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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017


A CABALA SECRETA – A História dos bastidores que nunca chega ao público

A verdadeira História não é o que parece. Vivemos num mundo fechado preparado à nossa medida e os poderes visíveis nada podem contra estes poderes que se movimentam nos bastidores da história e nunca aparecem à superfície. Só alguns privilegiados e organizações secretas sabem a realidade, e ultimamente os chamados "teóricos da conspiração" conseguem fazer "transpirar" na Internet grande parte dessa informação.

Pela sua extensão o texto foi dividido em 6 partes.


A CABALA SECRETA – Parte 1

 

Autor: Stanley K. Monteith, abril de 2010.

Como a natureza humana não muda, os registos da história estão repletos de planos malignos e conspirações brutais. O mal sempre foi uma parte normal da vida neste mundo. Antes de ler sobre os esquemas sediciosos actuais, considere as seguintes escrituras, pois elas explicam bem o tempo em que vivemos:

"Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno." (1 João 5:19).

"Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o SENHOR e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas." (Salmos 2:1-3).



 
"... O que parece não ser conhecido por ninguém é que essa sociedade secreta foi criada por Cecil Rhodes e pelo seu principal curador, Lord Milner, e continua a existir até hoje." — Professor Caroll Quigley, mentor do ex-presidente Bill Clinton, The Anglo-American Establishment, Prefácio, pág. ix [1].

"Enquanto o Conselho das Relações Internacionais é distintamente nacional na sua composição, a Comissão Trilateral é internacional... Ela tem o objectivo de ser o veículo para a consolidação multinacional dos interesses bancários e comerciais por meio da tomada do controle do governo político dos EUA." — Senador Barry Goldwater, no seu livro With No Apologies, pág. 280 [2].

"Alguns até acreditam que somos parte de uma cabala secreta, que trabalha contra os melhores interesses dos Estados Unidos, caracterizando a minha família e eu como 'internacionalistas' e de conspirar com outros no exterior para criar uma estrutura política e económica global mais integrada — um mundo unificado, por assim dizer. Se esta é a acusação, então sou culpado, e tenho orgulho disso." [Ênfase adicionada; David Rockefeller, fundador e presidente honorário da Comissão Trilateral, em Memoirs, pág. 405. [3].

A maioria das pessoas sabe que algo está seriamente errado no país, mas não compreende a causa do problema ou o que pode ser feito para remediar a situação. Por que existem de 20 a 25 milhões de pessoas desempregadas nos EUA? Por que o governo não impõe as leis de imigração? Por que o governo concede incentivos fiscais a empresas que transferem as suas fábricas para o exterior e terciarizam os empregos? Quem é responsável pela recessão económica que está a paralisar o país?

Tratarei dessas questões nesta e nas cartas mensais subsequentes da Radio Liberty. Se você ler todas elas, descobrirá que:

1.    Os EUA são controlados por uma cabala secreta.

2.    A cabala está a transferir os empregos, fábricas e a riqueza para outros países.

3.    A cabala está a implementar a proposta 10A da Carta da Terra. [NT: Distribuição de renda entre os países.].

Se os EUA são controlados por uma cabala secreta, por que ninguém até hoje disse isso ao povo americano? Os membros das organizações secretas controlam a maior parte dos órgãos da mídia e se um comentarista ou escritor mencionar a cabala secreta, ou permitir que alguém a discuta, perderá o seu emprego, será colocado numa lista negra e nunca mais conseguirá trabalhar na mídia novamente.

Muitos anos atrás, um apresentador bem conhecido de um programa de rádio em San Francisco disse-me que não podia dizer aquilo que acreditava no seu programa, porque se dissesse a verdade, seria demitido. Recentemente, almocei com o editor de um jornal importante e ele disse-me que não pode escrever aquilo em que acredita; ele é obrigado a escrever aquilo que lhe mandam escrever.

Gary Webb, um ganhador do Prémio Pulitzer por jornalismo de investigação e que trabalhou para o San Jose Mercury News, escreveu uma série de artigos sobre o envolvimento da CIA no tráfico e distribuição de drogas. O jornal confirmou as informações e publicou os artigos, mas várias semanas mais tarde, alguém contactou o editor do jornal e disse-lhe para demitir Gary Webb e colocá-lo numa lista negra. Como resultado, Gary Webb não conseguiria um emprego em nenhum outro jornal nos EUA. Várias semanas mais tarde cometeu suicídio dando dois tiros na sua cabeça para garantir que morreria. [4].

Esta situação existe nos Estados Unidos há mais de cem anos.

John Swinton foi editor do The New York Times de 1860 a 1870. Quando discursou para um grupo de jornalistas num clube em Nova York, em 12 de Abril de 1883, disse o seguinte:

"Não existe imprensa independente neste país, a não ser nas pequenas cidades do interior. Todos nós sabemos disto. Nenhum de vocês aqui se atreveria a escrever as suas opiniões honestas e, se fizessem isso, sabem que elas nunca seriam publicadas. Recebo 150 dólares por semana para manter as minhas opiniões honestas fora do jornal para o qual trabalho. Outros aqui recebem salários similares para fazerem coisas similares. Se eu permitisse que opiniões honestas fossem impressas numa edição do meu jornal, como Otelo, antes de vinte e quatro horas, o cargo que ocupo seria extinto... Somos prostitutos intelectuais." [5].

Muito pouco mudou desde aquele tempo, excepto o facto de que os membros da cabala secreta controlam mais veículos da mídia e desenvolveram métodos mais sofisticados para controlar a realidade da população.

