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sábado, 5 de outubro de 2019


COMPREENDENDO AS SEIS COSMOVISÕES DOMINANTES NO MUNDO

Autor: Dr. David Noebel

Forcing Change, Volume 4, Edição 2.

(Tradução minha para português de Portugal, sem adopção às regras do acordo ortográfico de 1990, e sem alterar o sentido do texto original. R)

Nota: Este artigo foi extraído do capítulo introdutório do livro Understanding the Times (Compreendendo os Tempos), do Dr. David A. Noebel, (Summit Press, Manitou Springs CO, 2006). Esse livro fornece uma comparação detalhada das seis cosmovisões discutidas neste artigo e pode ser adquirido no site do autor em http://www.summit.org. Porções do texto original foram editadas e reescritas por Chuck Edwards para compor este artigo.

 

No início dos anos noventa, o Dr. James Dobson e Gary Bauer procuraram identificar aquilo que viam acontecer com os jovens cristãos. A conclusão deles foi que:

"... nada menos do que uma grande guerra civil de valores ocorre hoje na América do Norte. Dois lados com cosmovisões tremendamente diferentes e incompatíveis estão travados num conflito amargo que permeia cada nível da sociedade." [1].

A guerra, conforme Dobson e Bauer a descreveram, é uma luta "pelos corações e mentes das pessoas; é uma guerra de ideias." [2].

De um lado está a cosmovisão Cristã, a base da civilização ocidental. Do outro lado estão cinco cosmovisões: o Islamismo, o Humanismo Secular, o Marxismo, o Humanismo Cósmico e o Pós-Modernismo. Embora essas cinco cosmovisões não concordem em cada detalhe, elas concordam unanimemente num ponto: a sua oposição ao Cristianismo bíblico.

Como em qualquer guerra, existem baixas e as ideias anticristãs fazem as suas vítimas. Pesquisas recentes indicam que até 59% dos universitários que se declaram cristãos "nascidos de novo" mudam de categoria por volta do último ano dos seus cursos. De acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisas de George Barna, nove de cada dez adultos que se declaram "cristãos" não têm uma cosmovisão bíblica. Para efetivamente se envolverem nessa batalha ideológica, os cristãos precisam de ter uma compreensão dos tempos e "saber aquilo que precisam de fazer" (1 Crónicas 12:32 - dos filhos de Issacar, destros na ciência dos tempos, para saberem o que Israel devia fazer, duzentos de seus chefes e todos os seus irmãos, que seguiam a sua palavra; -- Versão Almeida Revista e Corrigida).

 

O Que É uma Cosmovisão?


Todos baseiam as suas decisões e acções numa cosmovisão. Podemos não ser capazes de articular a nossa cosmovisão e ela também pode ser inconsistente, porém todos nós temos uma cosmovisão. Portanto, a pergunta é: o que é uma cosmovisão?

Uma cosmovisão é uma "estrutura interpretativa", [4] uma espécie de par de lentes por meio das quais vemos todas as coisas. A cosmovisão refere-se a qualquer conjunto de ideias, crenças ou valores que forneçam uma estrutura ou mapa para ajudá-lo a compreender Deus, o mundo, e o seu relacionamento com Deus e com o mundo. Especificamente, uma cosmovisão contém uma determinada perspectiva relacionada com pelo menos cada uma das seguintes dez disciplinas: Teologia, Filosofia, Ética, Biologia, Psicologia, Sociologia, Direito, Política, Economia e História. [4].

Este artigo resume as seis cosmovisões que atualmente exercem mais influência no mundo. Existem outras cosmovisões, mas elas são menos importantes em termos de influência. Por exemplo, o Confucionismo, o Budismo, o Taoísmo, o Hinduísmo e o Xintoísmo podem influenciar profundamente alguns países orientais, mas dificilmente afetam todo o mundo. As principais ideias e sistemas de crenças que controlam o mundo e, especialmente o Ocidente, estão contidos nas seguintes seis cosmovisões:


A Cosmovisão Cristã


Muitas pessoas, incluindo muitos cristãos, não percebem que a Bíblia trata todas as dez disciplinas de uma cosmovisão. O Cristianismo é a incorporação da afirmação de Jesus Cristo de que Ele é "o caminho, a verdade e a vida" (João 14:6). Quando dizemos: "Este é o caminho cristão", queremos dizer que este é o modo como Cristo nos faria tratar a vida e o mundo. Não é uma questão de pouca importância pensar e agir como Cristo nos instruiu.
 
 

Os EUA são descritos como um país cristão. Entretanto, os EUA — juntamente com toda a civilização do mundo ocidental — afastaram-se de sua herança intelectual, cultural e religiosa. Cerca de trinta anos atrás, o filósofo cristão Francis Schaeffer observou a tendência do país em direção ao secularismo como uma falha dos cristãos "em verem que tudo isto (a ruptura cultural e social) ocorreu devido a uma mudança na cosmovisão, isto é, por meio de uma transformação fundamental no modo geral como as pessoas pensam e veem o mundo e a vida como um todo." [6].

O estudo das cosmovisões em geral e da cosmovisão cristã, em particular, é um chamamento ao despertar para todos. Uma nação que procura promover os direitos humanos (incluindo o direito de nascer), a liberdade e o bem comum precisa de aderir à única cosmovisão que pode explicar a nossa existência e dignidade. Afirmamos que a dignidade humana advém do facto de termos sido criados à imagem de Deus, uma perspectiva singularmente bíblica. O abandono dessa perspectiva traz sérias consequências; basta observar o crescimento no número de abortos, nas práticas homossexuais, na eutanásia, no casamento entre pessoas do mesmo sexo, a pesquisa com células-tronco embrionárias e a tendência em direção à clonagem humana.


A Cosmovisão Islâmica


O número de muçulmanos é estimado em 1,3 mil milhões de seguidores. [7]. Nos anos recentes, a cosmovisão islâmica cresceu exponencialmente em número, poder e influência e, portanto, merece ser incluída no nosso estudo. Um artigo publicado teve o seguinte título: "O Futuro Pertence ao Islão" [8], o que fornece um incentivo adicional para que compreendamos as suas crenças e objetivos.

Escrevendo em The Sword of the Prophet (A Espada do Profeta), o comentarista e consultor em política internacional Serge Trifkovic explicou que "o Islão não é uma 'mera' religião; é todo um modo de vida e um sistema social, político e jurídico que envolve tudo e que gera uma cosmovisão peculiar para si mesmo". [9].

