidade e clima, entre outros - movem-se lenta e matematicamente. Outras movem-se relativamente depressa, como as insectívoras ao apanharem a sua presa e aquelas que durante o dia mantêm as suas flores completamente abertas e, ao anoitecer, as recolhem.

As plantas não vivem isoladamente e as suas comunidades são bastante curiosas, constituindo autênticas colectividades nas quais estão asseguradas desde a fecundação - realizada pelos insectos e pelos ventos - até ao urbanismo mais avançado, no que se refere a disposição climática e produção. Os cruzamentos e mutações estão perfeitamente organizados.

E para que a semelhança entre reinos Animal e Vegetal sejam mais completas, confundindo a fronteira do consciente e inconsciente, as plantas sofrem alterações no seu estado natural e produzem verdadeiras doenças, até agora atribuídas apenas aos animais, como o chamado cancro vegetal, provocado por uma bactéria, que é uma cópia verdadeira do processo canceroso nos tecidos celulares animais.

Para finalizar, a reacção das plantas aos estímulos, ou seja a sua sensibilidade, parece confirmar a existência de um sistema nervoso rudimentar, cuja actuação não se conhece ao certo. A verdade é que, experimentalmente, está provado as plantas "sentirem" e serem emocionais.

 


Portanto, voltando ao Oceano do Espírito Santo, foi por este motivo que, ao estudarem o cérebro humano, ou de outros seres que serviram de cobaias, nunca conseguiram encontrar uma gaveta de arquivo que pudessem sinalizar sempre que preciso. Depois de fazerem experiências, eliminando zonas do cérebro que "naquele momento" portavam o conhecimento que queriam estudar, posteriormente encontravam o mesmo "conhecimento", cujo suporte tinham eliminado, noutro local do cérebro, chegando à conclusão de que as memórias, o conhecimento, o raciocínio, não estava localizado numa zona fixa do cérebro, mas sim numa "consciência" exterior que podia ser evocada quando necessário. Ou seja, em termos informáticos o cérebro liga com uma memória virtual. O disco rígido está fora, nesse Oceano vibracional.

Para o ser "espiritualizado" (aquele que já percebeu que transporta em si esse átomo de Deus a que chama simplesmente como o Espírito que lhe foi doado quando "nasceu" como indivíduo) a prioridade é então consolidar essa conexão com o saber universal e evoluir até se fundir com esse átomo e transformar-se num ser de luz.

Com o avanço progressivo na espiritualização (pelo estudo, meditação e muita oração) essa ligação vai-se aperfeiçoando cada vez mais. Não se sabe como ou porquê que a oração é um método muito eficaz para a espiritualização.

Todas as "coisas" vibram numa dada frequência e é como numa telefonia. Na telefonia vamos mudando de frequência e encontramos estações diferentes, Quando não estamos sintonizados não "apanhamos" nada. Quando sintonizamos uma frequência conseguimos o contacto em condições para interagir.

O Espírito está constantemente a comunicar para nós. A tentar ajudar a formação da nossa Alma que é o nosso "Eu" que vai aprendendo com a mistura da experiência adquirida no mundo material e conhecimento transmitido vindo do Espírito Universal de Deus.

A princípio toda essa transmissão é recebida como intuição, os tais pressentimentos que assolam toda a gente. Racionalmente o indivíduo quer tomar determinada atitude mas tem o pressentimento que não é assim e acaba por agir movido pelo coração. Conforme for evoluindo os pressentimentos tornam-se mais claros chegando ao ponto em que se transformam em certezas. Isto não é mais do que o indivíduo começar a "compreender" o que o seu Espírito lhe quer transmitir em todas as circunstâncias da sua vida.

A partir de dado momento, depois de muito treino e oração, o individuo consegue a "chave" da vida, pois intui imediatamente o que vem mais à frente. Começa a ver o mundo com mais nitidez e a aperceber-se da "verdade", libertando-se do mundo ilusório em que sempre viveu e das muitas forças obscuras que tudo fazem para que o ser humano não acorde.