Em raras ocasiões, um membro corajoso da mídia tenta expor a influência da cabala secreta. Richard Harwood trabalhou para o The Washington Post por 22 anos e, durante esse tempo, escreveu aquilo que lhe mandaram escrever, mas depois de se aposentar, ele escreveu um artigo intitulado "Jornalistas da Classe Governante" que expôs a influência totalitária do Conselho das Relações Internacionais (o CFR). Por que isto é importante? É importante porque o CFR é uma das principais "organizações de fachada" para a cabala secreta que controla este país. Em 30 de Outubro de 1993, Richard Harwood escreveu:

"O presidente é membro. Assim também o seu Secretário de Estado, o Subsecretário de Estado e mais cinco outros funcionários do mais alto escalão no Departamento de Estado, além do assessor jurídico. O Assessor de Segurança Nacional do presidente e o vice-Assessor são membros. O director da CIA (Agência Central de Inteligência), como todos os directores anteriores, e o presidente da Junta de Assessoria em Inteligência Externa são membros. O Secretário de Defesa, três funcionários do mais alto escalão e pelo menos quatro secretários assistentes são membros. Os secretários dos Departamentos de Habitação, Desenvolvimento Urbano, Interior, Saúde e Serviços Humanos, e o homem que chefia as relações públicas da Casa Branca, David Gergen, são membros, juntamente com o presidente da Câmara dos Representantes e o líder da maioria do Senado." [6].

Se as informações de Richard Harwood estão correctas, por que o povo americano não percebe que o CFR controla o governo do país? Esse artigo foi publicado numa página da capa de trás do Washington Post, mas não foi mencionado no rádio ou na televisão e nunca foi citado por outros jornais. Um destino similar é dado a toda tentativa de expor a existência da cabala secreta.

Se você quiser confirmar o facto de que a maior parte dos principais veículos de mídia pertence às "organizações de fachada" afiliadas com a cabala secreta, isto é, com a Comissão Trilateral, o CFR e os Bilderbergers, deve ler o livro do professor Ben Bagdikian, The New Media Monopoly (O Novo Monopólio da Mídia), porque ele identifica as cinco ou seis corporações internacionais que controlam 90% dos principais veículos de mídia nos Estados Unidos, [7] e também deve ler Membership List of the Brotherhood of Darkness, compilada pela Radio Liberty, ou o livro de Robert Gaylon Ross, Who's Who of the Elite [8]. As principais corporações são:

·         Time Warner (AOL) — Comissão Trilateral

·         Bertelsmann — Comissão Trilateral

·         Viacom (CBS) — Conselho das Relações Internacionais (CFR)

·         Disney (ABC) — CFR

·         GE-Comcast (NBC) — CFR

·         Fox News — pertence ao barão da mídia Rupert Murdoch, CFR.

O que é a Comissão Trilateral? O que é o CFR? Quem controla essas organizações? De onde elas vieram? Qual é o objectivo delas?

Antes que você possa compreender a resposta para essas questões, precisa de aprender o propósito e objectivo da sociedade secreta fundada por Cecil Rhodes em 1891, pois o CFR, os Bilderbergs e a Comissão Trilateral são descendentes dessa organização secreta.

O professor Caroll Quigley foi um dos historiadores mais importantes do século passado; ele leccionou em Princeton e em Harvard antes de aceitar transferir-se para a Universidade de Georgetown. O professor Quigley descobriu acidentalmente a sociedade secreta de Cecil Rhodes. Ele investigou-a por vinte anos, examinou os seus registos secretos e escreveu dois livros sobre o movimento. O primeiro livro, The Anglo-American Establishment (O Sistema de Poder Anglo-Americano), foi completado em 1949 ou 1950, mas foi suprimido durante trinta anos. O segundo livro, Tragedy and Hope: A History of the World in Our Time (Tragédia e Esperança: Uma História do Mundo no Nosso Tempo), foi suprimido por 6-8 anos, mas ambos estão disponíveis agora.

Como o professor Quigley ficou a saber da sociedade secreta? Sir Alfred Zimmern foi membro do círculo interno do Grupo, de 1910 a 1922, porém desiludiu-se e afastou-se gradualmente do movimento. Vinte e quatro anos mais tarde, Sir Zimmern conheceu o professor Quigley e contou-lhe sobre o Grupo, porém fez-lhe prometer que não revelaria a fonte das informações.

Como sei que isto ocorreu? Visitei a Universidade de Georgetown em 1980 e li as cartas que Carroll Quigley escreveu para Alfred Zimmern e as cartas que recebeu em resposta, bem como centenas de outras cartas e documentos. Além disso, o livro The Anglo-American Establishment menciona o facto de que Alfred Zimmern foi membro do círculo mais interno da sociedade secreta de 1910 a 1922, porém não o revelou como a fonte das informações.

O segundo livro de Carol Quigley, Tragedy and Hope, relata as origens da sociedade secreta de Cecil Rhodes. Aqui está um excerto:

"Até 1870 não havia a cadeira de História da Arte em Oxford, mas naquele ano... John Ruskin foi nomeado para ocupar a cadeira. Ele sacudiu Oxford como um terramoto, não tanto porque falava sobre as artes, mas também porque falava sobre o império e as massas sofridas de pessoas em Inglaterra e, acima de tudo, porque falava sobre todas essas três coisas como questões morais. Até ao fim do século 19, as massas empobrecidas nas cidades inglesas viviam em privação, ignorância e criminalidade, de forma muito parecida como Charles Dickens retratou nos seus livros. Ruskin falava para os estudantes de Oxford como membros de uma classe privilegiada e governante. Ele dizia-lhes que eles eram possuidores de uma tradição magnífica de educação, beleza, respeito às leis, liberdade, decência e auto-disciplina, porém essa tradição não poderia ser salva, e não merecia ser salva, a não ser que pudesse ser estendida às classes baixas na própria Inglaterra e para as massas humanas em todo o mundo. Se essa preciosa tradição não fosse estendida para essas duas grandes maiorias, a minoria inglesa da classe alta seria eventualmente sufocada por essas maiorias e a tradição seria perdida. Para evitar isso, a tradição precisava de ser estendida às massas e ao império." [10].