O Cristianismo e o Islão têm alguns ensinamentos em comum, incluindo a crença em um Deus pessoal, a criação do universo material, anjos, imortalidade da alma, céu, inferno e julgamento dos pecados. Da mesma forma, os muçulmanos aceitam Jesus como um profeta (um entre muitos), o Seu nascimento virginal, a Sua ascensão física, a Sua segunda vinda, os Seus milagres e o Seu papel como Messias. [10].

As grandes diferenças entre o Cristianismo e o Islão são: a rejeição do Islão do Deus bíblico triúno e da morte substituta de Jesus pelos pecados do mundo. Os muçulmanos também rejeitam a ressurreição física de Jesus dos mortos e a Sua reivindicação de ser o Filho de Deus.

Outra grande diferença entre o fundador do Cristianismo e o fundador do Islão é que a Bíblia descreve Jesus como alguém que teve uma vida imaculada, enquanto que as tradições do Islão retratam Maomé com muitas falhas e imperfeições.

"A prática e constante encorajamento de Maomé para o derramamento de sangue", escreve Trifkovic, "são singulares na história das religiões. Assassinatos, pilhagens, estupros e mais assassinatos estão no Alcorão e nas tradições." [11].

Além disso, a vida de Maomé "parece ter impressionado os seus seguidores com uma crença profunda no valor do derramamento de sangue como um modo de abrir as portas do Paraíso". [12]. Assim, desde o ano 622 até ao presente, a história do Islão tem sido de violência, submissão e guerra contra os infiéis (qualquer um que não seja muçulmano).

Para muitos muçulmanos, um dos legados mais importantes é ver o mundo como um conflito entre a Terra da Paz (Dar al-Islam) e a Terra da Guerra (Dar al-Harb). Por outro lado, existem muitos muçulmanos, particularmente aqueles que vivem em países ocidentais democráticos, que não creem nas passagens violentas do Alcorão sobre matar os infiéis e que a história violenta do Islão deva ser aplicada literalmente hoje. [13]. Todavia, em ambos os casos, o Islão é uma cosmovisão contra a qual os cristãos precisam de lutar.


A Cosmovisão Humanista Secular


O Humanismo Secular (também chamado de Humanismo Laico, ou Humanismo Secularizado) refere-se principalmente às ideias e crenças delineadas nos Manifestos Humanistas de 1933, 1973 e 2000. O Humanismo Secular é a cosmovisão dominante na maioria de faculdades e universidades em todos os países ocidentais. Ele também fez avanços em muitas escolas e universidades cristãs, especialmente nas áreas de Biologia, Sociologia, Direito, Ciência Política e História.
 
Os humanistas seculares reconhecem a sala de aula como uma poderosa incubadora para doutrinar os alunos na sua cosmovisão. Operando sob a palavra da moda "liberalismo", uma agenda Humanista Secular controla o currículo nas escolas do sistema público de ensino dos EUA graças à Associação Nacional da Educação, à Academia Nacional de Ciências e diversas fundações, incluindo a Fundação Ford.

Os cristãos que pensam numa educação de nível superior precisam de estar bem instruídos a respeito da cosmovisão Humanista Secular, ou correm o risco de perderem a sua própria perspectiva cristã quase que automaticamente. No seu livro Walking Away From the Faith, a autora e professora de seminário Ruth Tucker deixa claro que os estudantes cristãos estão-se a afastar da fé por causa do ensino Humanista Secular.

As ideias do Humanismo ganharam influência proeminente em toda a sociedade moderna. B. F. Skinner, Abraham Maslow, Carl Rogers, and Erich Fromm, todos os quais receberam o título "Humanista do Ano" afetaram poderosamente a disciplina de Psicologia. Cientistas como o falecido astrónomo Carl Sagan, outro "Humanista do Ano", pregaram o seu humanismo com grande publicidade na televisão e em livros adotados no currículo escolar. Mais recentemente, o combativo ateísta e biólogo da Universidade de Oxford Richard Dawkins recebeu muita atenção com os seus livros sobre a evolução e, é claro, com o seu livro de grande sucesso de vendas Deus, um Delírio, publicado em 2006. Claramente, os humanistas estão dispostos a apoiarem a sua cosmovisão — frequentemente com mais fervor e dedicação do que os cristãos fazem pela sua fé. Por estas e por outras razões, precisamos de prestar muita atenção à cosmovisão do Humanismo Secular.


A Cosmovisão Marxista


O Marxismo é uma cosmovisão militantemente ateísta e materialista. Ele desenvolveu uma perspectiva com relação a cada uma das dez disciplinas, normalmente em grande detalhe. Baseado nos escritos de Karl Marx (fim dos anos 1800s), o Marxismo assumiu novas aparências nos anos recentes, incluindo a degradação da cultura como uma forma de atividade revolucionária. [14]. O mais recente Manifesto Comunista, intitulado Empire (Império) foi publicado no ano 2000 pela editora da Universidade de Harvard. A presença de Marx continua a ser sentida em todo o mundo.
 

O Marxismo predomina em muitos campi universitários. Recrutados nos anos 1950s e 1960s como alunos de faculdade, muitos "radicais" marxistas receberam diplomas de pós-graduação e hoje integram o corpo docente de muitas universidades.

"Com algumas poucas e notáveis excepções", diz o ex-professor da Universidade Yale Roger Kimball, "as nossas universidades e as faculdades de artes liberais instalaram todo o menu radical no centro dos seus currículos de Ciências Humanas tanto ao nível de graduação como de pós-graduação." [15]. O U.S. News and World Report publicou uma extensa matéria em 2003 intitulada "Where Marxism Lives Today" (Onde o Marxismo Vive Hoje), que diz o seguinte: "O Marxismo está tão entrincheirado em cursos que vão de Literatura a Antropologia... que hoje os estudantes estão virtualmente imersos nas ideias de Marx." [16].

O "menu radical" mencionado por Kimball inclui uma grande porção de determinismo económico. De acordo com Karl Marx, o problema fundamental com o capitalismo é que ele gera a exploração. Portanto, o capitalismo precisa de ser substituído por um sistema económico mais humano, um sistema que elimine o livre mercado (a propriedade privada e a troca livre e pacífica de bens e serviços) e o substitua por uma economia controlada pelo governo. As ideias económicas de Marx e a definição de políticas públicas caminham de mãos dadas. O comunismo no estilo de Marx controla um grande número de países em todo o mundo e, disfarçada com o nome de "Social-democracia", uma filosofia política de inspiração marxista engolfou os países da Europa Ocidental. Além disso, nos anos recentes, muitos países sul-americanos voltaram-se para o marxismo e muitos acreditam que a atual administração do presidente Obama e o atual Congresso dos EUA estão a levar rapidamente o país para o mesmo caminho socialista. [17].