Aqueles que optam pela vida material, nesta dimensão mais baixa, acabam por desligar essa conexão com Deus e ser completamente absorvidos pelo submundo invisível povoado de "demónios" que nunca se conseguirão espiritualizar e só sobrevivem sugando os sentimentos dos seres humanos que povoam o mundo material visível.

Creio que um Universo Central é a criação da eternidade, e sete Superuniversos são as Criações do Tempo. Este Grande Universo é a Criação actual, já organizada e habitada, não levando em conta os grupos exteriores e remotos de universos não organizados.

 

Portanto, existe o Universo Central que se vai expandindo e bem afastados no espaço, a uma distância enorme estão-se a acumular circuitos vastos de forças e energia, que se materializam.

Como o Grande Universo é infinito e está em expansão, vão-se criando novos e novos Universos numa escala que não conseguimos imaginar e ainda mais difícil de imaginar quando nos revelam a existência dos diversos planos dimensionais desde a matéria mais densa até à matéria mais diáfana em que todos os Seres Criados (vivos e não vivos) ocupam o mesmo espaço comum. Sabemos da existência de sete planos dimensionais, os Sete Céus mas só nos revelaram três e a informação do plano, ou céu, acima daquele em que existimos.

Numa experiência espiritual em que o Apóstolo Paulo contemplou a transcendência divina, que nenhuma palavra humana jamais poderá descrever, ou seja, na sua segunda epístola aos Coríntios (12:2-4) diz: "Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado ao terceiro céu. Se estava em seu corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe. Sei apenas que esse homem – se no corpo ou fora do corpo não sei; Deus o sabe! – foi arrebatado até ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, que não são permitidas ao homem repetir". (Naquele tempo só lhe foi permitido saber da existência de três Céus).

Acredito que a verdadeira religião é "Viva" e portanto não está estática para nós, sendo-nos reveladas fases mais avançadas conforme o grau de evolução da humanidade na altura. Há conceitos que hoje, por exemplo, são reconhecidos e considerados normais na nossa cultura actual e que seriam completamente impossíveis de serem assimilados nos tempos bíblicos. No campo científico é a mesma coisa. O conhecimento é progressivo, mas a humanidade sofre grandes atrasos, principalmente no desenvolvimento do Poder que Deus deu ao Homem, porque em dado momento a Ciência separou-se da Religião.

Há factos relativos ao mundo material e vida material que estão sob a alçada do conhecimento científico, e há factos de natureza espiritual que só poderão ser proveitosos se a Ciência aceitar e trabalhar em conjunto com os mestres da espiritualidade. Para isso a humanidade tem que acabar com os tabus e sair da influência nefasta que lhe fez uma autêntica lavagem cerebral para repudiar imediatamente tudo aquilo que "cheire" a religião.

Deus é uma Entidade, que para o nosso patamar de evolução, tem três "personalidades". O Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai tem a função de Deus, assim como o Filho e o Espírito Santo. Cada um foi revelado conforme o grau de evolução da humanidade.

Em primeiro lugar foi incutido na Mente do Homem a existência do Deus único (Pai), ideia que prevaleceu em todo o Antigo Testamento. Em segundo lugar foi revelado o Filho (Jesus na Terra) que veio alargar a "aliança" que Deus tinha acordado com os humanos "escolhidos" e preparados para expandirem a revelação e os mandamentos de Deus pelo resto do Mundo (o que falhou), para o resto da humanidade – Novo Testamento. Agora já não havia um "povo escolhido" mas sim toda a humanidade tinha a possibilidade da Salvação e consequente evolução a caminho do Paraíso, o Reino de Deus, desde que aceitassem serem "filhos" de Deus. Em terceiro lugar, quando o Filho subiu aos Céus deixou na Terra o Espírito Santo, ou seja qualquer humano que porta em si uma Centelha do Espírito Divino (todo o ser humano é Corpo, Mente e Espírito) está sempre conectado a Deus. É pela conexão do nosso Espírito com o Espírito Santo que Deus sabe tudo sobre os seus filhos e os ajuda desde que o Homem aprenda a ouvir o seu Espírito. Para os cépticos basta mudar os nomes e aceitar o Campo de Ponto Zero e "acreditar" na Física Quântica.