A mensagem do professor Ruskin apelava ao idealismo de muitos dos rapazes que assistiam às aulas, mas não eles não perceberam que John Ruskin estava profundamente envolvido no ocultismo ou que eles estavam a ser recrutados para um programa sinistro que eventualmente destruiria o Império Britânico e a base cristã da civilização ocidental. [11].

Embora o professor Quigley tenha sido um dos principais historiadores do século 20, estou certo que ele não estava ciente das implicações espirituais das aulas de John Ruskin, ou da força espiritual que guiou os eventos que se seguiram.

O professor Quigley continuou:

"A mensagem de Ruskin teve um impacto sensacional. A sua aula inaugural foi anotada à mão e por extenso por um estudante chamado Cecil Rhodes, que manteve aquela transcrição consigo durante trinta anos. Rhodes... explorou avidamente as minas de diamantes e ouro na África do Sul, chegou a ocupar o cargo de primeiro-ministro da Colónia do Cabo... contribuía com dinheiro para os partidos políticos, controlava assentos no Parlamento tanto em Inglaterra quanto na África do Sul, procurou conquistar uma faixa de território britânico atravessando a África, desde o Cabo da Boa Esperança até ao Egipto e ligar esses dois extremos por uma linha de telégrafo e, posteriormente, pela Estrada de Ferro Cabo-Cairo. Rhodes inspirou e obteve o suporte dedicado para os seus objectivos de outros indivíduos na África do Sul e em Inglaterra. Com suporte financeiro de Lord Rothschild e de Alfred Beit, ele conseguiu monopolizar as minas de diamantes da África do Sul com a De Beers Consolidated Mines e construir uma grande empresa de mineração de ouro — a Consolidated Gold Fields. [12].

Como Cecil Rhodes adquiriu toda essa riqueza? Lord Rothschild forneceu a maior parte dos fundos que Rhodes usou para adquirir as minas de diamantes e de produção de ouro da África do Sul. Por que Rothschild forneceu o dinheiro? Cecil Rhodes era um maçom e Lord Rothschild estava profundamente envolvido no ocultismo. Por que isto é importante? É importante porque muitos dos homens que acumularam grande riqueza naquele tempo eram maçons, ou estavam envolvidos no ocultismo, e a mesma situação existe hoje.

Quando examinei os escritos do professor Carroll Quigley em 1980, encontrei uma cópia da "Confissão de Fé" de Cecil Rhodes. O documento foi escrito em 1873 e dizia:

"A ideia que vinha e dançava diante dos olhos como fagulhas finalmente se estruturou como um plano. Por que não formar uma sociedade secreta com o único propósito de estender o Império Britânico e colocar todo o mundo não-civilizado sobre o domínio britânico para a recuperação dos Estados Unidos e para fazer do povo anglo-saxão um único Império?" [13].

Cecil Rhodes queria colocar "todo o mundo não-civilizado sob o domínio britânico" e queria unir o mundo.

O professor Quigley continuou: "Em meados de 1890, Rhodes tinha uma receita pessoal de pelo menos um milhão de libras esterlinas por ano (na época, cerca de cinco milhões de dólares) que era gasta com tanta liberalidade para os seus misteriosos propósitos que ele geralmente ficava negativo na sua conta bancária. Esses propósitos centravam-se no seu desejo de federar os povos de língua inglesa e colocar todas as porções habitáveis do mundo sob o seu controle. Para esse propósito, Rhodes deixou parte de sua grande fortuna para criar a Bolsa Académica Rhodes, na Universidade de Oxford, de modo a propagar a tradição da classe governante inglesa por todo o mundo de língua inglesa, como Ruskin queria.

"Entre os discípulos mais dedicados de Ruskin em Oxford estava um grupo de amigos íntimos que incluia Arnold Toynbee, Alfred (mais tarde Lord) Milner, Arthur Glazebrook, George… Parkin, Phillip Lyttelton Gell, e Henry... Birchenough. Estes ficaram tão impressionados por Ruskin que dedicaram o resto das suas vidas para implementar as suas ideias. Um grupo similar de homens na Universidade de Cambridge... também foi despertado pela mensagem de Ruskin e dedicou as suas vidas para estender o Império Britânico e melhorar a condição das massas urbanas da Inglaterra como duas partes de um projecto que eles chamavam de 'extensão da ideia de fala inglesa'..."

"Essa associação foi formalmente estabelecida em 5 de Fevereiro de 1891, quando Rhodes e Stead organizaram a sociedade secreta com a qual Rhodes sonhava há dezasseis anos. Nessa sociedade secreta, Rhodes seria o líder, Stead, Brett (Lord Esher) e Milner formariam um comité executivo; Arthur (Lord) Balfour, (Sir) Harry Johnston, Lord Rothschild, Albert (Lord) Grey, e outros eram listados como membros em potencial de um 'Círculo de Iniciados'; ao mesmo tempo, haveria um círculo mais externo conhecido como 'Associação dos Auxiliadores' (mais tarde organizados por Milner como a Organização da Mesa Redonda)." [14].