Ademais, alguns grupos cristãos tentaram combinar a sua forma de cristianismo com as ideias de Marx sobre a igualdade social. Devido à prevalência e à natureza subversiva do Marxismo, os cristãos precisam de se acautelar dos objetivos dos professores, políticos e teólogos de pensamento marxista.


A Cosmovisão Humanista Cósmica


A cosmovisão Humanista Cósmica consiste em dois movimentos espirituais inter-relacionados. Um é conhecido como Movimento de Nova Era e o outro é o neopaganismo, que inclui práticas ocultistas, xamanismo indígena e Wicca.

O Movimento da Nova Era mistura antigas religiões orientais (especialmente o Hinduísmo e o Zen-Budismo) com um toque de outras tradições religiosas, adiciona uma dose de jargão científico e traz o bolo recém-saído do forno para a sociedade consumir. "A Nova Era", explica a pesquisadora cristã Johanna Michaelsen, "é a religião eclética máxima do eu: tudo o que você decidir que é certo para você é correto, desde que você não fique com a mentalidade estreita e exclusivista sobre aquilo." [18].



Entretanto, a suposição que a verdade reside dentro de cada indivíduo torna-se a pedra fundamental para a cosmovisão. Dar a alguém o poder de discernir toda a verdade é uma faceta da teologia e essa teologia tem ramificações que muitos membros do movimento da Nova Era também descobriram. Marilyn Ferguson, autora de A Conspiração Aquariana (um livro considerado como "o clássico divisor de águas da Nova Era”), diz que o movimento introduz "uma nova mente — o aparecimento de uma cosmovisão surpreendente" [19].

Essa cosmovisão foi resumida da seguinte forma por Jonathan Adolph: "No seu sentido mais amplo, o pensamento da Nova Era pode ser caracterizado como uma forma de utopismo, o desejo de criar uma sociedade melhor, uma 'Nova Era' em que a humanidade viva em harmonia consigo mesma, com a natureza e com o cosmos." [20].

Embora os aderentes da Nova Era não façam sérias distinções entre as religiões, considerando que todas são no fim a mesma coisa, John P. Newport explica que: "... geralmente, os neopagãos acreditam que estão a praticar uma antiga religião popular, seja como uma forma sobrevivente ou restaurada. Assim, estando focados nas religiões pagãs do passado, eles não estão particularmente interessados numa Nova Era do futuro." [21].

Por meio de livros de grande sucesso de vendas, de programas na televisão e de filmes no cinema [22], a cosmovisão Humanista Cósmica está a ganhar convertidos no Ocidente e em todo o mundo. Malachi Martin lista dezenas de organizações que são da Nova Era ou simpatizantes da visão Humanista Cósmica. Claramente, o Humanismo Cósmico, um transplante do Oriente, é uma presença crescente em todo o hemisfério ocidental.


A Cosmovisão Pós-Moderna
 

Forçados a encararem a desumanidade, a destruição e todos os horrores produzidos pelo Terceiro Reich e pelos Gulags soviéticos durante a primeira metade do século 20, grupos substanciais de humanistas iluministas e neomarxistas abandonaram as suas cosmovisões para criarem uma cosmovisão que eles acreditavam que seria mais apropriada para a realidade, resultando na viragem para o Pós-Moderno. Por volta de 1980, professores pós-modernos entravam significativamente nos Departamentos de Ciências Humanas e Ciências Sociais das universidades de todo o mundo.



O filósofo cristão J. P. Moreland observa que o Pós-Modernismo refere-se a uma abordagem filosófica principalmente na área da Epistemologia, ou aquilo que conta como conhecimento ou verdade. Falando em termos bem amplos, Moreland diz: "O Pós-Modernismo representa uma forma de relativismo cultural sobre coisas como a verdade, a realidade, a razão, os valores, o significado linguístico, o 'eu' e outras noções." [23].

Embora existam diversas formas de Pós-Modernismo, três valores são unificadores: (1) um comprometimento com o relativismo; (2) uma oposição às meta-narrativas, ou explicações totalizadoras da realidade que são verdadeiras para todas as pessoas em todas as culturas; (3) a ideia de realidades culturalmente criadas. Cada um desses comprometimentos tem o propósito de negar que exista uma cosmovisão ou um sistema de crenças que possa ser considerado como Verdade absoluta.

O instrumento metodológico mais eficaz do Pós-Modernismo, que é usado extensivamente nos Departamentos de Letras modernos, é conhecido como Desconstrução, que significa (1) que as palavras não representam a realidade e (2) que os conceitos expressos em sentenças em qualquer idioma são arbitrários.

Alguns pós-modernistas chegam ao ponto de desconstruírem a própria humanidade. Assim, juntamente com a morte de Deus, da verdade e da razão, a humanidade também é obliterada. Paul Kugler observa a inversão irónica: "Hoje, é o sujeito que declarou que Deus estava morto cem anos atrás que agora tem a sua própria existência colocada em questão." [24].

Para complicar as coisas ainda mais, precisamos de reconhecer que existe também uma variedade chamada de "Pós-Modernismo Cristão" [25]. Tal é a essência do Pós-Modernismo dominante — uma cosmovisão que afirma que não existem cosmovisões. Essa cosmovisão "anti cosmovisão" certamente requer a atenção dos cristãos atentos.


Conclusão


Não podemos negligenciar estas cinco cosmovisões anticristãs. A base para muito daquilo que é ensinado nas salas de aula nas escolas públicas hoje vem do pensamento secularizado, marxista, humanista cósmico e pós-moderno e recebe diversos rótulos: Progressismo, Multiculturalismo, Politicamente Correto, Desconstrucionismo, e Educação para a Auto-Estima. Ou, como é frequentemente o caso, os rótulos são deixados de lado e os cursos são ministrados a partir de suposições anticristãs sem que os estudantes sejam informados qual a cosmovisão que está a ser expressa. A neutralidade na educação é um mito.

O primeiro capítulo do livro de Daniel explica como ele e os seus companheiros se prepararam para sobreviverem e florescerem no meio de um choque entre civilizações no seu tempo. Acreditamos que os jovens cristãos equipados com um conhecimento abrangente e uma compreensão da cosmovisão cristã e das suas rivais possam tornar-se "Daniéis" que não ficarão nas laterais, mas que entrarão em campo para participarem na grande colisão de cosmovisões no século 21.