O segredo é o "acreditar". A Fé é que move montanhas, cria milagres e faz as coisas acontecerem. A Religião e a Ciência serão apenas o "gatilho" que fará despoletar essa Fé.

Portanto, normalmente, a sistemática utilizada na humanidade utiliza muito a repartição em três. Neste caso, para maior compreensão da Trindade, seguindo o conceito de que "o que está em cima está em baixo" e "o microcosmos é como o macrocosmos", em que tudo está interligado, pensemos no corpo humano, por exemplo, composto pela cabeça tronco e membros e no Homem triúno, conhecido por todas as religiões e grupos esotéricos, composto pela Mente, o Corpo e o Espírito. A Mente, como ponto nevrálgico no cérebro (funcionando no cérebro) portanto não palpável, etérea, diáfana. Para permitir dar continuidade à sua acção imaginativa, de criação ou decisão, precisa de um instrumento material que execute as suas ordens que, neste caso, é o Corpo denso. O Corpo é a ferramenta que executa o que a Mente ordena. O Espírito é o elemento que dá a Vida, é o elemento vital para que a Mente e o Corpo funcionem. Portanto esta trindade forma o Homem.

Em Deus, o princípio será o mesmo, simplificando até demais, só para maior compreensão. Grosso modo O Pai cria e dirige. É um ente incorpóreo que utiliza como ferramenta de execução o Filho que toma a forma corpórea, ou outra forma conforme os planos dimensionais onde se processa a evolução, desde o mais diáfano ao mais denso como o da Terra, e o Espírito Santo é a energia, o sopro vital que banha todas as formas vivas. O Espírito que vivifica o corpo de um ser vivo provém de Deus e vai "aconselhando" o portador durante a vida material, só que muitos portadores não o escutam ou quando o escutam não sabem interpretar a mensagem, pelo que a humanidade andou sempre transviada recebendo esporadicamente uma revelação ou "empurrão" mais forte para determinado caminho. Este Espírito interior sendo uma fracção absoluta da própria essência perfeita divina, está virtualmente imune ao erro e completamente livre do pecado (erro consciente e premeditado).  O Espírito então busca a personalidade através da sua união definitiva com o hospedeiro humano, e o homem busca a DIVINDADE e ETERNIDADE  através da sua união com o Espírito.

Quando o homem segue a liderança deste Espírito interior, que na prática significa fazer a Vontade de Deus, ele consegue eternizar-se, alcançar a sobrevivência. Desta eterna fusão Deus-Homem surge, então, um novo ser (formação da Alma), exclusivo e original, único por toda a eternidade, dotado de valores e significados singulares, um verdadeiro filho do Homem, pela composição material do corpo, e filho de Deus, pela centelha de espírito que lhe dá a vida.

Os seja: Assim como o Homem, depois de dissecado pela psicologia, psiquiatria e metafísica, apresenta outras facetas em que como entidade apresenta várias personalidades, podemos pensar o mesmo sobre Deus. Uma entidade com as várias personalidades que atuam em conjunto, em separado ou em parceria conforme as necessidades, o que dificulta muito a qualquer ser humano, no grau evolutivo em que está, perceber o conceito da Trindade.

Agora que Jesus, depois da nova aliança, desta vez extensiva a toda a humanidade (a primeira aliança foi apenas com os Hebreus, o povo escolhido para dar seguimento à semente implantada do Ser humano criado com novas capacidades superiores ao restante dos povos que habitavam a Terra), quando ascendeu aos Céus, deixou na Terra o Espírito Santo. Todos aqueles que "procuram" orientação e têm Fé em Deus e conseguem reunir as condições necessárias para serem "baptizados" com o Espírito Santo são abençoados, e o seu espírito fica melhor conectado com o Espírito Universal e beneficiam de melhor orientação para desenvolverem os seus dons pessoais e evoluírem para a imortalidade da Alma. É assim que Deus é omnipresente em toda a criação porque o Seu Espírito está em todo o lado. Quando oramos a Deus aquela centelha que nos vivifica e está conectada com a "Casa Mãe" transmite instantaneamente tudo aquilo que sentimos e pensamos para o Espírito Santo (Deus). E é pela mesma via que recebemos as respostas que consideramos como a "inspiração" que nos faz tomar as atitudes corretas.