Como o professor Quigley aprendeu os detalhes da formação da sociedade secreta de Cecil Rhodes? Cecil Rhodes e William Stead organizaram a sociedade secreta em 5 de Fevereiro de 1891, porém vários anos mais tarde, Stead foi excluído por ter discordado dos esforços de Rhodes de incitar a Guerra dos Bóeres. Como resultado, William Stead descreveu a formação da sociedade secreta no seu diário, e escreveu vários artigos sobre a organização secreta.

O professor Quigley escreveu dois livros sobre a sociedade secreta de Cecil Rhodes. Ele completou o manuscrito de The Anglo-American Establishment em 1949 ou 1950, mas a cabala controlava a maior parte das principais editoras nos Estados Unidos, de modo que o professor Quigley não conseguiu que o seu livro fosse publicado. Quando examinei os escritos do professor Quigley na Universidade de Georgetown, em 1980, descobri uma cópia parcial do manuscrito, porém o texto completo do livro não estava disponível. The Anglo-American Establishment foi publicado no ano seguinte (1981), quatro anos após a morte do professor Quigley. Na página inicial do livro ele escreveu:

"As Bolsas Académicas Rhodes, estabelecidas pelos termos do sétimo testamento de Cecil Rhodes, são conhecidas por todos. O que não é amplamente conhecido é que Rhodes, em cinco testamentos anteriores, deixou a sua fortuna para formar uma sociedade secreta que deveria dedica-se r à preservação e expansão do Império Britânico."

"Além disso, o que não parece ser conhecido por ninguém é que essa sociedade secreta foi criada por Rhodes e pelo seu principal curador, Lord Milner, e continua a existir até hoje."

"Com toda a certeza, essa sociedade secreta não é uma coisa de criança, como a Ku Klux Klan, e não tem trajes secretos, apertos de mão secretos, ou senhas secretas. Ela não precisa de nada disso, pois os seus membros conhecem-se muito bem. Ela provavelmente não tem juramentos de guardar segredo, nem qualquer procedimento formal de iniciação. Entretanto, ela existe e realiza encontros secretos, que são presididos pelo membro mais velho presente." [15].

Inicialmente, o núcleo interno da sociedade secreta era chamado de "Círculo dos Iniciados", a segunda camada era a "Associação dos Auxiliadores"; de 1901 a 1910, a terceira camada era chamada de "Jardim da Infância de Milner", e de 1910 a 1920 foi chamada de "Mesa Redonda", ou "O Grupo" [16]. No ano seguinte (1921), a cabala estabeleceu o Conselho das Relações Internacionais (CFR) nos Estados Unidos e filiais do Instituto Real das Relações Internacionais (RIIA, de Royal Institute of International Affairs) nas nações da Comunidade Britânica. [17]. Cinquenta e dois anos mais tarde (em 1973), o movimento secreto estabeleceu a Comissão Trilateral. O que eles conseguiram fazer? Os membros da sociedade secreta incitaram a Guerra dos Bóeres, precipitaram e prolongaram a Primeira Guerra Mundial, orquestraram a Segunda Guerra Mundial, transferiram a Europa Oriental e a China para os comunistas, fizeram os EUA e a Grã-Bretanha lutarem numa guerra sem vitória na Coreia e uma guerra sem vitória no Vietname, destruíram a infra-estrutura do Afeganistão e do Iraque, e a extensão moderna do movimento secreto está a tentar precipitar uma guerra com o Irão e com o mundo islâmico. [18].

Por que eles querem precipitar uma guerra? Eles acreditam que o caos gerado pela crise financeira e o sofrimento causado pela guerra vindoura forçará as nações a abrirem mão da soberania nacional. Henry Kissinger já declarou: "A alternativa a uma nova ordem internacional é o caos." [19]. Esta tem sido a busca das sociedades secretas ao longo do tempo. Este foi o intento da sociedade secreta de Cecil Rhodes e é o objectivo da Comissão Trilateral, do CFR e dos Bilderbergs hoje. [20].

O senador Barry Goldwater advertiu o povo americano sobre o perigo representado pelo CFR e pela Comissão Trilateral em 1979 quando escreveu:

"Enquanto o Conselho das Relações Internacionais é distintamente nacional na sua composição, a Comissão Trilateral é internacional... Ela tem o objectivo de ser o veículo para a consolidação multinacional dos interesses bancários e comerciais por meio da tomada do controle do governo político dos EUA." [21].

A Comissão Trilateral e o CFR controlam os EUA hoje? Sim. Entre 1979 e 2008, todos os presidentes e/ou vice-presidentes dos EUA foram membros da Comissão Trilateral: Jimmy Carter, Walter Mondale, George H. W. Bush, Bill Clinton, Al Gore e Dick Cheney. Além disso, durante o período de vinte e um anos (antes de 2009), seis de oito presidentes do Banco Mundial foram membros da Comissão Trilateral, oito de dez Representantes Comerciais dos EUA foram membros da Comissão Trilateral, sete de doze Secretários de Estado foram membros da Comissão Trilateral, nove dos doze Secretários de Defesa foram membros da Comissão Trilateral, e a maioria dos outros cargos-chave nas administrações, tanto de presidentes republicanos ou democratas, foram ocupados por membros do CFR. [22]. Actualmente, membros da Comissão Trilateral ocupam 11 ou 12 cargos-chave na Administração Obama, e a maior parte dos outros cargos-chave é ocupada por membros do CFR.