A sociedade florescerá somente à luz da verdade e quando a ênfase retornar para uma perspectiva cristã. Essa mudança drástica em ênfase pode ser produzida por meio da liderança de milhares de estudantes cristãos bem-informados e confiantes que pensem de modo amplo e profundo a partir de uma bem-afiada cosmovisão bíblica e se levantem como líderes na educação, nos negócios, na ciência e no governo.

O nosso desejo de produzir essa mudança em ênfase é a razão fundamental por que o nosso ministério cristão produz currículos e recursos para as escolas cristãs e para as famílias que oferecem educação no próprio lar para as suas crianças (primária, básica e de segundo grau), apresenta treino em cosmovisão para professores de todo o país e do mundo e organiza conferências para os estudantes e para os adultos. Maiores informações podem ser obtidas na nossa página na Internet em http://www.summit.org.

Notas Finais

1. James C. Dobson e Gary L. Bauer, Children at Risk: The Battle For the Hearts and Minds of Our Kids (Dallas, TX: Word, 1990), pág. 19.

2. Ibidem, pág. 19-20.

3. Extraído de "College Student Survey". Cooperative Institutional Research Program, UCLA. Artigo on-line em http://www.gseis.ucla.edu/heri/css_po.html. [Nota: O vínculo não está mais ativo].

4. Norman L. Geisler e William D. Watkins, Worlds Apart (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1989), pág. 11.

5. Outras áreas poderiam ser incluídas em uma definição de cosmovisão, como as artes, porém estas dez disciplinas contêm as áreas principais, atuando como uma teia de ideias em interação, que contribuem para uma visão total do mundo e da vida.

6. Francis A. Schaeffer, A Christian Manifesto (Westchester, IL: Crossway Books, 1981), pág. 17.


8. "The Future Belongs to Islam", de Mark Steyn, 20 de outubro de 2006, acessado em 4/5/2009, http://www.macleans.ca/culture/books/article.jsp?content=20061023_134898_134898.

9. Serge Trifkovic, The Sword of the Prophet (Boston, MA, Regina Orthodox, 2002), pág. 55.

10. Ibidem, pág. 369.

11. Op cit., pág. 51.

12. Ibn Warraq1 (Ed.), The Quest for the Historical Muhammad, New York, 2000, pág. 349, citado em Trafkovic, pág. 51.

13. Veja "The American Islamic Forum for Democracy", em http://www.aifdemocracy.org.

14. Paul Edward Gottfried, The Strange Death of Marxism: The European Left in the New Millennium (Columbia, MO, University of Missouri Press, 2005); David Horowitz, Unholy Alliance: Radical Islam and the American Left (Washington, DC: Regnery Publishing, 2004); Michael Hardt e Antonio Negri, Empire (Cambridge, MA, Harvard University Press, 2000); Rolf Wiggershaus, The Frankfurt School: Its His­tory, Theories, and Political Significance (Cambridge, NY, MIT, 1998); Raymond Aron, The Opium of the Intellectuals (terceira impressão, New Brunswick, NJ, Transaction, 2003).

15. Roger Kimball, Tenured Radicals (New York, NY, Harper and Row, 1990), pág. xiii.

16. U.S. News and World Report, Special Collection Edition, 2 de setembro de 2003, pág. 86.

17. Veja o artigo on-line "The Socialization of America", de David Noebel, acessado em 4/5/2009, http://www.summit.org/blogs/pd/2009/03/the_socialization_of_america.php

18. Johanna Michaelsen, Like Lambs to the Slaughter (Eugene, OR, Harvest House, 1989), pág. 11.

19. Marilyn Ferguson, The Aquarian Conspiracy (Los Angeles, CA: J. P. Tarcher, 1980), pág. 23.

20. Adolph, pág. 11.

21. John P. Newport, The New Age Movement and the Biblical Worldview: Conflict and Dialogue (Grand Rapids, MI, Eerdmans Publishing Co, 1998) pág. 214.

22. Livros de autores sucessos de vendas incluem A Profecia Celestina e Conversas com Deus, enquanto que os temas Humanistas Cósmicos são explícitos em programas de televisão como Buffy, a Caça-Vampiros, Slayer e Lost, bem como em filmes como Pocahontas, Mulan, e Guerra nas Estrelas (direcionados para as crianças) e Sexto Sentido, Gladiador, Dança com Lobos, e Hidalgo (para o público adulto), apenas para citar alguns em cada categoria.

23. Veja o artigo "Postmodern­ism and the Christian Life" no website de J. P. Moreland. Veja também de J. P. Moreland e William Lane Craig, "Filosofia e Cosmovisão Cristã", Edições Vida Nova, http://www.vidanova.com.br/produtos.asp?codigo=192.

24. Walter Truett Anderson, The Future of the Self: Exploring the Post-Identity Society (New York, NY, Tarcher/Putnam, 1997), pág. 32.

25. Veja D. A. Carson, The Gagging of God: Christianity Confronts Pluralism (Grand Rapids, MI, Zondervan, 1996); Myron B. Penner, ed., Christianity and the Postmodern Turn (Grand Rapids, MI, Brazos Press, 2005); e D. A. Carson, Becoming Conversant with the Emerging Church (Grand Rapids, MI, Zondervan, 2005).



Autor: Dr. David Noebel, artigo original em http://www.forcingchange.org
Data da publicação: 22/3/2011
Transferido para a área pública em 22/7/2012

quarta-feira, 2 de outubro de 2019


O QUE SE PASSA EM PORTUGAL

Este texto é uma actualização de um artigo que escrevi em 2008, num blogue em que colaborava, que acho oportuno que chegue ao conhecimento dos portugueses curiosos que já se tenham apercebido que algo não está bem.

Tenho escrito sobre assuntos estranhos, na esmagadora maioria das vezes numa posição neutra, em que me custa acreditar e me interrogo se “será possível?”, mas dando sempre o benefício da dúvida porque realmente ninguém é detentor da verdade.

Quando não acredito, ou me custe aceitar, não penso sequer que quem afirma está a mentir e não tenho o direito de o dizer ou acusá-lo de mentiroso. Parto sempre do princípio de que, por mais improvável que seja, poderá um dia ser possível ou impossível.

Há tantos fenómenos estranhos no nosso mundo, e a nossa história recente é fértil em factos, a princípio totalmente inacreditáveis. No entanto, mais tarde, com o evoluir da ciência e das técnicas de rastreio e investigação, acaba por se “provar” a sua credibilidade.