Aqueles que permanecem na escuridão (que não crêem em Deus), por ignorância ou por escolha, não beneficiam dessa Graça e vivem amarguradamente e numa falsa felicidade.

Portanto: A personalidade de Deus incorporada neste Universo, como sendo o Seu Filho Unigénito, é Jesus. Em outros Universos, a incorporação do Filho faz-se no suporte próprio desse universo

Pode ser um corpo material, um corpo etéreo, um corpo de luz, um corpo baseado no carbono, no cilício ou qualquer outro elemento da natureza, ou num corpo de gás, etc. Cada Universo tem as suas características próprias que derivam, ainda assim, conforme os planos dimensionais de cada um. Mas, pelo menos, um plano dimensional é comum a todos os Universos, por onde comunicam, transitam e trabalham as hostes celestes, as hierarquias invisíveis, com os inúmeros “auxiliares” e “especialistas” vindos do Universo Central, os “operários” e “obreiros” destacados para cada missão.

Ou seja: devemos orar (e não rezar, pois a diferença é que ao orar falamos directamente a Deus com palavras nossas e rezar trata-se da repetição automática de textos memorizados que se debitam sem pensar) directamente ao Pai, sem intermediários, em privado e não sob o jugo de práticas institucionalizadas e rituais impostos, na maior parte sem compreendermos o alcance do que estamos a repetir.

E sempre que surjam dúvidas, normalmente levantadas pelas diversas interpretações da Bíblia que essas instituições (Igrejas) apresentam, não há nada como ler a própria Bíblia e confiar na inspiração do Espírito Santo, o Espírito vivificador que banha todo o Universo. Para isso portamos uma Centelha do Espírito Divino e Jesus deixou na Terra (o planeta que estava em quarentena e sob custódia dos seres celestiais que o governavam) o Espírito Santo para nos assistir doravante.

Pela oração individual essa ligação torna-se cada vez mais forte e a nossa consciência vai-se ampliando cada vez mais.

Os homens foram orientados para templos de oração, procurando o espírito de Deus, sem atenderem ao ensinamento importante do apóstolo Paulo na sua primeira carta aos Coríntios, em 3:16, que diz muito claramente: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?".

É um erro sonhar com Deus distante nos céus porque o espírito do Pai Universal vive dentro da nossa própria mente.

Jesus ensinou o homem a ter a sua fé individual, sem mediadores, em que o ser humano é que toma as suas decisões livres (por isso é que Deus lhe deu o livre arbítrio) sem estar "preso" a determinada igreja com a sua Teologia determinada por leis humanas, muitas delas impostas para benefício da instituição e de todos os que dela vivem.

Para finalizar:

O Homem, o Ser Criado à semelhança do seu criador é constituído pelo Espírito que lhe dá a vida, pela Mente que cria e pelo Corpo que executa (3 em 1). Deus (para que possamos compreender com facilidade o conceito da Trindade) também é “constituído” por três facetas personalizadas: o Pai que Cria ou ordena o que deve ser feito (a Mente), o Filho que executa (o Corpo) e o Espírito Santo que vivifica (o Espírito).

No Homem, a Mente não sobrevive sem o Corpo e o Espírito, ou o Corpo, por si sós, não podem existir, e o Espírito por si só não tem razão de existir no Homem. Estas três componentes em 1, é que formam o corpo humano.

Assim como o Homem é a junção-em-um destes três componentes, A Entidade Etéria, O Criador de tudo, a que chamamos Deus (Deus é uma função e não um indivíduo) também resulta da junção de três componentes que se manifestam conforme a Sua vontade.