A cabala secreta existe actualmente? Sim! David Rockefeller, presidente honorário do CFR, fundador e presidente honorário do Capítulo Norte-Americano da Comissão Trilateral, declarou (no seu livro Memoirs):

"Alguns até acreditam que somos parte de uma cabala secreta, que trabalha contra os melhores interesses dos Estados Unidos, caracterizando a minha família e eu como 'internacionalistas' e de conspirar com outros no exterior para criar uma estrutura política e económica global mais integrada — um mundo unificado, por assim dizer. Se esta é a acusação, então sou culpado, e tenho orgulho disso." [23; ênfase adicionada].

Nas cartas dos próximos meses, explicarei por que existem de 20-25 milhões de trabalhadores desempregados nos EUA, por que o governo federal concede incentivos fiscais para empresas que transferem as suas fábricas para o exterior e a causa da actual recessão económica.

Não posso dizer o que está para acontecer no futuro, mas temo que os Estados Unidos em breve se envolverão numa guerra contra o Irão e que haverá caos nas ruas das cidades do país. O que você pode fazer? Pode copiar e distribuir cópias desta carta, pode continuar os seus esforços de educar as pessoas e tentar levá-las a um relacionamento pessoal com nosso Senhor Jesus Cristo. Esta é nossa arma principal, porque:

"Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; e assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal." (2 Coríntios 4:7-11).

Deus, nosso auxílio no passado.
Nossa esperança nos anos por vir!
Nosso abrigo na tempestade,
E nossa morada perpétua.

Sob as sombras do teu trono
Teus santos habitam seguros.
Suficiente é teu braço somente
E nossa defesa é certa! [24].

Barbara e eu agradecemos o seu suporte fiel e também as suas orações.

Em Cristo,

Stanley Monteith.


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017



A BIOLOGIA DA CRENÇA

 

"Não se deixe abater por um cepticismo improdutivo." L.Pasteur

Domingo, 13 de Dezembro de 2009



O cientista que ajudou a revolucionar a biologia, ao examinar as reacções químicas nas células apoiado na física quântica, afirma que é a mente que modela a vida das pessoas

Um respeitado pesquisador de células-tronco, o norte-americano Bruce Lipton rompeu as fronteiras da biologia tradicional ao incorporar a ela conceitos da física quântica. Ideias surgidas a partir dessa óptica, como a equivalência da membrana celular ao "cérebro" das células e o controle que o ambiente exerce sobre as células a partir das suas membranas, confirmam a íntima relação mente-corpo e indicam como podemos usar os pensamentos para assumir o controlo da nossa vida. Lipton relata a sua extraordinária trajectória em "A Biologia da Crença" (Ed. Butterfly), tema da entrevista a seguir.

PLANETA - O que é a "nova biologia" a que o senhor se refere no seu livro?

Bruce Lipton - Quando introduzi esses conceitos, em 1980, quase todos os meus colegas cientistas os consideraram inverosímeis. Mas a profunda revisão que a biologia convencional tem feito desde aquela época leva hoje às mesmas conclusões a que cheguei há 25 anos atrás.

Os cientistas sabem que os genes não controlam a vida, mas a maior parte da imprensa ainda informa ao povo o contrário. As pessoas atribuem inicialmente as suas deficiências e doenças a disfunções genéticas. As crenças sobre os genes levam-nas a se ver como "vítimas" da hereditariedade.

Os biólogos convencionais ainda consideram que o núcleo (o componente interno da célula que contém os genes) "controla" a vida, uma ideia que enfatiza os genes como o factor primário desse controle. Já a nova biologia conclui que a membrana celular (a "pele" da célula) é a estrutura que primariamente "controla" o comportamento e a genética de um organismo.

A membrana contém os interruptores moleculares que regulam as funções de uma célula em resposta a sinais do ambiente. Para exemplificar: um interruptor de luz pode ser usado para ligá-la ou desligá-la. O interruptor "controla" a luz? Não, já que ele é controlado pela pessoa que o acciona. Um interruptor de membrana é análogo a um interruptor de luz quando liga ou desliga uma função celular, ou a leitura de um gene - mas ele é, de facto, activado por um sinal do ambiente. A nova biologia enfatiza o ambiente como o controle primordial na biologia.

A sua teoria também está relacionada à física quântica...

Pela medicina convencional, os "mecanismos" físicos que controlam a biologia baseiam-se na mecânica newtoniana, a qual enfatiza o reino material (átomos e moléculas). Já a nova biologia considera que os mecanismos da célula são controlados pela mecânica quântica. Ela concentra-se no papel das forças de energia invisíveis que formam, colectivamente, campos integrados e interdependentes.

Para a mecânica quântica, as forças invisíveis em movimento nos campos são os factores fundamentais que modelam a matéria. Os cientistas também reconhecem que as moléculas do corpo são controladas por frequências de energia vibracional, de forma que a luz, o som e outras energias electromagnéticas influenciam profundamente todas as funções da vida.

Entre as forças energéticas que controlam a vida estão os campos electromagnéticos gerados pela mente. Na biologia convencional, a acção da mente não é incorporada à compreensão da vida. Por isso, é uma surpresa a medicina reconhecer que o efeito placebo responde por pelo menos um terço das curas médicas, incluindo cirurgias. Ele ocorre quando alguém sara devido à sua crença de que um remédio ou procedimento médico vai curá-lo, mesmo se o medicamento for uma pílula de açúcar ou o procedimento for uma impostura.