Hoje sucede o mesmo. O conhecimento não é estático, está sempre em evolução e a fronteira entre o mundo conhecido, visível, vai-se alargando cada vez mais para o lado do mundo desconhecido, “invisível”. As novas tecnologias, de há cinquenta anos para cá, bem como os conceitos que delimitam as fronteiras entre o correcto e o incorrecto, seriam totalmente impossíveis no mundo visível conhecido e seriam catalogados como “anormais”, desumanos e até “sobrenaturais” e de “outro mundo”. Ou seja, para sermos mais claros, muitos dos factos aceites hoje como absolutamente naturais e dentro da moral e ética vigentes, seriam vistas, naquela altura, como manifestações fantasmagóricas, mágicas, ou bruxaria. Muita gente foi queimada por isso.

Mas, apesar de estarmos atentos a novos fenómenos e aceitarmos (não quer dizer que acreditamos) as teorias cada vez mais conhecidas e até expostas em programas televisivos e nos filmes que têm aparecido ultimamente no mercado, sobre a “manipulação” que a humanidade está sujeita para servir interesses obscuros, algo de estranho está a acontecer em Portugal, talvez por estar incluído num grupo que sofre a mesma pressão e por consequência estar a levar por tabela.

Será que, conforme o predito nos Protocolos e normativas do grupo Bilderberg, Illuminati ou o quer que seja, o plano está a ser aplicado em Portugal por falsos socialistas que se infiltraram no Partido Socialista? Uma das directivas é precisamente baixar o nível educacional das populações e imbecilizar o ser humano.


Podemos ser muito cépticos e não aceitarmos estas “teorias” da conspiração, mas se estivermos atentos verificamos que as “coisas” caminham precisamente como está previsto no “Plano” dos Illuminati. Além da grande ofensiva contra os mais fracos, o fechar de hospitais, redução de pensões, aumentos inferiores à inflação e criação de um ambiente de insegurança total, ficamos a saber em primeira mão da ofensiva contra a educação das massas.

O Governo, o sistema de ensino imposto, fomenta a criação de indivíduos mal formados e medíocres. Medíocres esses que amanhã estarão em cargos de responsabilidade na sociedade portuguesa. O “Plano” está em execução em Portugal. “…começar a envenenar, imbecilizar, viciar desde tenra idade…”.

Junte-se isto a hábitos motivados (ou não desmotivados) pelo sistema educativo ao consumo de álcool, mais do que comprovado, pelas crianças e ficamos com uma ideia do Portugal do futuro. Nas festas de finalistas do Liceu e praxes das Universidades o álcool reina. Muitos estudantes vão em estado de coma para as urgências dos hospitais, e as entidades responsáveis nada fazem para desmotivar estes hábitos e criarem hábitos, ou tradições, mais saudáveis para as suas festividades académicas.


Já se nota a irreverência, a selvajaria, a nítida falta de educação e dissolução dos costumes na juventude de hoje, tendendo a agravar-se nos jovens que vêm a seguir, sem o mínimo de respeito por nada e por ninguém.

E os “palermas” (não merecem epiteto mais favorável) dos políticos e responsáveis iluminados ainda não perceberam que também se reformarem um dia e quando estes jovens, insensíveis e egoístas, ocuparem os seus lugares, o “Plano” entrará na sua fase final. Então será a lei da selva e a destruição da sociedade quase perfeita por que as gerações anteriores lutaram, e que já começou a ser desmantelada actualmente. De futuro será a lei do mais forte (como já está a ser delineado hoje), a lei da sobrevivência, em que os “incapazes” (os que não produzem, incluindo aqueles que trabalharam uma vida inteira e agora querem gozar uma reforma merecida) serão “eliminados” fisicamente. Os fracos deixarão de ser protegidos, pela sociedade, como hoje.

“Não houve nem haverá um único lugar para o incapaz. O capacitado liderará, e se os incapazes não os seguirem não haverá lugar para eles… Na Era do Esclarecimento (Nova Era) não há nenhum lugar para pessoas (Cristãos) ignorantes. A Natureza não permetirá que a ignorância prevaleça”. Guru Yogue Maharish Mahesh.

Hoje, no nosso país, a verdade é que toda a política governamental, de um Governo que se diz socialista, está longe dos programas e ideais de qualquer Partido Socialista. É um engano premeditado que conseguiu votos daqueles que acreditam nos ideais socialistas. (o mais caricato, e talvez seja lógico dentro desta “conspiração”, é que essa acção contra os cidadãos é mais acentuada quando o Partido Socialista tem maioria absoluta).

A denúncia do Bastonário da Ordem dos advogados, em 2008, sobre o novo regime de pagamento aos advogados contenciosos, em que considera escandalosa a atitude dos serviços judiciais em relação a outros pagamentos, muito superiores, relacionados com serviços jurídicos, mostra que, de uma maneira sintomática, a prioridade é realmente para os ricos em detrimento dos pobres que ficam sem qualquer meio de defesa.

Os motivos que o Primeiro-ministro, da altura, evocou para não querer referendar o tratado de Lisboa (O Tratado de Lisboa, que entrou em vigor no final de 2009, conferiu novos poderes legislativos ao Parlamento Europeu, colocando-o em pé de igualdade com o Conselho de Ministros no processo de tomada de decisões sobre o que a UE faz e a forma como o dinheiro é utilizado. Também alterou a forma como o Parlamento coopera com outras instituições, conferindo aos deputados ao PE um maior peso na condução da UE. Todas estas reformas garantem que o seu voto nas eleições europeias influa de forma ainda mais decisiva na escolha do rumo a seguir pela Europa), por exemplo, foram tão primários, sem bases credíveis, mais próprios para uma plateia de imbecis que nos deixaram completamente perplexos. Uma situação hipotética: Pelo que ele explicou, nós podemos prometer impedir que se construa numa zona demarcada do Douro, mas se mais tarde, por interesse, mudarem o nome de “zona demarcada do Douro” para “zona demarcada do Porto”, já não somos obrigados a cumprir a promessa porque ela foi feita em relação à “zona demarcada do Douro” que já não existe. Quer dizer: está tudo na mesma, só mudando o nome, mas é suficiente para argumentar sobre a falta de cumprimento de uma promessa.

O senhor Primeiro- ministro julgava estar a lidar com imbecis ou então julgava que estava acima de tudo e de todos de tal modo que não tinha necessidade nenhuma de fundamentar melhor as suas razões.