A nova biologia ressalta o papel da mente como o factor primordial a influenciar a saúde. Nessa realidade, uma vez que controlamos os nossos pensamentos, tornamo-nos mestres de nossa vida, e não vítimas dos genes.

Em que a nova biologia difere do darwinismo?

Ela frisa que a evolução não é conduzida pelos mecanismos sublinhados na biologia darwiniana. A teoria de Darwin oferece dois passos básicos para explicar como a evolução ocorreu: 1) mutação aleatória, a crença de que as mutações genéticas são randômicas e não influenciadas pelo meio ambiente - a evolução é conduzida por "acidentes"; 2) selecção natural, na qual a natureza elimina os organismos mais fracos numa "luta" pela existência, na qual há vencedores e perdedores.


Na Biologia da Crença, Lipton (alto) explica a íntima relação entre mente e corpo e o poder do pensamento na cura.

Novas descobertas oferecem uma imagem diferente. Em 1988, uma pesquisa revelou que, quando stressados, os organismos têm mecanismos de adaptação molecular para seleccionar genes e alterar o seu código genético. Ou seja, eles podem mudar a sua genética em resposta a experiências ambientais. Outros estudos mostram que a biosfera (todos os animais e plantas) é uma gigantesca comunidade integrada que se baseia em uma cooperação das espécies. A natureza não se importa com indivíduos numa espécie, mas com o que a espécie como um todo faz para o ambiente.

Segundo a nova biologia, a evolução: 1) não é um acidente; 2) baseia-se em cooperação. Uma teoria mais recente sobre o tema ressaltaria a natureza da harmonia e da comunidade como uma força motriz por trás da evolução.

Como o senhor concluiu que podemos comandar e mudar nossas células e genes
Minhas primeiras ideias científicas basearam-se em experiências que comecei em 1967, usando culturas de células-tronco clonadas. Nesses estudos, células geneticamente idênticas foram inoculadas em três placas de cultura, cada qual com um diferente meio de crescimento. Numa placa, as células-tronco tornaram-se músculos; noutra, células ósseas; na terceira, células de gordura. Os meus resultados, publicados em 1977, revelam que o ambiente controlou a actividade genética das células.

Esses estudos mostram que os genes propiciam o surgimento de células com "potenciais", os quais são seleccionados e controlados pela célula a partir de condições ambientais. As células ajustam dinamicamente os seus genes de forma que eles possam adaptar-se às demandas do ambiente.

Mais tarde, descobri que a membrana celular equivalia ao cérebro da célula. No desenvolvimento humano, a pele embrionária é a precursora do cérebro. Nas células e no ser humano, o cérebro lê e interpreta a informação ambiental e então envia sinais para controlar as funções e o comportamento do organismo.

Quem está no comando do nosso corpo?

Nas primeiras semanas do desenvolvimento do embrião, os genes basicamente controlam o desenvolvimento do plano corporal de um humano (criam dois braços, duas pernas, etc.). Uma vez que o embrião toma a forma humana (torna-se um feto), os genes assumem uma posição secundária, controlando o desenvolvimento do corpo pela informação ambiental. Durante esse período, a estrutura e a função do corpo fetal são ajustadas em resposta à percepção do ambiente da mãe, que, via placenta, influencia a genética e a programação comportamental do feto.

A "leitura" dos sinais ambientais (no útero e após o nascimento) capacita as células do corpo e os seus genes a fazer ajustes biológicos para sustentar a vida. Como os sinais ambientais são lidos e interpretados pelas "percepções da mente", a mente torna-se a força básica que, em última instância, modela a vida de uma pessoa.

Como os campos energéticos controlam a bioquímica do corpo?

As funções do corpo derivam do movimento das moléculas (basicamente proteínas). As moléculas mudam de forma em resposta a cargas electromagnéticas ambientais. Influências físicas tais como hormonas e remédios podem oferecer essas cargas eléctricas indutoras de movimento. Mas campos de energia vibracional harmonicamente ressonantes também fazem as moléculas mudar de forma e activar as suas funções. Enzimas de proteínas podem ser activadas num tubo de ensaio por substâncias químicas e por frequências electromagnéticas, como ondas de luz.

Podemos evitar doenças enviando mensagens positivas para as nossas células?

Só 5% das doenças humanas são relacionadas a defeitos genéticos de nascença. Portanto, 95% de nós nascemos com um genoma adequado a uma vida saudável. Para os doentes dessa maioria, a pergunta é: por que temos problemas de saúde? Reconhece-se hoje que o estilo de vida causa mais de 90% dos problemas de coração, mais de 60% dos casos de câncer e, talvez, todos os casos de diabete tipo 2. Quanto mais olhamos, mais vemos como as nossas emoções, reacções à vida, dieta pobre, falta de exercício e stress modelam a nossa vida. Como temos um controle significativo sobre o nosso organismo, podemos reprogramar a saúde e a vida com as nossas intenções. Se de facto soubessem como o seu organismo funciona, as pessoas poderiam influenciar a sua saúde, e isso seria o melhor preventivo para a doença.

É possível remodelar os nossos pensamentos mais profundos?

O problema é que não entendíamos como a mente trabalha. Temos duas mentes, a consciente e a inconsciente. Associamos a primeira à nossa identidade pessoal - é a mente pensante, racional. A mente subconsciente opera sem a supervisão da consciente - é a "mente automática". Se as crenças da mente subconsciente conflituarem com os desejos da mente consciente, quem ganhará? A resposta é clara: a mente subconsciente, pois ela é uma processadora de informações um milhão de vezes mais poderosa do que a outra e, como os neurocientistas revelam, opera em torno de 95% do tempo.