Era o princípio evidente de que algo muito estranho, muito estranho mesmo, estava a acontecer.

E mais estranho ainda é a passividade dos portugueses. Aqueles que ocupam lugares de responsabilidade na nossa sociedade estão completamente imobilizados e não esboçam o mínimo protesto, a não ser os líderes da oposição, como é seu dever.

O que se passa?

Toda a política seguida, a pressão constante sobre os portugueses mais carentes, o ataque cerrado sobre as pensões dos reformados mais necessitados, alegando ser de justiça em relação aos que estão no activo (?), mas alargando cada vez mais o leque salarial, faz acreditar que o tal “Plano” Illuminati está em roda livre em Portugal.


Reparem na nova sociedade em Portugal. Ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres. A classe média, suporte dos Governos, em qualquer parte do mundo, porque são de facto a “reserva” a que recorrem nos momentos de crise, está cada vez mais estrangulada e em vias de desaparecer. Será que este Governo socialista (a classe média suportou sempre os socialistas) é de facto socialista?

Naquela altura (como hoje, e só em Portugal) os escândalos sucessivos parecem não afectar os ditos responsáveis (Em Portugal só há responsáveis em teoria porque quando é preciso apurar responsabilidades ninguém é penalizado). Podemos relembrar o que aconteceu com o BCP, em que além de muitas acções irregulares, perdoaram uma dívida de 200 milhões de euros a um familiar de um membro da administração que, pelo que se apurou, até tinha essa verba, pois ela foi imediatamente paga quando se soube do assunto.

No entanto não perdoam dívidas ridículas, para o volume de negócios do Banco, de um chefe de família que, por motivo da subida da taxa de juros, não consegue pagar a prestação mensal da sua casa no momento. Tiram-lhe a casa sem contemplações para ser leiloada a baixo custo e comprada por qualquer prestamista para negociar e tirar um bom lucro com ela.


Além disso, nada justificava a subida desenfreada do preço dos combustíveis, como vem acontecendo já desde antes da grande crise que atravessamos com a “troika” a controlar Portugal, a um ritmo alucinante e incompreensível para a população. Existe uma comissão reguladora de preços que não regula nada, nem tem indivíduos com competência suficiente para conferir como são feitas as contas e se estão bem-feitas. Houve alturas em que o preço do barril de petróleo esteve muito mais elevado, 117 dólares em Março de 2012, e na casa dos 100 dólares no ano de 2014, e mesmo assim o combustível estava mais barato do que nos dias actuais em que o barril anda na casa dos 70 dólares. Porquê? E ainda, o grande enigma que afecta esses valores, mas ninguém fala nisso, que era a queda acentuada do Dólar face ao Euro. Na prática, não seriam necessários mais Euros em relação aos preços praticados anteriormente. As subidas do combustível baseadas na subida dos preços do petróleo não eram verdadeiras. Quando diziam que o preço de petróleo estava a subir, na maior parte das vezes não correspondia à verdade. O Dólar é que desvaloriza em relação ao Euro e precisa da devida compensação para pagar o mesmo volume de petróleo.


Quem é que beneficia, então, com estas subidas artificiais dos combustíveis?

 
Por que razão os sucessivos Governos fazem promessas que não cumprem, com o maior descaramento e sem vergonha, e os portugueses se mantêm tão passivos?

Os Partidos Políticos em Portugal conseguiram a “proeza” de burlar de tal modo a população, criando um Sistema Político em que eles (Partidos) são os donos exclusivos do país e o povo julga que é “livre” e senhor do seu destino, o que não corresponde à realidade. O Povo só serve para ir votar nas datas escolhidas pelos Partidos. Só servem para bater palmas e mais nada. No resto do tempo não podem intervir em nada e nenhum cidadão consegue chegar a uma posição de topo sem ter o aval da elite partidária. Terá de ter um mentor, um padrinho, ou alguém que esteja por dentro do Sistema que lhe permita “entrar no clube”. O país está refém de meia dúzia de indivíduos que lideram os partidos que Governam. Para perpetuarem o poder são “eles” que fazem as leis, à sua medida e conforme os seus interesses, e até criaram descaradamente um “Centro Escola de Formação Política”, dentro de cada Partido do Arco tradicional do Poder onde só têm acesso os “escolhidos” (filhos e familiares, principalmente) os tradicionais “jotas” (Juventudes partidárias).

Indivíduos que se profissionalizam em política, que não ganham experiência de vida labutando em empresas dos diversos ramos profissionais, que sustentam o país. Circulam apenas pelas autarquias e em alguma empresa de fachada que nada produzem e vivem com os subsídios desviados para elas, ingressando logo nos órgãos do Governo vendo-se, no Diário da República Portuguesa, nomeações de “especialistas”, bem remunerados, com apenas 21 anos de idade para Comissões e cargos de alta responsabilidade.

Especialistas? De quê? E tão novinhos, sem experiência nenhuma.

Hoje, qualquer indivíduo de inteligência média, já se apercebe da baixa qualidade dos nossos políticos que cometem barbaridades na sua área de actuação, e que, pela sua incompetência e baixa qualidade, nem se apercebem da figura ridícula que fazem. Nem têm a hombridade nem caracter (como sucede noutros países onde há gente competente) de se demitirem quando erram com gravidade. Agarram-se ao poder como lapas porque, na verdade, nada sabem fazer e vivem das benesses que conseguem mendigar dentro dos partidos. São os famigerados “boys” e “girls” que pululam à volta dos responsáveis, sempre à espera do desejado “tacho”.

Houve um governo PSD/CDS que em toda a governação de quatro anos, NUNCA conseguiu elaborar um orçamento que respeitasse a Constituição Portuguesa e a culpa nunca era deles mas das leis do país que tinham de ser modificadas, assim como não se justificava a existência de um Tribunal Constitucional autónomo. Era, e é, o conceito de Democracia dessa gente, que prefere alterar a Lei a respeitá-la como está.

E a mediocridade é tanta que acabam por cometer acções dignas das maiores gargalhadas, só que por trás disso devíamos era entender melhor o rumo que este pobre país está a tomar para a degradação total, mais digna de um país do terceiro mundo do que do primeiro mundo como julgamos que estamos. A baixa qualidade destes políticos e seus líderes (o Dr. Rui Rio agora na campanha eleitoral, numa entrevista, falou no PSD dos políticos bem formados, com experiência nas empresas do “exterior”, com mais-valias adquiridas no terreno profissional e social, que se afastaram do PSD de hoje) baixam a qualidade do todo, da sociedade portuguesa, em geral.