Pensávamos que se a mente consciente se tornasse cônscia dos nossos problemas, corrigiria automaticamente quaisquer programas negativos descarregados na mente subconsciente. Mas isso não funciona, porque a mente subconsciente é como um gravador - ela grava comportamentos (os fundamentais, na maioria, são armazenados antes dos seis anos de idade) e, ao se apertar um botão, o programa será repetido incontáveis vezes (hábitos). Não existe uma "entidade" na mente subconsciente que "ouça" o que a mente consciente quer.

Pensamentos positivos funcionam quando a meta desejada é apoiada pelas intenções da mente consciente e pelos programas da mente subconsciente. Quanto a isso, existem três maneiras de mudar crenças velhas, limitativas ou sabotadoras na mente subconsciente: a meditação budista mindfulness, a hipnoterapia clínica e a chamada "psicologia da energia". Todos esses métodos são discutidos na secção "Resources" do meu site (www.brucelipton.com).

Fonte: http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/428/artigo89544-1.htm



Domingo, 6 de Dezembro de 2009

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017


A REALIDADE É ESTA

Partilho este artigo de opinião de José M. Fernandes que subscrevo incondicionalmente. A realidade é esta.

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A culpa é toda das redes sociais. E já agora da máquina a vapor.
(in OBSERVADOR 3.01.2017) Artigo de opinião de JOSÉ MANUEL FERNANDES

"Algo, no entanto, temos de reter: mais do que as novas ignorâncias dos cidadãos comuns, mais do que os efeitos de manada das redes sociais, quem tem falhado são os que insistem em não ouvir os eleitores. Porque estes há muito que deram sinal de que querem falar, pois estão zangados.
A vitória dos populismos em diferentes partidas deste nosso mundo não tem uma explicação fácil. Sobretudo não tem antídoto seguro. Mas parece que já temos um bode expiatório: as redes sociais e a tecnologia. Se lermos os textos mais recentes de Miguel Sousa Tavares (Expresso), José Pacheco Pereira e Paulo Rangel (ambos no Público) corremos o risco de ficar com a percepção de que Donald Trump ganhou as eleições porque, de repente, se descobriu uma coisa nova a que chamamos “pós-verdade”, ou que estamos a ficar mais ignorantes (ou “novos ignorantes”) porque andamos com um smartphone no bolso e estamos sempre a consultá-lo, ou ainda que estes instrumentos corroem o valor da liberdade em democracia.
Peço desculpa, mas acho que seguindo por este caminho estamos de novo a tentar tapar o sol com uma peneira. E que estamos, sobretudo, a ignorar a mensagem que os eleitores enviaram ao votarem “errado” – pelo menos “errado” de acordo com a nossa perspectiva.
Começo recordando uma história que já contei aqui no Observador, a de Lee Mavrakis, o mayor de Monessen, uma pequena cidade da Pensilvânia que, depois de ter sido toda a vida um activo eleitor democrata (e um sindicalista), acabou agora por optar por Trump. E recordo-a por uma razão simples: a primeira coisa que Lee me disse quando entrei no seu gabinete, em Julho do ano passado, foi que mandara retirar o computador da sua secretária – o ecrã estava de resto virado contra uma parede numa estante, abandonado e cheio de pó. O antigo operário siderúrgico não fazia pois ideia do que era uma rede social, só utilizava o telemóvel para fazer chamadas e não creio que tenha sido influenciado por qualquer das mentiras sobre Hillary Clinton difundidas um jovem búlgaro. Ele pura e simplesmente sentia-se esquecido pelas elites de Washington e ignorado por um Presidente Obama a quem enviara sucessivas cartas (não emails).
Esta história vale o que vale, mas é uma entre muitas que a imprensa americana (e de todo o mundo) começou a contar com mais detalhe depois da surpresa das eleições. Se quisermos perceber onde é que os diferentes populismos encontraram audiência temos de perceber quem votou pelo Brexit em vez de diabolizar os ingleses pobres; tal como temos de compreender o sentido profundo da arrogância que está por detrás da referência de Hillary aos “deploráveis” ou da forma como Mateo Renzi quis impor a sua vontade aos italianos; de perceber que há bairros inteiros em França (mas também noutros países europeus) onde os nacionais sentem que não estão já no seu país; e de enfrentar sem dogmas a evidência de que os cidadãos têm, um pouco por todo o lado, a percepção que já nem pelo voto são senhores do seu destino.
As redes sociais e a tecnologia não criaram estas realidades. As redes sociais não passaram de bestiais (no tempo em que ajudaram a eleger Obama ou atraiam multidões para os comícios de Bernie Sanders) a bestas (só porque Trump é um incontinente do Twitter). As ondas geradas pelas redes também não passaram de boas demonstrações de cidadania (quando, por exemplo, procederam ao linchamento de Isabel Jonet) a serem apenas uma “ditadura das massas” (quando estão menos ao nosso gosto).
A “pós-verdade” também não nasceu ontem. Antes dela houve o boato, e sabemos como este provocou motins e até massacres (recordam-se da chacina dos judeus de Lisboa naquela que ficou conhecido como a “matança da Páscoa de 1506”). Ou como levou a corridas aos bancos e ao crash das bolsas. Por vezes boatos mal-intencionados, por vezes inocentes, quase sempre mais difíceis de combater antes deste tempo de informação instantânea. Um pouco de memória é sempre útil para colocarmos a realidade, mesmo que desagradável, no seu contexto. A crueldade e a irracionalidade das multidões são parte da nossa história e nunca deixámos nem deixaremos de as enfrentar. A Marcha sobre Roma de Mussolini não precisou do Twitter (ou da televisão) para acontecer.
Mais: que sentido faz indignarmo-nos com a “pós-verdade” neste tempo em que a política se faz sobretudo de “narrativas” – um conceito introduzido em Portugal por José Sócrates e ainda hoje reclamado pelas luminárias do PS. Ou que sentido faz reclamar que o debate público só se faça de verdades certificadas quando os mesmos factos (os números da dívida, ou do crescimento, ou do desemprego) podem servir copos meio-cheios e copos meio vazios? O caminho tem de ser mais inteligente e mais racional, pois não bastará pensar que tudo se resolverá com um batalhão de “fact checkers” a trabalhar para o Facebook.
E aqui chegamos a um segundo campo de problemas: o da mediação e validação da informação. Ou o da erosão do papel do jornalismo como certificador do que é verdadeiro e do que é falso, ou como definidor do que é importante e do que é dispensável. Mais uma vez é necessário ter uma perspectiva de longo prazo: a crise da imprensa escrita é muito anterior à explosão das redes sociais, começou até antes da vulgarização da Internet (se bem que não possa ser dissociada desta última). A crise da televisão generalista é mais recente, mas também é inelutável: num artigo recente Tony Blair referia com mágoa que, quando foi eleito pela primeira vez, há 20 anos, o principal noticiário da BBC era visto por 10 milhões de britânicos; agora é visto por apenas 2,5 milhões. Podemos encontrar números semelhantes em todos as democracias avançadas: a perda de audiência dos principais serviços noticiosos é uma regra um pouco por todo o lado.
Porque é que isto aconteceu e continua a acontecer? Em parte porque mudou a tecnologia e mudaram os hábitos. O utilizador deixou de ser um espectador passivo, obrigado a seguir o alinhamento escolhido pelos responsáveis dos telejornais – passou a escolher o que quer ver e quando quer ver, ou o que quer ler e quando quer ler. Se já não estamos no tempo em que Ford dizia que os clientes dos seus carros podiam escolher a cor que quisessem desde que fosse preto, também já não estamos no tempo o jornalista comandava sozinho o “trânsito” da informação.
Em princípio esta maior capacidade escolha – e uma maior diversidade da oferta informativa, assim como mais concorrência – deveriam ser notícias positivas. Porque estamos então preocupados? A resposta tem de ser dura e directa: porque quando o público teve possibilidade de escolher, verificou-se que tinha muito menos confiança nos jornalistas do que se pensava. Quando se troca a leitura de jornais pela leitura de uma notícia partilhada no Facebook não se está apenas a poupar o custo e o trabalho da ida à banca – está-se a aceitar a recomendação de alguém das nossas relações, alguém mais próximo de nós, alguém em quem confiamos ou com quem nos identificamos. Mas não só: está-se também a virar as costas a um jornalismo que muitas vezes nos diz muito pouco, um jornalismo que anda demasiado à volta do seu umbigo, um jornalismo onde se desmerece as pessoas comuns pois, na maioria das redações, todos elas não passam realmente de “deploráveis”. Ou então de gente xenófoba. Ou homofóbica. Ou o que nos vier à cabeça.
Muitos órgãos de informação nos Estados Unidos reconheceram, depois de uma derrota que também foi sua – não houve um único grande título que recomendasse o voto em Donald Trump –, que também eles estavam como que “cortados” da realidade. O que se discutia nos círculos de Washington, nos cafés do Soho em Nova Iorque ou nos restaurantes da moda em Los Angeles nada tinha a ver com o que preocupava os munícipes de Lee Mavrakis ou toda essa massa de eleitores a quem chamam “white trash”. Mas não sei se aprenderam a lição e se arrependeram, pelo que continuo a ler nos sites “de referência”.
Esta evolução tem um terrível efeito sobre a saúde da democracia, pois a democracia exige que todos possamos falar com todos. Na Grécia antiga isso fazia-se na Ágora, nos tempos modernos isso faz-se nos meios de comunicação de massa. Faz-se ou fazia-se: ao desertarem, muitos eleitores começaram a falar apenas com aqueles que pensam da mesma maneira, e aí sim as redes sociais podem ter o efeito perverso de potenciar a fragmentação e atomização do debate público, num processo de auto-guetização e auto-segregação. Só se fala com quem pensa como nós, fecham-se os ouvidos a todos os outros argumentos.
Mas este é o momento final, não o inicial. As redes sociais, como a televisão por cabo, como o Google, como os smartphones, estão para ficar – como esteve para ficar a máquina a vapor no dia em que começou a substituir o trabalho braçal e a aterrorizar os ludistas. Como o Sol não se tapa com uma peneira, não se pára um mundo em mudança. Usa-se é a nosso favor, como sempre sucedeu no passado com qualquer desenvolvimento tecnológico: o aço com que se construíram os canhões da I Guerra Mundial foi também o que permitiu os carris dos caminhos de ferro e o esqueleto dos arranha-céus.
Algo, no entanto, temos de reter: mais do que as novas ignorâncias dos cidadãos comuns, mais do que os efeitos de manada das redes sociais, quem tem falhado são os que insistem em não ouvir os eleitores. Porque estes há muito que deram sinal de que querem falar, pois estão zangados. E não se iludam: há mais problemas pela frente, pois em 2017, pelo menos na Europa, todos estarão apenas empenhados em esconder o lixo debaixo dos tapetes. O mais difícil ficará para depois, quando for ainda mais difícil. E se formos a tempo.