Lembro-me agora de um caso caricato que aconteceu no governo Sócrates, sobre um “aumento” das pensões dos reformados de Portugal. O Governo, indo contra o estipulado pela Lei, quis pagar o dito aumento ao longo do ano, dando uns míseros 60 cêntimos por mês a cada reformado sem considerar que para quem tem muito pouco aquela verba ser-lhes-ia mais útil se fosse entregue na totalidade.

Aquela decisão governamental nem tinha nada a ver com qualquer poupança económica, porque a verba era tão pequena que nada justificaria esta decisão. Estou em crer que foi uma decisão de um Secretário de Estado, oriundo dessa elite de “boys”, sem experiência de vida e que nunca se apercebeu das dificuldades que as pessoas de baixos recursos atravessam. Esse pequeno Secretário de Estado, num total desprezo pelos sentimentos dos idosos, deu a entender que era para proteger os pensionistas que, coitados, todos uns velhinhos, imbecis e atrasadinhos, iriam gastar tudo de uma vez. Então, os governantes, paternalistas, em vez de lhes meter essa “fortuna” toda nas mãos dar-lhes-iam uma mesada para irem gastando ao longo do ano. Só faltava, já agora, passar a mão pela cabeça do imbecilzito pensionista.


E assim vai o nosso Portugalito.

Passamos pela crise em que os mais sacrificados foram os que menos tinham, em que o Governo oriundo dessas juventudes partidárias, uma elite que não sabe o que é sofrer e lutar pela vida e que até consideraram os reformados como a “peste grisalha”, nada fizeram para proteger e tentar aliviar o fardo que nos caiu em cima. Foi imposto pelos nossos credores um organismo fiscalizador, com plenos poderes para interferir e “mandar” na nossa Governação e ainda não compreendo qual o benefício que tivemos em sermos “pais papistas do que o Papa”. Se a “Troika” mandava cortar 100, por que razão o nosso Governo se apressava a cortar 200 (o dobro do exigido) abafando tudo. Se a “Troika” era formada por técnicos especialistas com plenos poderes por que não seguir, à risca, as suas recomendações? Se eles exigiam 100 devíamos dar-lhes os 100. Se algo corresse mal, podíamos alegar que seguimos as “ordens” dadas e, neste caso, a responsabilidade seria da “Troika” que teria a obrigação de resolver a situação, desta vez condicionada pelos seus erros e sem atingir os limites a que aquele Governo chegou. Pela política seguida pelo nosso Governo, na altura, acho que “esticaram” demasiado a corda, “abafaram” tudo e semearam a miséria. Ultrapassaram os limites razoáveis, o povo não aguentou, e para nada. Atropelaram tudo e todos e nos quatro anos de governação, como disse atrás, não houve um único orçamento que respeitasse a constituição portuguesa. Nunca o Tribunal Constitucional teve tanto trabalho como naquele período.

Ultimamente escândalos sobre escândalos, incompetência dos novos “boys” que substituíram indivíduos com experiência, mas do lado errado, que se reflectiu na actuação da Autoridade de Defesa Civil do Território e questiúnculas desses inexperientes com os experientes bombeiros que foram autenticamente postos de lado dos órgãos decisores e estratégicos no combate às catástrofes. Até o Pinhal de Leiria, um monumento nacional, foi completamente arrasado pela incúria e falta de limpeza das matas. Mas não há responsáveis.

A luta contra os “bandidos” de colarinho branco está perdida porque não há pessoal especializado, nem vontade de o contratar. A corrupção está no seio dos políticos e eles é que fazem as leis e manipulam o que se pode, ou não se pode fazer. Nunca se encontram os “responsáveis” (principalmente dentro dos partidos do arco do Governo) e os processos não avançam por falta de meios, acontecendo “coisas estranhas” aos olhos do cidadão comum, como o afastamento tão oportuno para uns, e inoportuno para outros, da Procuradora Geral da República que estava a fazer um bom trabalho, e a redistribuição dos Processos que só vêm atrasar indefinidamente a sua resolução.

E chegamos ao cúmulo da “baixeza”, nunca visto num país do primeiro mundo: mobilizar a Polícia (que faz muita falta noutros locais e noutras missões mais nobres) para fazer cobranças coercivas de dívidas às Finanças. Um Quadro Superior, desta nova vaga de governantes medíocres, achou por bem ordenar à Polícia para fazerem operações stop pelo país e apreenderem imediatamente, no acto, sem nenhum aviso prévio ao cidadão, que como é de direito até pode contestar o motivo por que seria penalizado, as viaturas dos condutores que tenham dívidas ao Fisco. E mais! O Estado também (gastando os nossos recursos) tratou de fazer a cobrança coerciva (nesta operação Stop) de portagens não pagas. Como sabemos as auto-estradas estão entregues a concessionários privados e o Estado não tem o direito de gastar os nossos impostos para fazer o trabalho da responsabilidade dessas empresas privadas. Se o Ministro das Finanças (muito mais responsável e sensato do que estes “boys” em lugares cimeiros) não ordenasse a suspensão imediata desta operação aberrante, continuaríamos com esta pouca vergonha.

Os maiores “ladrões” continuam a movimentar-se à vontade pelo país, o Estado não mexe nas suas fortunas e li, no Facebook, a notícia de uma “apreensão” ridícula da GNR. Apreenderam 2 baralhos de cartas e 21 euros a uns idosos que estavam a jogar ilegalmente. Aliás, neste país, os agentes da Polícia e a GNR só são muito visíveis, para o cidadão normal, no controle do trânsito. Multas e mais multas, principalmente pelos jovens agentes em início de carreira que querem mostrar serviço, aos pacatos condutores que na maior parte das vezes estão em transgressão sem o saber, tal é a complexidade do Código da Estrada, com muitas generalidades para serem interpretadas livremente pelo agente da autoridade que irá actuar conforme o seu bom ou mau senso, sem contar com as dificuldades provocadas pela má gestão e congestão do trânsito das cidades e povoações. Se os agentes da autoridade quiserem, têm sempre a “faca e o queijo na mão”, e se forem rigorosos, pelo actual Código da Estrada, todos os veículos teriam de ser evacuados dos povoados porque estarão sempre em transgressão.

Além dos recursos desperdiçados, em que estes agentes seriam melhor empregues em missões de maior envergadura contra malfeitores, muitos deles armados, em vez dos cidadãos pacatos que se deslocam a uma vila ou a uma cidade para fazer as suas compras do dia-a-dia e ainda vêm de lá com uma multa que, muitas das vezes, desequilibra os seus parcos recursos.

Em Lisboa, por exemplo, talvez pela influência dos escalões mais elevados da Polícia, com uma formação académica e pedagógica mais apurada e mais sensatos, são mais comedidos porque sabem que o cidadão, na maior parte das vezes, até é uma vítima do congestionamento desenfreado das viaturas na rua e má gestão de quem deveria providenciar locais de estacionamento para os residentes e criar melhor condições para que viaturas vindas de fora da cidade não precisassem de entrar. Ali, foi criada a nefasta EMEL que já mostra um comportamento mais prepotente de acordo com a sua função de gerar lucro para uma empresa privada, ou seja: nada de pedagogias e de serviço regulador para o cidadão mas contra o cidadão. É o resultado da falta de formação neste país que se vai degradando cada vez mais, ao nível dos países do terceiro mundo. Já há casos da “gasosa” a funcionar para aplacar muitos desses “reguladores”.

Para o interior do país o caso é outro. Passo as minhas férias numa aldeia do interior, por exemplo, (cerca de 5 meses do Verão) e nunca me apercebi de qualquer acção preventiva e pedagógica da GNR, cuja missão prioritária é Servir e Proteger os cidadãos. Nunca me apercebi de qualquer patrulhamento pela aldeia e arredores (Quintas e caminhos, onde tem havido surtos de assaltos a alfaias agrícolas e viaturas). Só vejo, a horas certas, numa boa sombra, perto de um local estratégico com um sinal de Stop (onde apanham muitos “distraídos” que não os vêm quando estão junto do sinal de stop) a mandarem parar viaturas e a ver os documentos.

Na Vila mais próxima, toda a gente me avisa para ter cuidado no estacionamento. Há dois agentes novos, que querem mostrar serviço, que passam multas indiscriminadamente, hostilizando a população daquele meio pequeno em que todos se conhecem. Fui multado, num local sem sinal de proibição de estacionar, nem riscos amarelos junto à berma do passeio. Sempre pensei que estava bem estacionado, só que o agente que me multou foi procurar um desses artigos mais absurdos do Código da Estrada, para completar a sua “quota” de serviço. Sem nenhum aviso, pois poderia deixar um no pára-brisas do carro, pela calada, passou a multa que recebi pelo correio. Um daqueles casos que os agentes mais sensatos e com experiência deixam passar porque realmente são casos que não justificam uma multa, pois não põem ninguém em risco e só seria para cumprir em cidades e povoados bem geridos e com espaço suficiente para estacionar noutro local. Chegam a multar profissionais que param para efectuar uma carga ou descarga. É o país que temos, em que muitos responsáveis não são devidamente preparados e, neste caso, não têm um superior, que os chefia, que ache estranho estas multas que podiam muito bem ser evitáveis. Isto só leva ao desagrado das populações que, em caso de risco de um agente que precise de auxílio, lhes vire as costas e até protegem os fugitivos. Já são muitos os casos de agentes policiais a serem agredidos pela população, que os vê sempre como repressores e não como defensores do bem e da justiça.

Fazer todos os dias uma ronda, a horas certas, para multar viaturas que consideram mal estacionadas, numa vila quase sem movimento nenhum, pela calada, torna-se muito estranho. O agente exercendo uma louvável acção pedagógica (não faria mais do que o seu dever) poderia deixar um aviso no pára-brisas da viatura em transgressão e se a encontrasse novamente então autoaria. Muitos condutores estacionam em locais em que acham poder estacionar porque não vêm nenhum sinal a proibir. Nunca contam é que a autoridade vá vasculhar o Código da Estrada para encontrar a justificação para multar quem não decorou o tal Código da Estrada.

Numa sociedade sã a colaboração entre o cidadão e a polícia são uma mais-valia. Em Portugal a autoridade é conhecida pela repressão e não pela ajuda e pelo bom exemplo, com algumas excepções, claro. Já são muitos os casos de agentes da PSP e GNR que foram apanhados por acções ilícitas que levaram a sua expulsão do serviço. Hoje (é pena) a população desconfia dos agentes da autoridade. Porquê? Algo está mal.

É tudo muito estranho. Muito estranho o que acontece em Portugal.

Parece que as pessoas são autistas e tem que estar tudo escrito para que alguém tenha consciência do que deve fazer. E, como é normal nos medíocres, seguem conforme está escrito no livro. Parece que ninguém pensa por si, conforme dita a sua consciência.

E para terminar. Até já cheira mal a “guerra” sobre o caso de Tancos. É tudo encenado e ninguém se preocupa em elucidar a população. Chegar ao ponto de um Presidente da República declarar que não é um criminoso é estranho, muito estranho. Parecemos um país do terceiro mundo quando julgamos que pertencemos ao “clube” dos países do primeiro mundo.

Toda a conversa é encenada e só serve para entreter os portugueses, desviando-lhes a atenção de casos muito mais importantes e graves que estão a acontecer. Os militares sabem, o Ministro da Defesa sabe, e até os ex-militares sabem o que poderá ter acontecido. A própria Polícia sabe, mas há assuntos que não devem chegar ao conhecimento do público em geral. E, nas eleições, parece valer tudo, e os opositores “massacram” sabendo perfeitamente que a vítima não pode revelar o que realmente se passa para o público não saber a verdadeira podridão em que os interesses partidários e pessoais mergulharam o país.

Toda a gente desconfia e julga saber onde estão os corruptos, mas o sistema parece defendê-los porque não se vê ninguém a ser condenado. Temos o caso, por exemplo, da compra dos submarinos, em que na Alemanha foi provado ter havido corrupção e identificados e condenados os corruptores. Em Portugal, desapareceram documentos e não se descobriu nada. Não há corrompidos. É estranho, muito estranho. Somos todos uns palhaços a serem enganados e motivo de risota para todo o mundo. Ao que chegaram os nossos valores éticos e morais.

Este caso de Tancos já parece o caso da morte “acidental” de Sá Carneiro (em que o alvo segundo dizem os boateiros ou os teóricos da conspiração era o Ministro da Defesa e o problema dos “sacos azuis” das Forças Armadas em tempo de guerra), um mistério que nunca se resolveu.

O que se passará. Mais um caso estranho, muito estranho a acontecer em Portugal.

Seremos uma Nação em falência? Por este andar, com os políticos profissionais formados nas escolas partidárias, podemos admitir tudo. Que Deus nos proteja.

(Sem adopção às regras do acordo ortográfico de 1990)